Eram os Deuses Astronautas?

Poucos livros causaram tanto alvoroço na fronteira entre ciência, religião e misticismo quanto Eram os Deuses Astronautas?, de Erich von Däniken, publicado em 1968. Desde seu lançamento, a obra tornou-se um best-seller mundial, traduzido em dezenas de idiomas, vendendo milhões de cópias e inspirando desde filmes de Hollywood até teorias conspiratórias contemporâneas.

Mas, afinal: esse é um livro de ciência? Pseudociência? Ou um grimório moderno, que convida o leitor a abrir a mente para perguntas que incomodam?


1. O Livro em Contexto

Däniken era suíço, sem formação acadêmica formal em arqueologia ou história, mas com um talento enorme para fazer perguntas que ninguém queria ouvir. Ele percorreu pirâmides, templos, desertos e museus, colecionando “mistérios” que, segundo ele, a ciência ortodoxa não explicava.

O argumento central é simples e explosivo: civilizações antigas não teriam construído sozinhas seus monumentos e mitos — elas teriam recebido ajuda de visitantes extraterrestres.

Essa hipótese é conhecida como teoria dos antigos astronautas.


2. Principais “Provas” Citadas no Livro

  • Pirâmides do Egito e da América: seriam “tecnologicamente impossíveis” para sociedades antigas.
  • Linhas de Nazca (Peru): vistas como pistas de pouso para naves espaciais.
  • Arte rupestre: representações de seres “com capacetes e antenas”.
  • Textos religiosos: deuses que descem do céu em carros de fogo ou armas que lembram tecnologia nuclear.
  • Arca da Aliança: descrita como um artefato tecnológico.

Para Däniken, tudo isso aponta para a presença de deuses-astronautas: seres de outro planeta que visitaram a Terra e moldaram nossa evolução.


3. O Impacto Cultural

O livro explodiu como uma supernova na cultura pop.
Influenciou:

Mais que um simples livro, tornou-se um fenômeno cultural que atravessa décadas.


4. Críticas e Polêmicas

A comunidade científica atacou o livro com fúria. As principais críticas:

  • Pseudociência: não apresenta provas sólidas, apenas especulações.
  • Eurocentrismo: sugere que povos antigos não tinham capacidade de erguer monumentos grandiosos sem ajuda externa.
  • Sensacionalismo: apela mais para o fascínio do mistério do que para fatos verificáveis.

Ainda assim, o livro sobreviveu às críticas. Talvez porque, no fundo, ele não seja sobre respostas, mas sobre o poder de perguntar.


5. Por que Ler Hoje?

Em tempos de inteligência artificial, telescópios que fotografam o nascimento do universo e missões a Marte, voltar a Eram os Deuses Astronautas? é mais do que curiosidade: é um exercício de imaginação.

O livro nos lembra que:

  • Nem tudo está explicado.
  • A dúvida é combustível da filosofia.
  • Talvez os verdadeiros “extraterrestres” sejam as partes de nós mesmos que ainda não conhecemos.

6. Nossa Leitura Filosófica

Na Coluna Livros & Grimórios, não nos contentamos com a superfície do literal: preferimos atravessar o véu e mergulhar no simbólico. O que Däniken chama de “astronautas” pode ser apenas o reflexo arquetípico do nosso desejo de tocar o mistério. Talvez os deuses nunca tenham descido em discos voadores. Eu, honestamente, acho que sim. Não porque eu precise acreditar em homenzinhos verdes de capacete, mas porque essa hipótese é poesia cósmica: ela nos lembra que o universo é vasto demais para caber na arrogância humana.

Talvez o que tenha realmente descido sobre nós seja ainda maior — a imaginação, esse motor divino capaz de erguer pirâmides, criar lendas e escrever livros que atravessam o tempo.


Conclusão

Eram os Deuses Astronautas? não é um manual científico, mas também não é apenas ficção. É uma obra que abre portais. Uns acreditam, outros criticam, mas ninguém sai ileso.

E no fim, pouco importa se eram ETs ou apenas nossa própria capacidade infinita: o que importa é que seguimos olhando para as estrelas — com a mesma pergunta que Däniken ecoou:

👉 “De onde viemos e para onde vamos?”


Sempre fui fascinado pelo tema — desde moleque olho para o céu como quem procura respostas escondidas nas estrelas. Talvez por isso eu tenha escrito o artigo Introdução à Ufologia: o mínimo que você precisa saber para não ser um idiota, uma espécie de confissão e provocação ao mesmo tempo. Lá, compartilho minhas primeiras inquietações e brincadeiras sérias com a ufologia. Agora, relendo Eram os Deuses Astronautas?, sinto que esses dois textos se conversam: um é a faísca, o outro é o combustível. E no meio dessa combustão, continuo eu, ainda curioso, ainda meio cético, mas sempre encantado com a possibilidade de que não estejamos sozinhos.


📚 Cada livro é um feitiço. Se abriu este, talvez queira decifrar também:

✍️ Editores do Factótum Cultural

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