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O que é negacionismo e como ele apareceu ao longo da História

Mulher com máscara nos olhos

Entenda as origens dos movimentos de negação da ciência

Se não bastasse um vírus que já fez milhões de vítimas, ainda é preciso enfrentar uma onda forte de negacionismo da ciência. Adeptos da desinformação tentam boicotar a vacinação e contrariam o isolamento social e o uso de máscara, fortemente recomendados pela comunidade médica. Um exemplo recente é a fala do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) sobre “enfiar a máscara no rabo” (palavras dele) em um vídeo divulgado nas redes sociais.

Negar a ciência, no entanto, não é um fenômeno recente. No início da Idade Moderna, autoridades religiosas negavam os avanços científicos e as reflexões dos filósofos humanistas. Para calar quem trouxesse a ciência para o debate, eles usavam o poder que tinham para executar pessoas na fogueira. “O filósofo Giordano Bruno foi condenado à morte por defender a existência de vida em outros mundos”, conta Igor Vieira, professor e autor de História do Sistema de Ensino pH.

Ele também lembra o caso de Galileu Galilei, que foi processado pela Inquisição e precisou negar as suas teorias sobre o Heliocentrismo – que coloca o Sol no centro do universo –, para não ter o mesmo destino do Giordano Bruno. A Igreja Católica defendia o Geocentrismo (a Terra no centro do universo), teoria que apresentava aspectos de passagens bíblicas.

Negando a História

Negacionismo é recusar e negar uma realidade cientificamente comprovada – o método científico, é bom lembrar, é baseado em fatos e evidências. É o que fazem os negacionistas do Holocausto, mais um movimento histórico marcante. Eles negam que o genocídio de judeus durante a Segunda Guerra Mundial  tenha de fato acontecido ou que tenha tido a proporção historicamente reconhecida. Isso mesmo diante de muitas pesquisas, estudos e depoimentos de sobreviventes. 

Em entrevista à BBC,  a historiadora Deborah Lipstadt, da Emory University, dos Estados Unidos, falou sobre os principais pontos dessa negação. “Eles afirmam que os nazistas não assassinaram seis milhões de judeus, que a noção de que havia câmaras de gás para matar em massa é um mito, e que qualquer morte de judeus ocorrida sob o domínio nazista foi resultado da guerra e não de uma perseguição sistemática e assassinato em massa organizado pelo Estado”, diz a pesquisadora.

Lipstadat foi processada por David Irving, um escritor simpatizante do nazismo, após acusá-lo de ser um negacionista do Holocausto. O processo concluiu que Irving promoveu a negação do genocídio dos judeus, sim, além de ter sido antissemita e racista. A historiadora contou o caso na obra History on Trial: My Day in Court with a Holocaust Denier, que em 2016 acabou virando um drama histórico no filme Negação, dirigido por Mick Jackson e escrito por David Hare.

No passado e no presente

A tese que a Terra é redonda foi comprovada há muito tempo. O grego Eratóstenes, nascido em 276 a.C., já apresentava a planeta como uma esfera e mediu sua circunferência. No início do século 16, espanhóis liderados por Fernão de Magalhães fizeram a primeira viagem de circum-navegação ao globo.

Apesar de mais de 2 mil anos de ciência e conceitos provados, os terraplanistas, como são conhecidos os que acreditam que a Terra é plana, “distorcem a ciência de verdade para justificar o injustificável, como mostra reportagem da Superinteressante, que apresentou algumas das fantasiosas teorias desse grupo.

Outro movimento negacionista que ainda ganha força é o antivacina. Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou uma lista das 10 grandes ameaças à saúde em 2019 e, entre elas, estava o medo e a desinformação sobre as vacinas. Para piorar, em meio à grande crise sanitária atual, grupos contrários à imunização encontram um ambiente ainda mais fértil para disseminar suas ideias negacionistas.

Nesse contexto, Vieira destaca a capacidade de articulação desses movimentos nas redes sociais. “Eles exploram bastante uma falta de informação digital da sociedade. Muita gente trata a internet como uma espécie de oráculo: está nas redes, então é verdade”, afirma o professor do pH.

Para o combate do coronavírus, precisamos defender medidas de isolamento e o uso de máscara, além de, é claro, reivindicar por mais vacinas. Contra o negacionismo, Viera acredita que o antídoto é “apoiar a ciência e apelar para a educação”.

Guia do Estudante. 16. 3. 2021.

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