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5 escritores maringaenses (e premiados) para ler sem medo de errar

O Sindicato Nacional dos Editores de Livros apontou aumento na venda de obras literárias durante a pandemia em 2020, algo em torno de 25% comparado ao mesmo período do ano anterior.

Mas nem sempre é fácil escolher o próximo livro e iniciar uma leitura que, geralmente, renderá alguns dias de dedicação para se chegar ao último parágrafo da obra.PUBLICIDADE

Pensando nisso, o GMC Online preparou uma lista com 5 escritores maringaenses que já foram premiados para você dar preferência na hora de escolher um livro na prateleira.

Laurentino Gomes

Laurentino Gomes é um dos escritores maringaenses
Radicado em Itu (SP), maringaense Laurentino Gomes ganhou destaque no cenário nacional por contar capítulos da história brasileira de um modo instigante em suas obras

Maringaense radicado em Itu (SP) há décadas, Laurentino Gomes completou esta semana 65 anos de idade. Com o bestseller “1808” e a sequência “1822” e “1889”, o autor recebeu dezenas de prêmios, entre eles o Prêmio Jabuti e o Prêmio ABL de Ensaio, Crítica, História e Literatura.

Episódios centrais da história da construção do nosso País são temas dos livros de Laurentino Gomes. Um dos grandes trunfos do maringaense é conseguir contar boa parte da história de um Brasil colonial com uma linguagem fácil e atraente, estimulando a leitura. Antes de iniciar sua trajetória como escritor, ele exercitou a escrita trabalhando por décadas a fio como jornalista, tendo passagens por grandes veículos, como a Veja.

Mais recentemente, ele lançou outro livro elogiável: “Escravidão”, que é apenas o primeiro de uma trilogia que promete passar a limpo o período em que existiu escravidão no Brasil, entre a captura de africanos pelos portugueses até chegar ao movimento abolicionista.

Oscar Nakasato

Oscar Nakasato é um dos escritores maringaenses
Romance “Nihonjin”, de Oscar Nakasato, venceu dos grandes prêmios literários

O escritor Oscar Nakasato, 58 anos, faturou diversos prêmios com a obra “Nihonjin”, entre eles o Prêmio Benvirá de Literatura e o Prêmio Jabuti. Romance de estreia do maringaense que mora em Apucarana (PR), “Nihonjin” narra a história de Hideo Inabata, imigrante japonês orgulhoso que, ao lada família, se estabelece no Brasil, na segunda metade do século 20, para tentar enriquecer e levar recursos ao Japão. A obra foi considerada pelo Jornal Cândido como um dos “Livros mais emblemáticos dos últimos 20 anos”.

Nakasato também é autor do romance “Dois”, oportunidade para enxergar Maringá real inspirando uma história fictícia. “Há a Maringá do passado, com as ruas de terra próximas à universidade, o Colégio Gastão Vidigal, quando se usava mimeógrafo a álcool, o antigo viaduto da av. São Paulo, onde, hoje, passa a avenida Horácio Racanello. E há a Maringá de hoje: a feira ao lado do estádio Willie Davis, a avenida Mandacaru, o Cemitério Parque”, explica Nakasato.

“Dois” é narrado sob o ponto de vista de dois irmãos maringaenses que têm personalidades e visão de mundo bastante diferentes. O mais velho, conservador, vive a vida inteira na cidade. O outro vai a São Paulo, envolve-se na guerrilha armada no período da ditadura militar, é exilado no Chile e, depois, em Paris. Na velhice, retorna a Maringá. “A narrativa é feita em primeira pessoa, ora pelo irmão mais velho, ora pelo irmão mais novo”, diz o autor.

Ao GMC, Nakasato revela novidades: um novo livro está pronto para ser lançado em breve. “No terceiro romance eu retorno ao universo nipo-brasileiro para falar sobre aspectos da velhice: a aposentadoria, a solidão, as doenças. O protagonista é um senhor Nikkei que se aposenta como professor do Estado e precisa se adaptar a uma nova vida.”

Marcos Peres

Marcos Peres é um dos escritores maringaenses
Marcos Peres, escritor que mora em Maringá, trabalha em dois novos livros cujas histórias se passarão na cidade

Formado em Direito, o servidor público Marcos Peres, 36 anos, é um dos autores mais jovens de Maringá a ganhar notoriedade nacional, isso graças ao romance de estreia, “O Evangelho Segundo Hitler”, vencedor do Prêmio Sesc de Literatura e do Prêmio São Paulo de Literatura.

Na orelha do romance maringaense, o escritor André Sant´Anna faz uma boa síntese do que se trata: “É a história de um xará de nome e sobrenome do grande contista argentino chegando em Genebra para matar o verdadeiro Jorge Luis Borges. Algo baseado no conto ‘O Outro’, do Borges real, onde Borges conversa com Borges. Até aí, tudo certo. Mas, quando Hitler e os nazistas começaram a entrar na história, pensei cá comigo: ‘Estapafúrdio! Onde esse sujeito acha que vai?!’”

Peres também é autor do romance policial “Que fim levou Juliana Klein?”. “Tratei de assassinatos motivados por uma ideia – no caso, um postulado de Nietszche sobre o tempo cíclico”, explica.

O escritor diz pretender incluir Maringá no universo ficcional das próximas obras. “Acho que o atual momento é frutífero para o pensamento, para a organização das ideias. Escrevo muito, mas penso pouco em publicação. No momento, reviso um policial e um romance que tem o tempo como mote – E, como no ‘Evangelho segundo Hitler’, a base é borgiana: meu enredo nasce de um ensaio de Borges chamado: ‘Uma nova refutação do tempo’. Os dois romances se passam em Maringá.”

Ademir Demarchi

Ademir Demarchi é um dos escritores maringaenses
Maringaense radicado em Santos, Ademir Demarchi tem livro que compila três décadas dedicadas à poesia

Radicado em Santos (SP), Ademir Demarchi tem 60 anos e vem conquistando publicações importantes de livros após vencer editais e seleções públicas, caminho para quem escreve poesia e costuma sofrer com as poucas premiações existentes para a categoria no mercado brasileiro.

Finalista do Sesc de Literatura na categoria Contos e também autor de coletâneas de crônicas, Demarchi foi vencedor de edital disputadíssimo do Governo do Estado de São Paulo o qual viabilizou a publicação do livro de poemas “Os Mortos na Sala de Jantar”, cuja temática central é a morte, com poemas que se reproduzem “como imagens, ou fantasmas, da cultura humana em sua multiplicidade de possibilidades, da história à política, da literatura ao museu, da vida cotidiana à morte mesma, como definhamento, impulso para a destruição ou força vital.”

As três décadas de dedicação do maringaense à escrita de poemas estão compiladas no livro “Pirão de Sereia”, que reúne haicais, poema que pendem para a filosofia e poemas mais líricos. Demarchi também é autor de “O Amor é Lindo”, “Louvores Gozosos”, “Cemitério da Filosofia – Preceitos da Dúvida”, “Siri na Lata”, dentre outras obras que reúnem ensaios sobre literatura.

Sobre ganhar ou não prêmios, o autor diz não se iludir com os pódios literários. “Não tenho essa fantasia com prêmios como você parece ter, pois, em geral, são comprometidos pelo júri, que varia de gosto. Os júris em geral são, têm sido, conservadores com a poesia que premiam.”

Alexandre Gaioto

Alexandre Gaioto é um dos escritores maringaenses
Atualmente morando em Ortigueira (PR), o maringaense Alexandre Gaioto venceu recentemente prêmio literário que rendeu publicação de ebook com 50 poemas

“Queria ser o maior poeta de Maringá, mas já temos o Ademir Demarchi.” O escritor e jornalista Alexandre Gaioto, 33 anos, começa assim a entrevista. Ele é o caçula da turma dos premiados: no fim do ano passado, foi um dos vencedores do Prêmio Biblioteca Digital, da Biblioteca Pública do Paraná, na categoria “Poesia”, fato que o possibilitou estrear na literatura com o livro “Não Há Dezembro Neste Breu”, disponível gratuitamente aqui em formato de ebook.

Gaioto atuou por muito anos como jornalista em Maringá, mas se mudou recentemente para Ortigueira (PR), onde atua como servidor público na prefeitura municipal. O livro de estreia conta com 50 poemas, todos escritos durante a pandemia. “São uma revolta contra a realidade. Essa, aliás, talvez seja a grande lição de Cervantes, Hugo, Tolstói: se não é para se revoltar contra a realidade, melhor nem escrever”, diz ele.

Para quem busca Maringá nas páginas de livros, Gaioto diz ter dedicado apenas um único verso para sua cidade natal.

“Nele, relembro a qualidade da cafeína que tomava durante a graduação e o mestrado: ‘O café ruim mas barato que ofereciam nos intervalos das aulas da UEM’. Não desperdicei as demais linhas do livro para falar sobre Maringá. Deixo que os beletristas da Academia de Letras dediquem seus florilégios e rimem ‘cidade canção’ com ‘muito amor no coração’, entre outras combinações prodigiosas, em suas louvações a Maringá”, ironiza.

GMC Online. 21.2.2021.

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