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Violência contra as mulheres e violência doméstica em tempos de pandemia

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Em Novembro foi lançada a primeira newsletter sobre o projeto Violência contra as Mulheres e Violência Doméstica (VMVD) em Tempos de Pandemia: caracterização, desafios e oportunidades no apoio à distância (AaD). Este projeto, promovido pela APAV e financiado pela FCT (Linha Gender Research 4 COVID-19),  conta com a parceria da Egas Moniz – Cooperativa de Ensino Superior (LABPsi) e da Universidade Fernando Pessoa (UFP).
De forma a dar continuidade à partilha de informação sobre os resultados do nosso estudo e das aplicações que dele resultam na preparação das/os Técnicos/as de Apoio à Vitima em matéria de intervenção com vítimas de VMVD, surge agora a segunda newsletter. Esta newsletter visa apresentar, com mais detalhe, alguns dos progressos realizados pela equipa.
Esperemos que continue a acompanhar as futuras edições.
A Equipa do Projeto 
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Durante o período de confinamento decretado pelo Governo Português – entre 22 de março a 3 de maio de 2020 –, foi analisado um total de 683 casos de violência que foram reportados à APAV através de apoio à distância (i.e., telefónico e online) e apoio presencial. De um modo geral, a violência denunciada está representada através de: 1) 589 casos (86%) de Violência Doméstica e 2) 94 casos (14%) de formas de violência noutros contextos (ex.: crimes sexuais), em que 65 dos mesmos são vítimas mulheres e 29 são vítimas homens. 

  • Dentro do contexto da violência doméstica, é possível concluir que:
          • 34.1% dos casos são de violência no contexto das relações de Intimidade;
          • 12.6% dos casos são de violência contra crianças; 
          • 14.9% dos casos são de violência contra idosos.

    Sobre as vítimas:
  • Uma grande percentagem de vítimas são mulheres (83%), existindo 17% de vítimas homens;
  • A faixa etária com maior prevalência de vitimação situa-se entre os 21 e os 44 anos, tanto em mulheres (43.4%) como homens vítimas (21.4%);
  • A maioria das vítimas mulheres reside na região de Lisboa e Vale do Tejo (34.6%), enquanto que a maior parte das vítimas homens reside na região Norte do país (28.7%);
  • Uma parte substancial das vítimas não possui atividade profissional, quer em casos de vítimas mulheres (40.5%) como em casos de vítimas homens (60.2%);

    Sobre a pessoa agressora:
  • A maioria são homens (76.6%), quer quando as vítimas são mulheres (82.3%), quer quando as vítimas são homens (48%);
  • Tipo de relacionamento entre a vítima e o autor nos relacionamentos íntimos: cônjuges (mulheres: 23%; homens: 14.3%), companheiro/a (mulheres: 15.1%; homens: 10.2%) e namorado/a (mulheres: 2.9%; homens: 4.1%);
  • Violência perpetrada em crianças: o tipo de relacionamento mais reportado é o relacionamento ascendente (i.e., pais, avós), tanto em vítimas do sexo feminino (3.6%), como do sexo masculino (1.9%);
  • Violência perpetrada em idosos: o tipo de relacionamento mais referido é o relacionamento descendente (i.e. filhos, netos), tanto em mulheres (5.6%), como em homens (1.5%).

    Sobre a violência perpetrada:
  • A maior parte da vitimação descrita ocorre de forma continuada (mulheres: 67%; homens: 68.4%), variando a duração entre um mês e 52 anos no caso das vítimas mulheres (média: 7.24 anos), e entre um mês e 41 anos no caso das vítimas homens (média: 4.79 anos);
  • 34% das vítimas mulheres e 41.8% das vítimas homens referem não ter histórico de vitimação prévia;
  • Os tipos de violência mais comuns são a violência psicológica e/ou ofensas à integridade física (mulheres: 77.3%; homens: 75.5%).
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Após a recolha de informação através de um questionário online junto de aproximadamente 150 Técnicas/os de Apoio à Vítima (TAV) que integram a Rede Nacional de Apoio a Vítimas de Violência Doméstica, acerca da prestação de Apoio à Distância, em situações de VMVD, com particular enfoque no período de confinamento imposto pela Pandemia COVID-19, foi possível obter alguns resultados:


• Em tempos de pandemia, um número considerável de TAV revelou preferência pelo apoio presencial (40%) e/ou telefónico (82.7%), sendo ambos os tipos de apoio mais utilizados;

• As/Os profissionais, na sua maioria (88.7%), não tiveram formação no AaD. No entanto, um grupo substancial considerou sentir-se preparado/a para a prestação deste apoio (em que 49.3% qualificou-o de Bom e 15.3% de Muito Bom), considerando-o uma ferramenta Muito Útil (62%) no apoio a VMVD;

• Durante o estado de emergência, 86.7% das/dos profissionais referiram que continuaram a prestar apoio, recorrendo fundamentalmente ao telefone (78.7%), estando a maioria em teletrabalho (56.7%);

• Mais de metade das/dos TAV (54.7%) referiu que as suas instituições suspenderam o apoio presencial durante o estado de emergência. Após o confinamento, e segundo as/os técnicas/os inquiridas/os, 49.3% das instituições implementarem o apoio misto (presencial e à distância) e 43.3% retomaram apenas o apoio presencial.

Para mais informações: projeto.fct@apav.pt

APAV. Newsletter | 2ª Edição.

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