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Nômade digital: como é a vida de quem escolheu trabalhar enquanto viaja pelo mundo

Matheus de Souza é o autor do livro Nômade Digital (Foto: Arquivo Pessoal)
Matheus de Souza é o autor do livro Nômade Digital (Foto: Arquivo Pessoal)

Não basta apenas largar o emprego fixo e comprar sua passagem; veja como vivem pessoas que decidiram trabalhar remotamente para conhecer vários países.

Os nômades digitais são grandes inspirações para quem deseja ter um horário de trabalho mais flexível e viajar. Exercendo funções que podem ser feitas a distância, eles conseguem fazer suas entregas de qualquer lugar do mundo — desde que tenham um Wi-Fi de qualidade funcionando.

Isso é uma forma de trabalho mais comum para quem é freelancer, ou seja, uma pessoa que oferece seus serviços para diferentes empresas esporadicamente.

“Em tese, qualquer trabalho que possa ser feito de forma remota (e a pandemia tem mostrado que muitas profissões permitem isso) abre a possibilidade para se tornar um nômade digital”, diz Matheus de Souza, 31 anos, autor do livro Nômade Digital: um guia para você viver e trabalhar como e onde quiser

Em 2016, o escritor trabalhava com carteira assinada como assistente de marketing em Tubarão, Santa Catarina. “Nesse mesmo ano, comecei a me planejar para me tornar nômade. Como a faculdade em que eu trabalhava não liberou o trabalho remoto, percebi que precisaria me demitir para seguir o sonho” afirma. 

Para o plano dar certo, ele começou a fazer uma reserva financeira e a produzir conteúdos na internet, principalmente no LinkedIn, com o intuito de ser visto e conseguir trabalhos como redator a distância. Ele então pediu demissão em janeiro de 2017 e, seis meses depois, começou a oferecer cursos online na área de produção de conteúdo.

Hoje, Matheus diz que consegue viver muito bem apenas com os cursos online e com seus trabalhos como freelancer. Por isso, ele diz que não enxerga um lado ruim de ser nômade digital. “Eu amo a vida que eu levo – e que eu escolhi viver. Rola de vez em quando uma saudade da família e dos amigos que ficaram no Brasil, mas, por ter essa liberdade geográfica, sempre posso voltar para vê-los”, afirma. 

Matheus de Souza viaja pelo mundo enquanto trabalha desde 2017 (Foto: Arquivo Pessoal)
Matheus de Souza viaja pelo mundo enquanto trabalha desde 2017 (Foto: Arquivo Pessoal)

Para quem está querendo seguir a vida como nômade digital, Matheus diz que é sempre importante deixar claro que não existe como “largar tudo e cair na estrada sem planejamento”. “Tudo começa com o trabalho em si: seu trabalho atual pode ser feito de forma remota? Em caso negativo, você muito provavelmente terá que mudar de carreira. Tendo um trabalho que possa ser feito de forma remota, o próximo passo é o planejamento”, afirma. 

A sua sugestão é que o futuro viajante faça uma reserva financeira de no mínimo seis meses do seu último salário para caso imprevistos aconteçam. Então, vale fazer um teste para ver se esse estilo dee vida e de trabalho funciona.

“Quando eu resolvi cair na estrada, em 2017, comecei com uma viagem curta de um mês para o México e depois retornei para o Brasil. Vi que o nomadismo funcionava para mim e desde então estou viajando.”

Assim como Matheus, o carioca Pedro Franklin, 27, também decidiu que seria nômade digital e, para isso, decidiu até sair da startup de que ele mesmo era um dos fundadores. Em 2019, o jovem começou a trabalhar como freelancer oferecendo serviços de marketing. 

Ele viajou o mundo durante 10 meses, indo para países como Peru, Chile, Bolívia, Inglaterra, Grécia, Indonésia e Japão. Mas Pedro conta que sempre tomou cuidado antes de decidir os destinos: afinal, precisava ter a certeza de que teria uma boa internet para poder trabalhar. 

“Eu tinha que garantir resultado e manter contato com os clientes. Com Wi-Fi e um laptop, você consegue trabalhar de qualquer lugar”, afirma Pedro, que tinha um pouco de dificuldade de alinhar fuso horário com os clientes, especialmente quando ele estava na Ásia e eram muitas horas de diferença.

Pedro durante viagem pelo Japão (Foto: Arquivo Pessoal)
Pedro durante viagem pelo Japão (Foto: Arquivo Pessoal)

Por causa da pandemia do coronavírus, Pedro acabou voltando mais cedo para o Brasil e começou a trabalhar em um emprego fixo (mas ainda remotamente). Mas viu que a vida com uma rotina fixa não era para ele e pediu demissão depois de sete meses, pretendendo voltar a viajar assim que for possível.

Apesar de ter decidido voltar a viver como nômade digital, Pedro ressalta que essa rotina também tem seus defeitos  — como a dificuldade de criar vínculos e ter conversas profundas com as pessoas que conhece pelo caminho.

“Ser nômade digital é um sonho, mas não é todo dia que você vai ter a melhor companhia do mundo, que você vai ter gente para conversar”, afirma. “Haverá dias difíceis, em que você está longe de todo mundo que conhece.”

Nômades em dupla

Juliana Moreira, 26, também passou vários meses de 2019 viajando. A jovem que nasceu em Porto Alegre trabalhava em uma agência de publicidade e estava incomodada com a rotina puxada de trabalho — em que era normal fazer horas extras e ter reuniões fora do horário comercial. Então, depois de juntar dinheiro, ela pediu demissão para ter mais tempo e se tornar freelancer.

Junto com o namorado, Pietro (que já trabalhava de forma remota), ela decidiu viajar pela América do Sul. “Passamos 10 meses viajando e conhecemos Argentina, Chile, Bolívia, Peru e Colômbia”, diz Juliana, que voltou ao Brasil no Natal de 2019.

No início, quando começou a viajar, Juliana não tinha nenhum trabalho fixo e estava desenvolvendo seu currículo e portfólio. O objetivo era encontrar clientes no Brasil e em países em que ela estaria, usando o conhecimento que tinha de rede social e o do namorado, que é fotógrafo e videomaker.

“Nós visitávamos hotéis e empresas de turismo para oferecer nosso serviço de comunicação e de fotos, que geralmente é raro para pequenas empresas”, diz Juliana. O casal cobrava um preço baixo ou fazia escambo — trocando hospedagem e alimentação pelo trabalho. Ao mesmo tempo, Juliana conseguiu trabalhos como redatora de clientes brasileiros.

“E foi indo. Eu ganhava um pouco menos do que estava acostumada no Brasil, mas considerando que não tinha o custo de vida muito alto, esses trabalhos estavam rendendo e funcionaram bem.”

Juliana em Torres del Paine, na Patagônia Chilena (Foto: Arquivo Pessoal)
Juliana em Torres del Paine, na Patagônia Chilena (Foto: Arquivo Pessoal)

Juliana desistiu dos planos de seguir viajando, enquanto Pietro continua com esse modelo de trabalho. “Eu senti essa necessidade de ficar mais estável depois de tanto tempo viajando, de ter a minha casa com as minhas coisas organizadas”, afirma a jovem, que hoje está trabalhando como redatora publicitária em uma fintech.

“Tem muito nômade digital que passa longos períodos em cada país, ficando três meses em um lugar. Mas eu estava em um ritmo muito mais corrido, então ficava cerca de 10 dias em cada cidade. A minha rotina era muito corrida para trabalhar e ao mesmo tempo conhecer os lugares.”

Ela não descarta voltar a trabalhar como nômade digital, desde que a rotina permita conhecer e aproveitar cada lugar com calma. 

Revista PEGN. 22.9.2020.

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