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Deseja desbloquear a sua criatividade?

Desenhar como criança.jpg

O layout em branco. A página do Word em branco. O papel em branco. Toma café, fala sobre futebol com os colegas, fuma um cigarro (O Ministério da Saúde adverte: o uso deste produto leva à morte por câncer de pulmão e enfisema – imaginem foto de um corpo aberto nojento), pesquisa no Google, entra no Facebook e esquece o que estava pensando. Volta. Nada. NADA! Vazio completo.

Esse tal de bloqueio criativo é a morte para muitos, que ao extremo do desespero se deparam com esta sensação de impotência sem imaginação. O Google revela que o Writer’s block – fenômeno envolvendo perda temporária da habilidade de continuar escrevendo, geralmente por falta de inspiração ou criatividade, – é normal e que pode ser por depressão ou ansiedade. Isso se aplica a qualquer pessoa, pois nessa Era da inovação pra cá e pra lá, a pressão profissional de todos os lados é para que você seja criativo – sempre.

Seria um distúrbio meramente psicológico ou da química dos neurotransmissores? Uma questão filosófica? Acho que é pura besteira ficar pensando que a neurociência pode desbloquear a criatividade. O lance todo é a referência e a maneira como você leva a vida.

Às vezes é só falta de assunto para escrever em um blog, para alguns artistas é a morte. Assim como o autor de Madame Bovary expressa, o francês Gustave Flaubert (1821-1880), sobre essa angustia: “Você não sabe o que é ficar um dia inteiro com a cabeça nas mãos tentando espremer seu cérebro infeliz para achar uma palavra”.

Lembrei do filme Oite e Meio (clássico brilhante), que o personagem principal é Guido (o álter ego do próprio diretor Frederico Fellini), que passa por um bloqueio criativo às vésperas do início das gravações de seu próximo trabalho. Aposto que o Fellini não sabia mais que novo roteiro criar, aí pensou “Eu vou é contar a história de um cineasta, colocando minha vida nele e mostrando o problema, misturo com sonhos e pronto”. Grande Fellini! Se ele pode, eu posso, não? Não.

A melhor dica vem do cineasta David Lynch em seu livro (horrível e superficial) Em Águas Profundas: “O negócio é então se sentar e estudar e estudar e estudar; de repente se dá um salto da cadeira e se passa a fazer a próxima coisa. Isso é ação e reação. Mas se você está preocupado porque 30 minutos depois estará em algum lugar, não há como criar. É preciso tempo para que as coisas interessantes possam acontecer.”

O programa Iconoclasta é sempre sobre duas celebridades de universos diferentes para falar da vida, carreira e paixões. Em um dos episódios, estão juntos Quentin Tarantino e Fiona Apple. Tarantino confessa que depois de Kill Bill ele não conseguiria mais nada tão grande, como se escalado a maior montanha, não teria mais para onde subir.

Sabemos que o Tarantino foi muito além de Kill Bill.

Mesmo com motivos sobre o problema ou dicas para resolver, às vezes nem percebemos que parar o cérebro por algumas horas faz com que as referências de tudo o que você já viu apareçam. O melhor é não ter medo. Mas até o Freud (1856-1939) confessa que o medo é inevitável: “Imaginação criativa e trabalho funcionam juntos comigo; eu não tenho prazer em mais nada. Isso seria a prescrição para a felicidade se não fosse pelo fato de que a produtividade de alguém depende inteiramente do humor. O que fazer em um dia em que os pensamentos param de fluir e as palavras apropriadas não vêm? Não dá para não tremer diante dessa possibilidade.”.

O bom mesmo é ser feliz e viver a vida, a angústia só serve para tema da criatividade, não para vivê-la. Aproveite as referências e volte a pensar como criança – mais livremente.

Por Fabíola Amaral. Obvious.

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Um Amante do Conhecimento e com o desejo de levá-lo aos Confins da Galáxia !!!

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