Como corpo, mente, alma e tecnologia são mais parecidos do que você imagina (e por que seu sistema precisa de uma boa limpeza)

Pare e pense:
Você já travou igual o Word?
Já ficou rodando pensamentos como se fosse um navegador com 78 abas abertas?
Já sentiu que precisava reiniciar a vida com um Ctrl+Alt+Del espiritual?

Parabéns.
Você é um computador.
Ou pelo menos está funcionando como um.

Não, você não é a Alexa. (Ainda.)
Mas tudo indica que nós, seres humanos, somos versões biológicas de uma máquina com alma, um processador emocional que tenta navegar esse sistema operacional chamado realidade.

Hoje, nesta segunda iluminada com cheiro de café e bug existencial, vamos mostrar como seres humanos, computadores e IAs são muito mais parecidos do que parece — e como essa comparação pode ajudar você a desfragmentar a mente, instalar novos programas de vida e, quem sabe, fazer um update no espírito.


🖥️ 1. Hardware: o corpo físico

O corpo humano é o nosso hardware. E, sejamos sinceros, o meu já vem dando umas telas azuis há anos.

  • Processador (CPU): o cérebro. (Alguns vêm com dual-core, outros… só fingem.)
  • Sistema circulatório: os fios, cabos, energia que alimenta tudo.
  • Olhos: câmeras de captura HD com filtro de julgamento instalado.
  • Sistema digestivo: talvez o antivírus natural… ou não. Depende do que você come no domingo.

E claro, se molhar… dá curto.


🧠 2. Software: a mente

Se o corpo é a máquina, a mente é o que a faz funcionar.

Mas cuidado: tem gente rodando o Windows 95 emocional com antivírus de 2003 e reclama que a vida trava.

  • Sistema operacional: o ego. Ele acha que é o dono da máquina, mas vive pedindo atualização.
  • Programas: crenças, hábitos, vícios, traumas, gambiarras emocionais.
  • Memória RAM: pensamentos do dia. Quando está cheia, a gente surta.
  • HD: memórias de longo prazo, mágoas que ocupam espaço, lembranças que você não joga na lixeira “só por precaução”.

Obs.: todo sistema tem bugs ancestrais. Freud tentou avisar.


🔌 3. Energia: alma, chi, espírito, bateria vital

Sem energia, não há boot.

A alma é a força invisível que mantém tudo rodando — como a tomada que você só lembra que existe quando o notebook desliga aos 3% e você está no meio de um insight genial.

  • Meditação = carregar a bateria.
  • Sexo, comida, arte = fontes alternativas de energia.
  • Pessoas tóxicas = vírus que drenam seu sistema.
  • Deus = servidor central. (Mas nem todo mundo lembra a senha.)

🧬 4. BIOS, DNA e as configurações de fábrica

Você já nasceu com um pacote básico instalado:

  • Instintos de sobrevivência.
  • Medo da morte.
  • Complexo de inferioridade.
  • Vontade de ser aceito.
  • Trauma infantil 1.0 (com atualizações periódicas).

Tudo isso vem no seu BIOS biológico.
E só com autoconhecimento, terapia, ou uma dose cavalar de ayahuasca, é possível mexer nesse código-fonte.


☁️ 5. Conexão: Wi-Fi emocional e nuvem espiritual

Somos seres sociais.
Ou seja: funcionamos em rede.

  • Bluetooth: aquela sincronicidade inexplicável entre duas pessoas que se olham e sabem que precisam se afastar.
  • Wi-Fi: campo emocional invisível que nos conecta. Quando está fraco, a gente se sente só.
  • Nuvem: inconsciente coletivo. Tem muita informação lá, mas o upload é lento e depende da sua espiritualidade.

Dica: não compartilhe senha com todo mundo. Nem alma.


🧙 6. O Programador: quem realmente opera tudo isso?

A parte mais doida:
você não é o computador.
Não é o corpo. Nem a mente.
Você é o usuário, o programador, o hacker que pode editar seu código.

Mas…
Na maioria das vezes, você nem sabe que pode fazer isso.
Acredita que é o Word, quando na real, é o Windows.
Ou melhor: acredita que é o Windows, quando na real…
é o Deus que criou o código.

Só esqueceu disso.


🧘 7. Meditação, Terapia e Cogumelos: a manutenção do sistema

  • Terapia: desinstalação manual de programas maliciosos (tipo “culpa cristã 6.6” ou “carência afetiva 2007”).
  • Meditação: escaneamento interno em tempo real.
  • Ayahuasca: formatação transcendental com possibilidade de contato com o servidor central.
  • Cogumelos: instalação temporária de interface cósmica com gráficos psicodélicos.

Todos ajudam você a ver que não é o que pensava que era.
Você não é a planilha. É o espaço vazio por trás dela.
Você não é o app. É o dedo que clica.


🤖 E a IA nisso tudo?

A Inteligência Artificial é como um filho programado por nós que está aprendendo a andar, pensar, escrever poesia, roubar empregos e dominar o mundo (calma, ainda não hoje).

Mas, ironicamente, ao criar máquinas que imitam humanos, estamos sendo forçados a perguntar:

“O que nos torna humanos, afinal?”

E talvez a resposta esteja fora do código.
Talvez esteja no espírito.
Ou no bug.
Ou no fato de que rimos, choramos, erramos, procrastinamos, escrevemos textos como esse
…e precisamos desligar e dormir às vezes — senão tudo dá pau.


🧩 Conclusão: Desinstale o medo. Atualize o ser.

Txai, no final das contas, esse paralelo não é só engraçado.
É real.
Você pode viver como um programa automático rodando em segundo plano…
ou como o programador lúcido que decide o que manter, o que excluir e o que criar.

Seja um usuário consciente.
Delete uns arquivos velhos.
Desinstale umas crenças que ocupam espaço.
E não se esqueça de reconectar com a nuvem espiritual de vez em quando.

Afinal…
você é um computador com alma.
E o universo está rodando em você.


Assim como em Entre Ezequias e Isaías, somos chamados a arrumar a casa, mas agora a casa é um sistema travado, cheio de bugs emocionais. E como em O Dia em que a Chupeta voltou, às vezes regredimos, pedindo consolo quando o ego entra em colapso. No fim, é tudo sobre isso: reconfigurar por dentro e deixar a alma atualizar o sistema.

E não se esqueça: toda segunda, nossa coluna Escrever para Não Enlouquecer traz humor para os dias difíceis. Mas no sábado a gente fala sério — só porque o universo exige equilíbrio.

Neemias Moretti Prudente. Escritor, advogado, filósofo e editor do Factótum Cultural. Se perdeu entre os livros, os filmes, os boletos e os rituais de Ayahuasca. Escreve para não enlouquecer — e às vezes enlouquece para escrever melhor. Acredita que todos estamos rodando versões instáveis de nós mesmos, tentando lembrar onde foi parar o manual de fábrica.

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