Por Tela Mística

A Vida de Chuck”, adaptação do conto de Stephen King, nos lembra que cada existência é um universo em si. Um filme que mistura filosofia, espiritualidade e poesia sobre o valor do instante e a grandeza da vida comum.
Introdução
Imagine que a sua vida inteira — cada dor, cada alegria, cada fracasso e cada triunfo — fosse, em si, um universo completo. Não apenas um pedaço de tempo gasto no planeta Terra, mas um cosmo inteiro que se expande e se contrai no simples fato de você existir.
Essa é a provocação de A Vida de Chuck (The Life of Chuck), adaptação dirigida por Mike Flanagan baseada no conto de Stephen King. Um filme que não fala de monstros de fora, mas do maior de todos: o mistério da consciência.
1. O conto de Stephen King e o cinema de Mike Flanagan
King sempre foi o mestre em transformar terrores cotidianos em portais para dimensões ocultas. Mas aqui, em vez de sangue e horror, ele nos entrega um retrato de humanidade, finitude e transcendência.
Mike Flanagan, que já havia flertado com o espiritual em A Maldição da Residência Hill e Missa da Meia-Noite, pega o conto e o amplia em poesia visual, transformando Chuck em um arquétipo: cada um de nós.
2. “Cada vida é um grande universo”
Essa frase, estampada no cartaz, é a chave. Não é apenas marketing. É quase um mantra.
- Se cada pessoa contém um universo, a morte não é o fim — é o colapso de uma estrela.
- Se cada instante é um cosmos, então até a banalidade de esperar um ônibus tem a grandeza de uma supernova.
- A espiritualidade do filme não é religiosa, é existencial: tudo importa porque tudo é único.
3. O peso do simples
Enquanto Hollywood enche telas de multiversos e explosões, A Vida de Chuck mostra que o maior multiverso já existe dentro de cada vida humana.
A cena de um homem dançando sozinho em um telhado pode carregar mais mistério que todas as batalhas dos Vingadores juntas. Porque, no fundo, o que mais importa não é “salvar o mundo”, mas perceber que o mundo está dentro de nós.
4. O paralelo com nossa jornada
Esse filme é quase um espelho do buscador espiritual:
- Morremos várias vezes dentro de uma só vida (ego, relações, versões de nós que ficam para trás).
- Renascer é relembrar que ainda estamos dançando, mesmo que o palco esteja desabando.
- Chuck poderia ser qualquer um de nós, preso entre a banalidade do cotidiano e a grandiosidade de ser um fragmento do divino.
Stephen King aqui parece ecoar o que místicos sempre disseram: “O Reino de Deus está dentro de vós.”
5. A Vida como Conto
A metáfora final é brutal e bela: talvez tudo que somos não passe de uma história contada na mente de Deus. E talvez isso não seja uma diminuição — mas a maior das honras.
Se Deus é o contador, então cada vida é um capítulo. E nós, mesmo sem perceber, escrevemos junto.
Conclusão
A Vida de Chuck é um lembrete radical: não desperdice o milagre de estar vivo.
Não espere pelo grande espetáculo, porque o espetáculo já começou — ele é você.
Cada vida é um universo, e quando você fecha os olhos, o cosmos inteiro se recolhe. Mas enquanto respira, o universo inteiro respira com você.
Epílogo: O Universo Dentro de Mim
Assistindo A Vida de Chuck, não vi apenas um personagem. Vi a mim mesmo.
Desde 2017, entre doenças, perdas, divórcio e noites escuras da alma, parecia que o meu universo estava desmoronando. Foi só quando encontrei a Ayahuasca, em 2023, que comecei a perceber que dentro de mim ainda havia estrelas acesas. Dois anos depois, sigo mergulhado nessa dança entre luz e sombra, tentando compreender que cada dor foi também uma criação, cada queda, uma galáxia que nascia.
Chuck, no fundo, sou eu.
E talvez também seja você.
Porque cada vida é, de fato, um grande universo — e o meu, apesar de ferido, segue se expandindo.
Chamado ao leitor
E você? Já percebeu que carrega um universo inteiro dentro do peito?
Talvez seja hora de parar, respirar fundo e se perguntar:
“Se a minha vida fosse um filme, eu estaria vivendo ou apenas assistindo?”
Para sentir a atmosfera do filme, assista ao trailer oficial abaixo:
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🎬 O filme não acabou — há sempre uma cena pós-créditos. Descubra-a em:
✍️ Editores do Factótum Cultural





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