Se a Disney encanta multidões com castelos, ratinhos e princesas, a advocacia criminal precisa encantar com códigos, processos e petições de urgência. Enquanto a Disney cria mundos mágicos, nós tentamos não naufragar no reino sombrio da Justiça Penal, onde o castelo é o fórum, o dragão é o sistema, e o final feliz depende da jurisprudência.

Mas e se disséssemos que a tal “Estratégia da Magia” da Disney tem tudo a ver com o dia a dia de um advogado criminal? Não acredita? Pois vista sua beca invisível e venha com a gente.


1. Storytelling: contar uma boa história salva vidas

Na Disney, tudo é sobre contar histórias encantadoras. Na advocacia criminal, contar histórias é questão de liberdade ou prisão.

Advogar é narrar. É transformar fatos duros, muitas vezes cruéis, em narrativas humanas, verossímeis e tocantes.

Você não está só defendendo um réu — está contando a história de uma vida, de um contexto, de uma dor.

E se não souber narrar, o juiz fecha o livro com um veredito implacável.


2. Guestology: tratar o cliente como convidado (mesmo que ele grite no WhatsApp)

A Disney trata seus clientes como convidados encantados. Na advocacia criminal, você precisa tratar o cliente como um convidado desesperado, que às vezes está na porta do seu escritório com tornozeleira, sogra e boletim de ocorrência na mão.

O segredo é o mesmo: acolher, escutar, acalmar, orientar. A estratégia da magia aqui é o tato, a paciência, a inteligência emocional. O cliente quer alguém que o tire do abismo — nem que seja com uma liminar e um copo d’água.


3. A obsessão pelo detalhe: cada vírgula pode ser sua fada madrinha (ou sua bruxa má)

Na Disney, cada detalhe é milimetricamente pensado. Na advocacia criminal, cada vírgula mal colocada pode gerar um indeferimento.

O nome do acusado está certo? A comarca está correta? Você protocolou na vara certa?

Se o Mickey depende de fantasias limpas e sorriso no rosto, o criminalista depende de petições limpas e argumentos bem costurados.

A diferença entre o encanto e o colapso está na revisão.


4. Cultura de elenco: todos estão em cena (mesmo que o figurino seja só uma calça social velha)

A Disney chama seus funcionários de elenco. Na Justiça, todo mundo está atuando: o juiz, o promotor, o defensor, o estagiário, a vítima e o acusado.
Uns são protagonistas, outros figurantes — mas todos têm um papel no teatro jurídico.

Você entra no fórum e sabe que vai precisar representar: firme, técnico, mas com uma pitada de humanidade.

Sim, às vezes você atua melhor que muito ator da Globo.


5. Liderança servidora: servir para vencer

Na Disney, o líder serve para facilitar a magia.

Na advocacia, o advogado é o líder silencioso: serve ao cliente, à Justiça, à ética e, muitas vezes, engole sapo de todos os lados. Mas continua. Porque acredita — ou, pelo menos, finge acreditar — que vale a pena lutar por justiça.


6. Inovação com essência: usar IA, sim, mas com alma

A Disney se reinventa sem perder sua essência.
O criminalista moderno precisa dominar o jurisprudência com IA, o roteiro do processo eletrônico, o prompt do ChatGPT, mas sem perder a alma do ofício: ouvir, sentir,, escrever, ler, argumentar, lutar.

Porque por mais que existam fórmulas prontas, defender alguém nunca será só apertar um botão.


No fundo, o advogado criminal também é um ilusionista

Você cria esperança onde só existe medo.
Você enxerga a pessoa por trás do crime.
Você enfrenta gigantes com sua maletinha e sua convicção.

A “magia” da advocacia criminal não está em criar castelos, mas em erguer pontes entre dor e dignidade, entre erro e recomeço.

E como na Disney, nem todos os finais são felizes, mas todo esforço para chegar neles precisa ser honesto, cuidadoso e, se possível, encantador.


As palavras nunca param aqui. Continue a viagem em A Estratégia da Magia: Como a Disney encantou o mundo (e o capital)

Factótum Cultural

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