Ao longo da história da humanidade, observa-se  um fascínio constante pela compreensão da mente  humana. Desde os tempos da graduação em Psicologia,  uma questão formulada por um professor no início do  curso tem-me acompanhado a minha trajetória acadêmica  e profissional: por que alguns comportamentos se  mantêm ao longo do tempo enquanto outros não? Essa  indagação reflete uma das grandes questões da psicologia,  que possui múltiplos caminhos teóricos, entre eles a  psicologia do inconsciente de Freud (1915), a terapia  cognitivo-comportamental de Aaron Beck (1967), as  perspectivas da psicologia analítica de Carl Gustav Jung e  o psicodrama de Jacob Levy Moreno (Jung, 1961. Moreno,  1946), além de muitas outras. 

No cenário contemporâneo, a busca por  compreender o comportamento humano é alimentada por um interesse crescente de indivíduos que admiram e  se encantam pela ciência do comportamento. Nesse  contexto, questiona-se se vale a pena cursar uma  graduação em Psicologia. A resposta a essa questão  envolve uma análise de fatores como a demanda do  mercado de trabalho, a relevância social da profissão, as  possibilidades de crescimento profissional e a realização  pessoal oferecida pela carreira (Araújo & Costa, 2020). 

O universo das abordagens filosóficas, teóricas,  conceituais e práticas da Psicologia é vasto, abrangendo  desde teorias clássicas até as mais modernas abordagens  cognitivas e neurocientíficas. A crescente valorização da  saúde mental na sociedade reforça o potencial de atuação  do psicólogo em múltiplos contextos, incluindo clínicas,  instituições de ensino, empresas e órgãos públicos (World  Health Organization, 2022). Além disso, eventos globais  recentes, como a pandemia de COVID-19, evidenciaram a  importância de promover cuidados psicológicos e  aumentaram a procura por serviços de Psicologia, refletindo uma maior conscientização acerca da saúde  mental como componente essencial do bem-estar  humano (Souza et al., 2021). 

Diante desse cenário, pode-se afirmar que cursar  Psicologia na contemporaneidade configura-se como uma  decisão profissional promissora, fundamentada na  crescente demanda por profissionais capacitados e na  relevância social de promover a saúde mental. Assim, a  formação em Psicologia não “apenas” oferece  possibilidades de crescimento individual, mas também  possibilita contribuir significativamente para a melhora da  qualidade de vida das pessoas na sociedade (Araújo &  Costa, 2020; 2022). 

A compreensão do escopo e da diversidade da  psicologia no Brasil contemporâneo revela a sua  importância em múltiplas áreas de atuação, refletindo a  sua abrangência e relevância social. No âmbito acadêmico,  o estudante tem a oportunidade de explorar diferentes abordagens teóricas e práticas, como a psicologia clínica,  a psicologia do esporte, a psicologia hospitalar, escolar,  institucional e jurídica, entre outras. Essas áreas  demonstram a versatilidade do campo psicológico, que se  adapta às demandas de uma sociedade em constante  transformação. A psicologia clínica, por exemplo, constitui  uma das modalidades mais tradicionais e reconhecidas no  Brasil, com profissionais atuando em consultórios,  hospitais e centros de atenção psicossocial, contribuindo  para o tratamento de transtornos mentais e promovendo  o bem-estar psicológico (Santos & Oliveira, 2022). Já a  psicologia do esporte tem ganhado destaque,  especialmente diante do aumento do interesse pelo  desempenho físico e saúde mental de atletas, sendo  reconhecida pelo Conselho Regional de Psicologia (CRP,  2023) como área de atuação especializada. 

A psicologia hospitalar e escolar também  desempenha papel fundamental na promoção da saúde e  do desenvolvimento humano, contribuindo para melhorias na qualidade de vida e no processo de  aprendizagem. No âmbito institucional e jurídico, a  psicologia atua na avaliação, perícia e elaboração de  políticas públicas, reforçando o seu compromisso com a  justiça social e os direitos humanos (Silva & Pereira, 2021).  Além disso, os avanços em neurociência têm permitido  compreender os processos cerebrais envolvidos na clínica  e na aprendizagem, fortalecendo a interface entre  psicologia e outras ciências biomédicas, enriquecendo a  prática profissional e a pesquisa na área (Lima & Santos,  2020). A aplicação da psicologia em áreas como nutrição,  enfermagem e a medicina evidencia sua atuação  multidisciplinar, contribuindo para o cuidado integral à  saúde.  

Nesse sentido, o psicólogo atua em equipes  multiprofissionais, promovendo intervenções que  consideram o aspecto psicológico do paciente, fator  essencial para o sucesso do tratamento e a melhora da  qualidade de vida (Fernandes et al., 2021). 

No cenário atual, é importante destacar que,  apesar dos avanços tecnológicos e do desenvolvimento de  inteligências artificiais, a essência da psicologia permanece  insubstituível. A complexidade da mente humana, seus  mistérios e nuances, demandam uma compreensão profunda, empática e ética, características intrínsecas à  atuação do psicólogo.  

Como afirma Nardi (2020), “a inteligência artificial pode auxiliar na coleta e análise de dados, mas não possui a capacidade de compreender o sujeito na sua totalidade, tampouco estabelecer a relação de confiança e empatia fundamental na prática clínica”.  

Assim, a formação acadêmica sólida, aliada ao  desenvolvimento de habilidades humanas e éticas,  garante que o psicólogo continue um profissional  indispensável na promoção do bem-estar psicológico e na  construção de uma sociedade mais justa e saudável. 

Finalizando, a pergunta daquele determinado  professor durante o período da graduação permanece, mesmo com o avanço contínuo da ciência da psicologia:  por que alguns comportamentosse mantêm e outros não?  Essa questão intrigante continuará a desafiar os novos  estudiosos da psicologia, que buscarão compreender as  complexidades da mente humana e os fatores que  influenciam a permanência ou a mudança dos nossos  comportamentos. 

Referências: 

1. Araújo, M. R.; Costa, L. S. Perspetivas de atuação e  mercado de trabalho na Psicologia. Revista Brasileira de  Psicologia, v. 35, n. 2, p. 45–60, 2020. 

2. Fernandes, M., et al. Psicologia na saúde: integração  multidisciplinar. Revista Brasileira de Psicologia da Saúde,  v. 13, n. 2, p. 45–60, 2021. 

3. Jung, C. G. Os arquétipos e o inconsciente coletivo.  Vozes, 1961. 

4. Lima, R.; Santos, A. Neurociência e psicologia: avanços e  aplicações clínicas. Revista Neurociência em Foco, v. 7, n.  1, p. 15–23, 2020. 

5. Moreno, J. L. Psychodrama: Volume I: Foundations of  psychodrama, role theory, and sociodrama. Beacon  House, 1946. 

6. Nardi, H. C. Inteligência artificial e o futuro da psicologia.  Psicologia & Sociedade, v. 32, e0123, 2020. 

7. Santos, M.; Oliveira, P. Psicologia clínica no Brasil:  desafios atuais. Psicologia em Estudo, v. 27, n. 3, p. 400– 415, 2022. 

8. Silva, T.; Pereira, L. Psicologia jurídica e justiça social.  Revista de Direito e Psicologia, v. 9, n. 2, p. 89–105, 2021. 

9. Souza, P. R.; Almeida, T. M.; Silva, J. L. Crescimento na  demanda por serviços de Psicologia na era da pandemia  de COVID-19. Revista de Saúde Pública, v. 55, p. 101–110,  2021. 

10. World Health Organization. Mental health and COVID – WHO Publications, 2022.

Adriano Nicolau da Silva, Psicoterapeuta, Neuropsicopedagogo e Neuroeducador. Graduado em Psicologia e Filosofia. Especialista nas áreas de educação e clínica. Uberaba, MG. Colunista do Factótum Cultural. E-mail: adrins@terra.com.br.

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