Resumo 

Este texto visa apresentar o tema da ansiedade e sua  influência na atualidade, discutindo seu impacto no  comportamento humano. A ansiedade, enquanto  fenômeno psicológico e social, tem sido tema de pesquisa  ao longo da história, espelhando as mudanças culturais,  econômicas e tecnológicas da atualidade. A partir da  literatura, o estudo propõe entender o manejo da  ansiedade e sua manifestação na atualidade, ressaltando  os autores, conceitos e discussões que influenciaram o  assunto. 

Palavras-chave: Ansiedade; Tempo Presente; Sintomas de Ansiedade.

1.1. A Evolução do Conceito de  Ansiedade 

Desde os primórdios da civilização, o ser humano  já observava o fenômeno da ansiedade e a conduta  humana. Na história da ansiedade, as pessoas  acreditavam que a enfermidade era uma possessão  demoníaca ou até mesmo uma iluminação mental,  invasão de espíritos ou azar. Eram realizados rituais  terapêuticos visando expulsar a doença do indivíduo que  a apoderou. Foi uma das primeiras ideias mundiais a  apresentar afirmações e pesquisas pertinentes ao seu  tempo sobre doenças e agravos, além de mencionar  outras condições de saúde, como as parasitárias e  infecciosas. 

Assim, eles acreditavam que a doença era um  desequilíbrio na natureza do indivíduo, que se  manifestava por meio dessas percepções. Essas  substâncias, conhecidas como os quatro humores corporais, estão associadas ao coração, baço, fígado e  fleuma, respectivamente. Assim, acreditava-se que a  natureza conseguia influenciar tais aspectos e causar  enfermidades. (Canguilhem, 2009). 

A compreensão da ansiedade atravessou várias  etapas, desde a psicanálise até a psicologia cognitivo comportamental. Freud (1926) foi pioneiro na associação  entre ansiedade e conflitos inconscientes, enquanto  autores como Selye (1936) introduziram a ideia de  estresse como uma reação fisiológica ao perigo  percebido. No contexto do século XXI, escritores como  LeDoux (2015) ressaltam as raízes neurobiológicas da  ansiedade, demonstrando a sua complexidade. 

Destacar os problemas físicos e psicológicos que a  ansiedade excessiva causa no indivíduo é crucial. Certos  indivíduos canalizam a ansiedade para o corpo físico,  enquanto outros percebem as consequências na mente.  Podem ser ressaltados sintomas como taquicardia, boca  seca, dilatação das pupilas, elevação dos batimentos cardíacos, dores nas pernas, falta de concentração, medo,  terror, insônia, irritabilidade, esquecimento, entre outros. Algumas pessoas experimentam um sofrimento exagerado, não podendo trabalhar e estudar  adequadamente. 

2. A Ansiedade na Sociedade  Contemporânea 

Com a chegada do século XXI, a ansiedade emergiu  como um fenômeno social de destaque. Conforme  Bauman (2007), na sociedade líquida, caracterizada pela  rapidez e instabilidade, a ansiedade tornou-se uma  reação habitual às incertezas do mundo contemporâneo. 

Greenberger e Padesky (2015) associam o  crescimento da ansiedade ao ritmo de vida acelerado, às  pressões sociais e às mudanças tecnológicas.  

A ansiedade é um tema recorrente de pesquisas  científicas em áreas da saúde e entender seu efeito no indivíduo, sua organização e funcionamento são questões  importantes que estão se tornando cada vez mais  urgentes de serem esclarecidas. 

É evidente que a ansiedade está presente em  quase todos os ambientes, as pessoas estão  excessivamente preocupadas com sua família, saúde,  trabalho, política e com essa sociedade totalmente  desorientada. Os estímulos mentais perturbam os  indivíduos, causando-lhes pensamentos acelerados e o  temor do desconhecido. E alguns buscam equilíbrio por  meio da oração, psicoterapia ou até mesmo do uso de  medicamentos como ansiolíticos e antidepressivos. 

Segundo Sabongi:  

Nossa mente é diariamente bombardeada com centenas de informações que acabam se avolumando e criando uma teia de assuntos que exigem mais conexões neurais do que podemos suportar. Procure imaginar uma estrada com muitas mãos e vias, todas congestionadas. Existe fluência de tráfego? A resposta é absolutamente não. Imagine agora os nossos neurônios congestionados com milhares de assuntos diariamente, disparando sinais entre si e tentando nos fazer compreender o que é prioritário e o que não é. (SABONGI, 2019, p.346). 

Nos anos recentes, a ciência tem se concentrado  na ansiedade e seus impactos na vida em comunidade.  Aspectos como a dependência de redes sociais, álcool,  tabagismo, drogas ilícitas, medicamentos e a alimentação  industrializada, como o açúcar em excesso, provocando  inflamação, ansiedade e depressão, merecem nossa  atenção. 

Por exemplo, Twenge e colaboradores (2017)  fornecem informações que apontam para um  crescimento nos transtornos de ansiedade entre os  jovens, associando-os ao uso excessivo de aparelhos  digitais. O tempo presente, caracterizado por rápidas  mudanças e incertezas, reforça a sensação de ansiedade. 

Na última década, as redes sociais causaram  mudanças profundas na forma como as pessoas se  comunicam e interagem. No entanto, não está claro se  algumas dessas mudanças podem afetar certos aspectos  do comportamento humano e causar ansiedade. 

Estudos recentes, como os de Kessler et al.  (2012), apontam que fatores como crise econômica,  pandemia de COVID-19 e mudanças climáticas agravam o  quadro de ansiedade global.  

A bibliografia também discute a influência das  redes sociais na amplificação de sentimento de  insegurança e medo, como demonstrado por Pantic (2014). 

A ansiedade é um transtorno psicológico que tem  se tornado cada vez mais prevalente na sociedade  brasileira contemporânea, refletindo as complexidades e  os desafios do contexto atual.  

Segundo dados do Ministério da Saúde (2021), a ansiedade impacta uma grande parte da população,  principalmente entre os jovens e adultos, contribuindo  para o crescimento da procura por serviços de saúde  mental no país. O aumento dos níveis de ansiedade está  ligado a vários fatores, incluindo a crise econômica, formação pessoal (biopsicossocial), a violência nas  cidades, a instabilidade política e a aceleração do estilo de  vida, traços característicos do Brasil atualmente. 

De acordo com Silva et al. (2022), “A ansiedade tem se tornado uma resposta comum às pressões sociais e econômicas enfrentadas pelos brasileiros, muitas vezes agravadas pela pandemia de COVID-19, que intensificou sentimento de insegurança e vulnerabilidade” (p. 45). A pandemia, em particular, desempenhou papel central na exacerbação dos transtornos de ansiedade, como evidenciado por estudos nacionais, que apontam um aumento de até 40% nos diagnósticos em comparação ao período anterior à crise sanitária (Lima & Souza, 2021). 

A ansiedade, além do efeito pessoal, tem um  impacto na “História Pública” do país, seja na cultura, política, lazer, arte, economia, educação, trabalho e nas  relações familiares. Nota-se a escassez de profissionais  qualificados na área da saúde, o acesso restrito a serviços  de saúde mental, o estigma ligado aos problemas  psicológicos e a ausência de políticas públicas efetivas que  complicam a abordagem do problema no Brasil.

Como afirma Carvalho (2020), “a negligência na atenção à saúde mental reflete uma ausência de prioridade governamental, deixando grande parte da população vulnerável às consequências da ansiedade não tratada” (p. 78). 

Assim, entender a ansiedade na sociedade  brasileira atual requer o reconhecimento de suas diversas  causas e efeitos, além da exigência de estratégias  unificadas de prevenção, tratamento e conscientização  social. É fundamental expandir o acesso a serviços de  psicologia, neurologia e psiquiatria, dar ênfase ao cuidado  preventivo e implementar políticas públicas inclusivas  para atenuar os impactos desse desafio na sociedade  brasileira atual. 

3. Conclusão 

Optou-se pelo tema em debate devido à grande  incidência de indivíduos que lidam com os sintomas da  ansiedade. Percebo a relevância de estudar mais  profundamente o tema, debater e considerar sobre opções de tratamento que aliviem o sofrimento mental  da população. Entender a história da ansiedade no  presente, destacando a sua complexidade e a exigência  de estratégias multidisciplinares para lidar com seus  obstáculos. A literatura atual reflete um cenário de  preocupação social e científica em ascensão, enfatizando  a necessidade de pesquisas constantes para fomentar o  bem-estar psicológico na sociedade atual. Assim,  escritores como Hofmann e colaboradores (2012)  ressaltam a efetividade de terapias fundamentadas em  evidências, como a terapia cognitivo-comportamental, no  manejo da ansiedade. 

4. Referências 

1. Carvalho, M. F. (2020). Saúde mental e políticas  públicas no Brasil: uma análise crítica. Ciência & Saúde  Coletiva, 25(1), 75-84. 

2. Bauman, Z. (2007). Liquid Modernity. Polity Press.  

3. Canguilhem, G. (2009). O normal e o patológico (6ªed.). Rio de Janeiro: Forense Universitária. Freud, S.  (1926) Inhibition, Symptoms and Anxiety. Standard  Edition. 

4. Greenberger, D., & Padesky, C. A. (2015). Mind Over  Mood: Change How You Feel by Changing the Way You  Think. Guilford Publications

5. Lima, J. R., & Souza, P. H. (2021). Impacto da pandemia  de COVID-19 na saúde mental dos brasileiros. Psicologia  & Saúde, 13(2), 112-130. 

6. Hofmann, S. G., Asnaani, A., Vonk, I. J., et al. (2012).  The Efficacy of Cognitive Behavioral Therapy: A Review  of Meta-analyses. Cognitive Therapy and Research,  36(5), 427–440. 

7. Ministério da Saúde. (2021). Boletim de Saúde Mental  no Brasil. Brasília: MS. 

8. Silva, R. A., Oliveira, M. T., & Pereira, L. S. (2022).  Ansiedade na sociedade brasileira contemporâneacausas e desafios. Revista Brasileira de Psicologia, 78(1),  44-59. 

9. Kessler, R. C., et al. (2012). The Global Burden of  Anxiety Disorders. Psychological medicine, 42(4), 723– 736. 

10. LeDoux, J. (2015). Anxious: Using the Brain to  Understand and Treat Fear and Anxiety. Viking. Pantic, I.  (2014). Online Social Networking and Mental Health.  Cyberpsychology, Behavior, and Social Networking,  17(10), 652–657. 

11. SABONGI, J. Disciplina da Mente: Seja seu diretor  interior de autogerenciamento. São Paulo: Editora Viseu,  2019. 

12. Selye, H. (1936). A Syndrome Produced by Diverse  Nocuous Agents. Nature, 138(3479), 32. 

13. Twenge, J. M., et al. (2017). Increases in Depression  and Anxiety Among U.S. Adolescents During the COVID 19 Pandemic. Journal of Abnormal Psychology, 130(4),  330–341.

Adriano Nicolau da Silva, Psicoterapeuta, Neuropsicopedagogo e Neuroeducador. Graduado em Psicologia e Filosofia. Especialista nas áreas de educação e clínica. Uberaba, MG. Colunista do Factótum Cultural. E-mail: adrins@terra.com.br.

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