Por Adriano Nicolau da Silva

In Michael Foucault’s view, psychology and philosophy meet in an essential way in the clinic
Resumo
Este artigo tem como propósito enfatizar a relevância do filósofo Michel Foucault e as suas teorias na prática clínica atual. Devido à representação teórica e filosófica, as ideias deste pensador foram priorizadas num assunto que está sendo amplamente discutido e analisado atualmente. Este estudo fundamentou-se em artigos científicos na área da Psicologia que empregam os métodos teóricos e metodológicos do autor. Estes estudos foram divulgados em revistas online, livros e na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS-Psi), enfatizando a ciência da psicologia para a saúde mental e a relevância do ponto de vista filosófico fundamentado em Michel Foucault.
Palavras-chave: Foucault; Psicologia; Clínica.
The purpose of this article is to emphasize the relevance of the philosopher Michel Foucault and his theories in current clinical practice. Due to the theoretical and philosophical representation, the ideas of this thinker were prioritized in a subject that is currently being widely discussed and analyzed. This study was based on scientific articles in the field of Psychology that employ the author’s theoretical and methodological methods. These studies were published in online journals, books and in the Virtual Health Library (VHL-Psi), emphasizing the science of psychology for mental health and the relevance of the philosophical point of view based on Michel Foucault.
Keywords: Foucault; Psychology; Clinic.
1 – Introdução
Como profissional de psicologia clínica desde 1994, decidi apresentar Michel Foucault, um filósofo francês com graduação em psicologia, que realizou pesquisas sobre poder, conhecimento e prática clínica. Em meio ao atual movimento clínico e à ênfase na saúde mental, arrisco-me a apresentar Foucault e a sua experiência como psicólogo em hospitais e prisões, acumulando experiências que moldaram a sua prática e visão na psicologia social, educacional e clínica relevantemente. Exerceu a profissão de professor universitário em nações como Alemanha, Estados Unidos, Suécia, Tunísia e outras. A relação entre psicologia e filosofia, especialmente na perspectiva de Michel Foucault, é um assunto importante, abrangente e complexo podendo contribuir significativamente para a geração de psicólogos na atualidade.
A sua perspectiva crítica sobre a psicologia e a psiquiatria sugere uma interação entre esses dois campos que pode ser considerada crucial, especialmente no contexto clínico. O vínculo do escritor com a Psicologia é evidente em trabalhos como “Doença Mental e Psicologia”, e noto atualmente o surgimento de novos analistas que empregam o referencial teórico e prático, estimulados a questionar a história atual e a criar novos métodos de geração de conhecimento na psicologia.
Segundo Michel Foucault, a realidade clínica pode se apresentar como um ambiente repleto de análises minuciosas que discutem a subjetividade do indivíduo em relação à sociedade. De acordo com ele, é fundamental questionar a psicologia por meio dos seus trabalhos, tais como a história da loucura e o aparecimento da clínica.
A “História da Loucura” também representa um ataque à psiquiatria. Foucault defende que a psiquiatria é uma ferramenta de controle social, e que os diagnósticos de distúrbios mentais são frequentemente utilizados para categorizar e marginalizar indivíduos que são singulares. Ele também defende que a psiquiatria adota uma perspectiva simplificada do indivíduo, considerando a mente como uma máquina que pode ser reparada. Foucault acreditava que o poder era microfísico, vindo do indivíduo para o indivíduo, fomentando uma rede interpessoal que circula e se influencia reciprocamente, formando-se historicamente. Onde há poder, pode haver resistência e a angústia do indivíduo poderia se estender ao seu dia a dia, levando-o a considerar a experiência clínica psicológica de maneira estruturada e imprescindível para o questionamento da própria existência.
O livro “O Nascimento da Clínica” teve um efeito notável na evolução da medicina e da psiquiatria, auxiliando a perspectiva dos médicos sobre a doença e o tratamento, além de contribuir para a formação de uma nova identidade no campo médico.
Foucault questionou as bases da psicologia como uma ciência e as suas implicações sociais. Nas suas obras “História da Loucura” e “O Nascimento da Clínica”, ele analisa como a loucura foi tratada ao longo da história e o impacto das instituições psiquiátricas na percepção do que é considerado normal ou patológico. Foucault argumenta que, tal como outras áreas do conhecimento humano, a psicologia é influenciada por contextos históricos e sociais influenciando as diversas áreas do conhecimento, incluindo a filosofia, a sociologia, a história e a crítica literária.
Uma das suas contribuições mais significativas é a análise de como as instituições sociais, como presídios, hospitais e escolas, afetam a subjetividade e o comportamento humano.
(…) o conjunto de instituições, processos, análises e reflexões,
cálculos e estratégias que possibilitam o exercício dessa forma de poder
bastante específica, embora extremamente complexa, que tem como
principal destinatário a população, como principal meio de conhecimento a
economia política e como instrumento técnico fundamental os dispositivos de segurança (FOUCAULT, 2008b, p.) 143).
Foucault argumentava que o poder não é apenas uma ferramenta de repressão, mas também de produção, manifestando-se em práticas sociais e discursos. Em obras como “Vigiar e Punir” e “A História da Sexualidade”, investiga como a sociedade domina os indivíduos, não apenas por meio da coação, mas também por meio da normatização. Ele apresentou ideias como “biopoder”, que se referem à forma como o poder se infiltra no dia a dia e controla elementos da vida humana e “Arqueologia do Saber”, uma abordagem que procura compreender a formação e transformação dos discursos ao longo da história. Foucault também investigou o conceito de genealogia, uma abordagem histórica que examina as raízes e as condições de possibilidade dos discursos e práticas sociais, expondo as relações de poder que estão por trás. Também questionou as concepções convencionais de verdade e subjetividade, sugerindo que o entendimento por conhecimento é constantemente moldado por contextos históricos e sociais. A sua oposição ao racionalismo ocidental e à procura por verdades universais persiste em discussões atuais sobre poder, identidade e resistência. Nesse sentido, o trabalho de Foucault continua atual, estimulando uma análise crítica de como as estruturas sociais influenciam as nossas vidas e a percepção de nós mesmos.
2 — A clínica enquanto ambiente de interação
A interação entre a psicologia e a filosofia adquire ainda mais relevância no contexto clínico. A clínica não se restringe em ser um espaço para a aplicação de técnicas psicológicas, mas também é um espaço para questionar os conceitos de normalidade e anormalidade. Foucault propõe que a prática clínica deve levar conta o contexto social e cultural do paciente, desafiando a ideia de que a psicologia é uma ciência neutra e imparcial.
3 — A Visão Crítica
Foucault sugere que os especialistas em psicologia e saúde mental devem adotar uma visão crítica acerca das práticas e teorias que aplicam em reconhecer as limitações das filosofias convencionais e estar aberto a novas abordagens para entender a subjetividade e a experiência humana. Neste cenário, a filosofia pode oferecer recursos para avaliar as implicações éticas e políticas das práticas clínicas.
4 — Considerações Finais
O objetivo deste texto foi sintetizar as ideias de um pensador que optou por contribuir para a sua geração através da psicologia e da filosofia. Foucault nos instigou a refletir sobre a doença mental relacionada nos movimentos de poder, na política e na história.
É importante que os novos analistas do comportamento humano entendam este pensador que possuía uma visão holística e que contribuiu significativamente para as perspectivas filosófica e a psicológica clínica. Assim como, a dominação social pode derivar de uma política malévola e dos interesses de uma classe social, marginalizando,
reprimindo os “loucos” da sociedade. A prática clínica não deve se restringir apenas aos elementos epistemológicos, mas também deve contemplar uma reflexão acerca das possibilidades de novas narrativas baseadas em experiências clínicas contemplando o homem que busca uma individualidade apta a desempenhar seu papel como um indivíduo completo e feliz.
5 — Referências
FOUCAULT, Michel. Doença mental e Psicologia. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1975.
FOUCAULT, Michel. Os anormais (1974 – 1975): curso no Collège de France. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
FOUCAULT, Michel. A Psicologia. In: MOTTA, Manoel Barros da (Org.). Problematização do Sujeito: Psicologia, Psiquiatria e Psicanálise. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006a. Coleção Ditos & Escritos, v. 1, p. 133 – 151. FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber (1969). Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2008a.
FOUCAULT, Michel. Nascimento da biopolítica: curso no Collège de France (1978 – 19). São Paulo: Martins Fontes, 2008c.
FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso (1970). São Paulo: Loyola, 2014.
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Adriano Nicolau da Silva, Psicoterapeuta, Neuropsicopedagogo e Neuroeducador. Graduado em Psicologia e Filosofia. Especialista nas áreas de educação e clínica. Uberaba, MG. Colunista do Factótum Cultural. E-mail: adrins@terra.com.br.
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