Por Adriano Nicolau da Silva

A psicoterapia evoluiu de uma visão elitista para uma necessidade essencial. Investir nesse tipo de tratamento é fundamental para gestão de emoções, sentimentos e comportamentos. É importante ressaltar que a psicoterapia não está necessariamente ligada a distúrbios mentais. A oportunidade de vivenciar esse processo sob a supervisão de um psicoterapeuta capacitado permite uma nova interpretação da mente e uma exploração mais profunda do autoconhecimento. Estudos recentes mostram que a saúde mental é influenciada por aspectos biológicos, culturais, sociais, laborais, políticos e psicológicos, todos embasados na ciência. Pesquisadores têm concentrado os seus esforços na investigação das estruturas mentais e, a psicoterapia continua a demonstrar a sua eficácia. Observamos que, nesta nova era, o homem se encontra envolto nos seus próprios pensamentos, tentando escapar das armadilhas criadas por uma incessante busca por satisfação que traga significado à existência.
Nesse contexto, pode se imergir na sua subjetividade, distanciando-se dos relacionamentos humanos e tornando-se solitário numa sociedade competitiva e desprovida de compaixão.
Assim, compreender a nossa própria identidade torna-se um desafio, e a psicoterapia pode se apresentar como um caminho para o autoconhecimento. Esse processo pode oferecer momentos de autodescoberta, ajudando a entender qual é o real propósito da vida e a considerar o ser humano dentro do seu contexto, reconhecendo que o seu sofrimento está ligado às interações com o ambiente ao seu redor, que inclui objetos, espaços e outras pessoas de forma mais ampla.
Qual é a verdadeira função da vida? Observando as respostas obtidas por meio da análise psicoterapêutica, fica evidente que o anseio predominante é manter a integridade mental e física, permitindo a formação de laços emocionais.
A dor emocional causada pelo abandono, uma ameaça presente desde a infância, é abordada no processo terapêutico, onde a família, os amigos e a comunidade ganham importância na busca pelo autoconhecimento, contribuindo para afastar a solidão, a apatia e a indiferença. Indivíduos que se isolam e alimentam conflitos interpessoais tendem a enfrentar problemas psicológicos mais severos. A psicoterapia pode ser um caminho para aprimorar a maneira como lidamos com as diversas fases emocionais que surgem, trazendo benefícios duradouros. A natureza dessa busca é intrínseca ao ser humano, pois existe uma resposta para cada pergunta, e essas respostas são exploradas por novos estudos que visam entender os nossos desejos, necessidades e a percepção da identidade, ajudando-nos a gerir e valorizar o vasto universo de amor que reside em nós.
Em certas ocasiões, estamos plenamente cientes do nosso isolamento, que pode ser fruto de defesas psicológicas ou da necessidade de organizar um “eu” que se encontra em desarmonia. Através da psicoterapia, conseguimos perceber o outro como uma referência para nossa realidade interna e externa, permitindo-nos superar a ansiedade. Isso nos ajuda a reconhecer as nossas habilidades e defesas, além de nos conectarmos com os nossos sentimentos mais profundos e autênticos. A estruturação dos recursos psicológicos para alcançar a liberdade pessoal, fundamentada na ideia de renascimento de um novo “eu” livre e na vivência das virtudes e limitações como um ser humano completo, representa um ato de sabedoria.
Analisando as experiências em práticas psicoterapêuticas, noto que as emoções se manifestam para o paciente de maneira tanto explícita quanto implícita. A incapacidade de aprimorar a leitura emocional pode resultar em distúrbios, em decorrência da interrupção das funções cognitivas, levando à impulsividade, excitação e euforia.
Ao articular as emoções de maneira assertiva, os mecanismos neuronais, quando são ativados, refletem-se nos comportamentos relacionados à locomoção, reprodução e alimentação, bem como nos processos de atenção, memória, aprendizagem, emoção, linguagem e comunicação. Ao verbalizar sobre as emoções positivas ou negativas no processo psicoterapêutico, contribui significativamente para a ativação das memórias. Desde que haja uma intensidade emocional significativa numa determinada experiência, somos capazes de registrá-la na memória e, subsequentemente, de reativá-la.
Na minha perspectiva, percebo que a psicoterapia pode auxiliar o paciente na compreensão mais aprofundada dos estímulos do ambiente externo, bem como dos pensamentos e emoções envolvidos no processamento neurológico, cognitivo e comportamental.
Nesse contexto, a gestão das emoções torna-se mais simplificada diante dos desafios cotidianos. O desencadeamento das emoções contribui de maneira significativa na qualidade de vida; quando a experiência possui um grau suficiente de emoção, somos aptos a registrá-la na nossa memória e a ativá-la posteriormente.
Assim, as emoções fazem parte da evolução da espécie humana e, obviamente, constituindo parte fundamental da aprendizagem. Sem dispor de funções do controle emocional, a história da humanidade seria um caos, e a aprendizagem um drama indescritível.
As emoções tomariam conta das funções cognitivas e os seres humanos só saberiam agir de forma impulsiva, excitável, eufórica, raivosa e destemida. Eis a razão por que o cérebro humano integra inúmeros e complexos processos neuronais de produção e de regulação das respostas emocionais (FONSECA, 2016, p. 35).
Você faz psicoterapia?
Referência
FONSECA, Vítor dá. Importância das emoções na aprendizagem: uma abordagem neuropsicopedagógica. Rev. psicopedag., São Paulo, v. 33, n. 102, p. 365–384, 2016.

Adriano Nicolau da Silva, Psicoterapeuta, Neuropsicopedagogo e Neuroeducador. Graduado em Psicologia e Filosofia. Especialista nas áreas de educação e clínica. Uberaba, MG. Colunista do Factótum Cultural. E-mail: adrins@terra.com.br.
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