Nesse contexto, pode se imergir na sua  subjetividade, distanciando-se dos relacionamentos  humanos e tornando-se solitário numa sociedade  competitiva e desprovida de compaixão.  

Assim, compreender a nossa própria identidade torna-se um desafio, e a psicoterapia pode se apresentar  como um caminho para o autoconhecimento. Esse  processo pode oferecer momentos de autodescoberta,  ajudando a entender qual é o real propósito da vida e a  considerar o ser humano dentro do seu contexto,  reconhecendo que o seu sofrimento está ligado às  interações com o ambiente ao seu redor, que inclui  objetos, espaços e outras pessoas de forma mais ampla.  

Qual é a verdadeira função da vida? Observando  as respostas obtidas por meio da análise psicoterapêutica, fica evidente que o anseio predominante é manter a  integridade mental e física, permitindo a formação de  laços emocionais.  

A dor emocional causada pelo abandono, uma  ameaça presente desde a infância, é abordada no  processo terapêutico, onde a família, os amigos e a  comunidade ganham importância na busca pelo  autoconhecimento, contribuindo para afastar a solidão, a  apatia e a indiferença. Indivíduos que se isolam e  alimentam conflitos interpessoais tendem a enfrentar  problemas psicológicos mais severos. A psicoterapia pode  ser um caminho para aprimorar a maneira como lidamos  com as diversas fases emocionais que surgem, trazendo  benefícios duradouros. A natureza dessa busca é  intrínseca ao ser humano, pois existe uma resposta para  cada pergunta, e essas respostas são exploradas por novos  estudos que visam entender os nossos desejos,  necessidades e a percepção da identidade, ajudando-nos a gerir e valorizar o vasto universo de amor que reside em  nós.  

Em certas ocasiões, estamos plenamente cientes  do nosso isolamento, que pode ser fruto de defesas  psicológicas ou da necessidade de organizar um “eu” que  se encontra em desarmonia. Através da psicoterapia,  conseguimos perceber o outro como uma referência para  nossa realidade interna e externa, permitindo-nos superar  a ansiedade. Isso nos ajuda a reconhecer as nossas  habilidades e defesas, além de nos conectarmos com os  nossos sentimentos mais profundos e autênticos. A  estruturação dos recursos psicológicos para alcançar a  liberdade pessoal, fundamentada na ideia de  renascimento de um novo “eu” livre e na vivência das  virtudes e limitações como um ser humano completo,  representa um ato de sabedoria.  

Analisando as experiências em práticas  psicoterapêuticas, noto que as emoções se manifestam para o paciente de maneira tanto explícita quanto  implícita. A incapacidade de aprimorar a leitura emocional  pode resultar em distúrbios, em decorrência da  interrupção das funções cognitivas, levando à  impulsividade, excitação e euforia.  

Ao articular as emoções de maneira assertiva, os  mecanismos neuronais, quando são ativados, refletem-se  nos comportamentos relacionados à locomoção,  reprodução e alimentação, bem como nos processos de  atenção, memória, aprendizagem, emoção, linguagem e  comunicação. Ao verbalizar sobre as emoções positivas ou  negativas no processo psicoterapêutico, contribui  significativamente para a ativação das memórias. Desde  que haja uma intensidade emocional significativa numa  determinada experiência, somos capazes de registrá-la na  memória e, subsequentemente, de reativá-la.  

Na minha perspectiva, percebo que a psicoterapia  pode auxiliar o paciente na compreensão mais aprofundada dos estímulos do ambiente externo, bem  como dos pensamentos e emoções envolvidos no  processamento neurológico, cognitivo e comportamental. 

Nesse contexto, a gestão das emoções torna-se  mais simplificada diante dos desafios cotidianos. O  desencadeamento das emoções contribui de maneira  significativa na qualidade de vida; quando a experiência  possui um grau suficiente de emoção, somos aptos a  registrá-la na nossa memória e a ativá-la posteriormente. 

Assim, as emoções fazem parte da evolução da  espécie humana e, obviamente, constituindo parte  fundamental da aprendizagem. Sem dispor de funções do  controle emocional, a história da humanidade seria um  caos, e a aprendizagem um drama indescritível. 

As emoções tomariam conta das funções cognitivas e os seres humanos só saberiam agir de forma impulsiva, excitável, eufórica, raivosa e destemida. Eis a razão por que o cérebro humano integra inúmeros e complexos processos neuronais de produção e de regulação das respostas emocionais (FONSECA, 2016, p. 35). 

Você faz psicoterapia?  

Referência 

Adriano Nicolau da Silva, Psicoterapeuta, Neuropsicopedagogo e Neuroeducador. Graduado em Psicologia e Filosofia. Especialista nas áreas de educação e clínica. Uberaba, MG. Colunista do Factótum Cultural. E-mail: adrins@terra.com.br.

Tendência