por Adriano Nicolau da Silva

1. Introdução
Este texto é resultado de uma série de estudos realizados com leituras sobre o tema “Transtornos de Ansiedade”, bem como pela experiência prática adquirida ao longo da convivência com os pacientes, atendendo em consultório de psicologia na vertente Cognitivo Comportamental e ministrando aulas na cidade de Uberaba–MG. O tema “Ansiedade” está ultrapassando as fronteiras acadêmicas e chegando às residências, escolas e empresas, levando conhecimento e informações por meio de formas variadas de comunicação para a população sobre um tema tão relevante para a vida.
Atualmente, a taxa de diagnóstico de transtornos de ansiedade aumentou significativamente, tornando-se uma preocupação no âmbito da saúde mental no Brasil. Dessa forma, surge a preocupação de compreender melhor o fenômeno da ansiedade.
Cabe salientar que a ansiedade é uma característica natural do ser humano, levando os homens às suas responsabilidades, mas, em alguns casos, ela poderá ser excessiva, prejudicando a vida do indivíduo.
Para Barlow (2016) a ansiedade patológica foi definida como:
Uma emoção orientada para o futuro, caracterizada por percepções de incontrolabilidade e imprevisibilidade sobre eventos potencialmente aversivos e um desvio rápido na atenção para o foco de eventos potencialmente perigosos ou para a própria resposta afetiva do indivíduo a esses eventos. (p.104)
Para o autor citado, os transtornos de ansiedade surgem de uma vulnerabilidade pessoal maior, ou seja, o indivíduo, diante de estímulos externos e internos, tem uma visão de si, distorcida, como se estivesse em uma situação de perigo, da qual não tem controle ou é incapaz de lidar. Dessa forma, a pessoa acaba interpretando os eventos ou sinais neutros de forma errada como ameaçadores, acreditando que eles afligem a sua segurança e bem-estar.
Com base na minha experiência clínica, percebo que alguns sinais são ignorados, o que leva tanto o paciente quanto o profissional da saúde mental a interpretações divergentes. A discrepância diagnóstica pode estimular o paciente a apresentar comportamentos de turista em diferentes psicopatologias, o que o torna confuso e angustiado, necessitando de consultas com diversos especialistas em saúde, especialmente quando ocorrem reações psicossomáticas.
A história dos distúrbios de ansiedade no Brasil é rica e complexa, evidenciando uma interação entre fatores sociais, culturais e científicos. Atualmente, a quantidade de dados sobre esses distúrbios é grande e abrange múltiplas fontes, como a literatura científica, que inclui estudos acadêmicos, artigos e teses que tratam da epidemiologia, diagnóstico e tratamento dos transtornos ansiosos no Brasil.
Essas obras são frequentemente encontradas em publicações especializadas em psicologia, psiquiatria e saúde pública. Instituições como o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) disponibilizam dados sobre a prevalência de transtornos ansiosos no Brasil, permitindo uma análise das tendências e da intensidade desses transtornos na população brasileira.
O Brasil tem programas governamentais voltados à saúde mental, como o Sistema Único de Saúde (SUS) e a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que documentam métodos e medidas para lidar com transtornos ansiosos. A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e a Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP) promovem eventos, cursos e publicações que abordam os transtornos ansiosos, contribuindo para a capacitação de profissionais e o aumento da consciência sobre esses assuntos. Há também uma literatura popular nas mídias sociais, como livros, blogs, podcasts e programas de televisão que abordam transtornos ansiosos, fornecendo informações acessíveis ao público e contribuindo para a diminuição do preconceito em relação às condições de saúde mental.
O contexto histórico e cultural do Brasil influencia a percepção e o tratamento de distúrbios de ansiedade. Estudos que examinam como a sociedade brasileira lida com a ansiedade, o preconceito e o acesso ao tratamento são cruciais para compreender o progresso desse campo. O DSM em sua primeira versão agrupava os transtornos de ansiedade em 7 classificações, atualmente o DSM-5 apresenta 11 Classificações para os quadros de ansiedade, sendo elas:
1) Transtorno de Ansiedade de Separação;
2) Mutismo Seletivo;
3) Fobia específica;
4) Transtorno de Ansiedade Social (Fobia Social);
5) Transtorno de Pânico;
6) Agorafobia;
7) Transtorno de Ansiedade Generalizada;
8) Transtorno de Ansiedade Induzido por Substância/Medicamento;
9) transtorno de Ansiedade devido a Outra Condição Médica;
10) Outro Transtorno de Ansiedade Especificado e
11) Transtorno de Ansiedade Não Especificado.
Este estudo procura apresentar de maneira sucinta a relevância dos transtornos ansiosos na área da saúde mental no Brasil, especialmente nas últimas décadas. E, discutir os pressupostos teóricos científicos que envolvem o problema dos transtornos ansiosos na História do Brasil atual. Para isso, apresento algumas informações relevantes. O Brasil é um país com uma grande variedade cultural, e como a ansiedade é percebida e tratada pode variar significativamente entre diferentes grupos. Muitas vezes, crenças acerca da saúde mental refletem preconceitos culturais, o que pode dificultar a identificação e o tratamento de distúrbios ansiosos.
Os transtornos ansiosos no Brasil são caracterizados pela necessidade constante de pesquisa, instrução e assistência adequada para a população afetada por esses problemas. A política de saúde mental no Brasil, desde o modelo manicomial até a reforma psiquiátrica, influenciou como os transtornos ansiosos são abordados. A luta pela desinstitucionalização e pela promoção de cuidados comunitários tem consequências diretas na forma como essas situações são tratadas. Outro aspecto relevante neste estudo é a disparidade social e dificuldades financeiras, além da dificuldade de acesso à saúde. Precisamente em 11 de março de 2020, a COVID-19 foi caracterizada pela OMS como uma pandemia e teve um grande impacto na saúde mental da população brasileira e global. Dados sobre o aumento de ansiedade durante e depois da pandemia podem ser analisados em relação aos níveis de estresse provocados pela crise de saúde pública e suas consequências sociais e econômicas.
2. Acesso ao Tratamento
O acesso aos serviços de saúde mental no Brasil é desigual, com diversas regiões carecendo de profissionais capacitados e recursos adequados. As diretrizes governamentais e a infraestrutura de saúde têm um impacto direto na habilidade de lidar e prevenir distúrbios emocionais. Ter acesso a tratamentos adequados e apoiados por políticas públicas é crucial para compreender os transtornos ansiosos. Informações sobre serviços de saúde mental, terapia e suporte psicológico podem estar relacionadas com as taxas de incidência e os tipos de transtornos ansiosos na população.
2.1 Eventos de Vulnerabilidade
Eventos que causam estresse agudo ou crônico, como desastres naturais, violência urbana e crises familiares, podem ser considerados como fatores que aumentam a vulnerabilidade a transtornos de ansiedade. Dessa forma, a análise desses eventos em um contexto histórico poderá revelar tendências no aumento desses transtornos. Essas conexões lógicas auxiliam na compreensão não apenas dos transtornos ansiosos em si, mas também da maneira como diversos elementos interagem e afetam a saúde mental da população brasileira ao longo do tempo. Analisar essas conexões é crucial para compreender o fenômeno de forma holística e desenvolver intervenções eficientes.
Há uma crescente necessidade de incentivar a educação em saúde mental, tanto nas escolas quanto na sociedade em geral. A compreensão dos transtornos ansiosos e a promoção do bem-estar emocional são cruciais para prevenir e tratar de forma eficaz.
2.2 Influência da Mídia
A representação da saúde mental na mídia pode influenciar as percepções e comportamentos relacionados aos transtornos ansiosos. As campanhas de conscientização e o uso de plataformas digitais têm a capacidade de desestigmatizar essas condições, mas também podem perpetuar estereótipos. Verificar um número maior de material relacionado aos transtornos ansiosos na atualidade é uma grande vantagem para novos pesquisadores.
2.3. Quais são os meios teóricos e conceituais para analisá-lo?
Estudar os transtornos ansiosos na História do Brasil atual requer uma abordagem multidisciplinar, usando diversos recursos técnicos, instrumentos teóricos e conceituais. Diante dessa indagação, sugiro: revisão de literatura através da leitura de livros, revistas, artigos e teses que tratam do tema.
Pesquisas que envolvam informações epidemiológicas, prevalência, entrevistas com os pacientes, especialistas em saúde mental, bem como a hierarquia comportamental, podem ser empregadas como instrumentos de análise.
2.4. Apresentarei a seguir, os transtornos mais comuns conforme o DSM V e suas características comportamentais.
O transtorno de ansiedade generalizada, também conhecido como TAG, é caracterizado por uma preocupação excessiva e generalizada sem motivos claros em situações cotidianas. Já o transtorno de pânico, também conhecido como TP, é caracterizado por uma sensação de medo intenso e repentino seguido de sintomas físicos.
Quem apresenta transtorno de ansiedade social ou fobia social enfrenta dificuldades significativas para se relacionar com outras pessoas. Isso pode se referir desde uma conversa em grupo até a apresentação de um trabalho para a turma num ambiente de ensino.
A agorafobia é o transtorno de ansiedade que surge quando estamos em situações ou lugares sem uma forma fácil de escapar. O transtorno de estresse pós-traumático, também conhecido como TEPT, é caracterizado pelas lembranças recorrentes e intrusivas de um evento que foi extremamente angustiante para o paciente.
O transtorno de estresse agudo difere do transtorno de estresse agudo dos outros tipos de ansiedade, pois geralmente ocorre a partir da vivência ou testemunho de um evento traumático específico. Observando o mutismo seletivo é comum entre crianças, e se caracteriza principalmente pela incapacidade de se comunicar verbalmente em ambientes sociais. Assim, o caso difere da fobia social, ou transtorno de ansiedade social, que costuma se manifestar antes da adolescência ou vida adulta.
Segundo o transtorno de ansiedade de separação, o paciente tem sensações de angústia e desespero ao se afastar de um lugar que considera familiar e agradável. No transtorno de ansiedade induzido por substância pode causar quadros de transtorno de ansiedade. Isso é válido para medicamentos convencionais até substâncias perigosas, como cocaína, heroína, maconha, dentre outras. A fonte é o DSM V Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders ou Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.
3. Psicoterapia
Em alguns casos, a terapia psicológica para indivíduos com transtornos de ansiedade tem sido associada ao tratamento farmacológico. A terapia psicológica tem demonstrado eficácia na diminuição dos sintomas ansiosos e prevenção de recidivas. Entender os estímulos que provocam e aumentar a segurança pessoal e o autoconhecimento do indivíduo para desenvolver estratégias de mudança, aceitação, escolhas e fortalecimento emocional. Nas relações de conexão terapêutica são desenvolvidas habilidades interpessoais no indivíduo que permitam maior resiliência para lidar com as adversidades e aumento das potencialidades, visando que o indivíduo se torne mais envolvido e entre em contato com ambientes que o proporcionem uma vida que vale a pena ser vivida (HAYES et al. 2021).
No tratamento existem diversas terapias, sendo que a abordagem comportamental é a mais utilizada.
As psicoterapias, que são realizadas a partir da interação entre o paciente e o terapeuta, buscam conduzir o paciente a um estado de adaptação maior, envolvendo seus comportamentos e sentimentos, ou seja, restabelecer seu equilíbrio mental. (WAUKE ET AL., 2004. p. 2).
A exposição “in vivo”, na qual o paciente se envolve com o estímulo ansiogênico na realidade, e a exposição “imaginária”, na qual o estímulo ansioso é confrontado através das descrições do terapeuta (HALES ET AL., 2012)
4. Conclusão
Vimos que, com esse estudo, o tema “Transtornos da Ansiedade” se tornou uma preocupação na saúde pública no Brasil. O sofrimento psicológico pode se estender para a dor física e é crucial compreender por meio da ciência a totalidade e singularidade de cada indivíduo que a experimenta.
Devido à epidemia do transtorno ansioso no país, a terapia psicológica e o uso de medicamentos para alguns casos são imprescindíveis. A família tem um papel relevante no tratamento do paciente. Existem diversas abordagens psicoterapêuticas disponíveis e, de fato, as direcionadas ao comportamento demonstraram eficácia nos resultados.
Considerando a relevância do tema em questão, é crucial fazer investigações sistemáticas, que demonstrem as causas, prevenção, tratamento e os efeitos na vida pessoal, familiar, social e profissional do paciente. Considerando isso, sugiro que novos pesquisadores se interessem pelo estudo do tema, “transtornos de ansiedade” e ofereçam aos indivíduos que sofrem, a chance de compreender suas emoções, pensamentos e comportamentos, e se empenharem no tratamento para alcançar a libertação para uma vida repleta de possibilidades.
5. Referências
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais-V. Artmed. 2014.
HALES, Robert E.; YUDOFSKY, Stuart C.; GABBARD, Glen O. Tratado de psiquiatria clínica. Porto Alegre: Artmed, 2012.
STEVEN C.; HAYES, KIRK D. STROSAHL, Kelly G. Wilson. Terapia de Aceitação e Compromisso: o processo e a prática de mudança consciente. 2° edição: Artmed: São Paulo.
WAUKE, Ana Paula T.; COSTA, Rosa Maria EM; CARVALHO, Luis Alfredo V. de. Vesup: O uso de ambientes virtuais no tratamento de fobias urbanas. IX Congresso Brasileiro de Informática em Saúde, Ribeirão Preto, SP, Brasil. 2004. Disponível em: Acesso em: 12 jun. 2015.

Adriano Nicolau da Silva, Psicoterapeuta, Neuropsicopedagogo e Neuroeducador. Graduado em Psicologia e Filosofia. Especialista nas áreas de educação e clínica. Uberaba, MG. Colunista do Factótum Cultural. E-mail: adrins@terra.com.br.
Os artigos publicados, por colunistas e articulistas, são de responsabilidade exclusiva dos autores, não representando, necessariamente, a opinião ou posicionamento do Factótum Cultural.





