1. Introdução  

Este texto é resultado de uma série de estudos realizados com leituras sobre o tema  “Transtornos de Ansiedade”, bem como pela experiência prática adquirida ao longo da  convivência com os pacientes, atendendo em consultório de psicologia na vertente Cognitivo Comportamental e ministrando aulas na cidade de Uberaba–MG. O tema “Ansiedade” está  ultrapassando as fronteiras acadêmicas e chegando às residências, escolas e empresas, levando  conhecimento e informações por meio de formas variadas de comunicação para a população  sobre um tema tão relevante para a vida. 

Atualmente, a taxa de diagnóstico de transtornos de ansiedade aumentou  significativamente, tornando-se uma preocupação no âmbito da saúde mental no Brasil. Dessa  forma, surge a preocupação de compreender melhor o fenômeno da ansiedade.  

Cabe salientar que a ansiedade é uma característica natural do ser humano, levando os  homens às suas responsabilidades, mas, em alguns casos, ela poderá ser excessiva, prejudicando  a vida do indivíduo. 

Para Barlow (2016) a ansiedade patológica foi definida como: 

Uma emoção orientada para o futuro, caracterizada por percepções de  incontrolabilidade e imprevisibilidade sobre eventos potencialmente aversivos e um desvio rápido na atenção para o foco de eventos potencialmente perigosos ou para a própria resposta afetiva do indivíduo a esses eventos. (p.104) 

Para o autor citado, os transtornos de ansiedade surgem de uma vulnerabilidade pessoal maior, ou seja, o indivíduo, diante de estímulos externos e internos, tem uma visão de si,  distorcida, como se estivesse em uma situação de perigo, da qual não tem controle ou é incapaz  de lidar. Dessa forma, a pessoa acaba interpretando os eventos ou sinais neutros de forma errada como ameaçadores, acreditando que eles afligem a sua segurança e bem-estar.

Com base na minha experiência clínica, percebo que alguns sinais são ignorados, o que  leva tanto o paciente quanto o profissional da saúde mental a interpretações divergentes. A  discrepância diagnóstica pode estimular o paciente a apresentar comportamentos de turista em  diferentes psicopatologias, o que o torna confuso e angustiado, necessitando de consultas com  diversos especialistas em saúde, especialmente quando ocorrem reações psicossomáticas. 

A história dos distúrbios de ansiedade no Brasil é rica e complexa, evidenciando uma  interação entre fatores sociais, culturais e científicos. Atualmente, a quantidade de dados sobre  esses distúrbios é grande e abrange múltiplas fontes, como a literatura científica, que inclui  estudos acadêmicos, artigos e teses que tratam da epidemiologia, diagnóstico e tratamento dos  transtornos ansiosos no Brasil. 

Essas obras são frequentemente encontradas em publicações especializadas em  psicologia, psiquiatria e saúde pública. Instituições como o Ministério da Saúde e a Organização  Mundial da Saúde (OMS) disponibilizam dados sobre a prevalência de transtornos ansiosos no  Brasil, permitindo uma análise das tendências e da intensidade desses transtornos na população  brasileira.  

O Brasil tem programas governamentais voltados à saúde mental, como o Sistema Único  de Saúde (SUS) e a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que documentam métodos e medidas  para lidar com transtornos ansiosos. A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e a Sociedade  Brasileira de Psicologia (SBP) promovem eventos, cursos e publicações que abordam os  transtornos ansiosos, contribuindo para a capacitação de profissionais e o aumento da  consciência sobre esses assuntos. Há também uma literatura popular nas mídias sociais, como  livros, blogs, podcasts e programas de televisão que abordam transtornos ansiosos, fornecendo  informações acessíveis ao público e contribuindo para a diminuição do preconceito em relação  às condições de saúde mental.  

O contexto histórico e cultural do Brasil influencia a percepção e o tratamento de  distúrbios de ansiedade. Estudos que examinam como a sociedade brasileira lida com a  ansiedade, o preconceito e o acesso ao tratamento são cruciais para compreender o progresso  desse campo. O DSM em sua primeira versão agrupava os transtornos de ansiedade em 7  classificações, atualmente o DSM-5 apresenta 11 Classificações para os quadros de ansiedade,  sendo elas: 

1) Transtorno de Ansiedade de Separação;

2) Mutismo Seletivo;

3) Fobia específica;

4) Transtorno de Ansiedade Social (Fobia Social);

5) Transtorno de  Pânico;

6) Agorafobia;

7) Transtorno de Ansiedade Generalizada;

8) Transtorno de  Ansiedade Induzido por Substância/Medicamento;

9) transtorno de Ansiedade devido a Outra Condição Médica;

10) Outro Transtorno de Ansiedade Especificado e

11)  Transtorno de Ansiedade Não Especificado. 

Este estudo procura apresentar de maneira sucinta a relevância dos transtornos ansiosos  na área da saúde mental no Brasil, especialmente nas últimas décadas. E, discutir os  pressupostos teóricos científicos que envolvem o problema dos transtornos ansiosos na História  do Brasil atual. Para isso, apresento algumas informações relevantes. O Brasil é um país com  uma grande variedade cultural, e como a ansiedade é percebida e tratada pode variar  significativamente entre diferentes grupos. Muitas vezes, crenças acerca da saúde mental  refletem preconceitos culturais, o que pode dificultar a identificação e o tratamento de distúrbios  ansiosos.  

Os transtornos ansiosos no Brasil são caracterizados pela necessidade constante de  pesquisa, instrução e assistência adequada para a população afetada por esses problemas. A  política de saúde mental no Brasil, desde o modelo manicomial até a reforma psiquiátrica,  influenciou como os transtornos ansiosos são abordados. A luta pela desinstitucionalização e  pela promoção de cuidados comunitários tem consequências diretas na forma como essas  situações são tratadas. Outro aspecto relevante neste estudo é a disparidade social e dificuldades  financeiras, além da dificuldade de acesso à saúde. Precisamente em 11 de março de 2020, a  COVID-19 foi caracterizada pela OMS como uma pandemia e teve um grande impacto na saúde  mental da população brasileira e global. Dados sobre o aumento de ansiedade durante e depois  da pandemia podem ser analisados em relação aos níveis de estresse provocados pela crise de  saúde pública e suas consequências sociais e econômicas. 

2. Acesso ao Tratamento 

O acesso aos serviços de saúde mental no Brasil é desigual, com diversas regiões  carecendo de profissionais capacitados e recursos adequados. As diretrizes governamentais e a  infraestrutura de saúde têm um impacto direto na habilidade de lidar e prevenir distúrbios  emocionais. Ter acesso a tratamentos adequados e apoiados por políticas públicas é crucial para  compreender os transtornos ansiosos. Informações sobre serviços de saúde mental, terapia e  suporte psicológico podem estar relacionadas com as taxas de incidência e os tipos de  transtornos ansiosos na população. 

2.1 Eventos de Vulnerabilidade

Eventos que causam estresse agudo ou crônico, como desastres naturais, violência  urbana e crises familiares, podem ser considerados como fatores que aumentam a  vulnerabilidade a transtornos de ansiedade. Dessa forma, a análise desses eventos em um  contexto histórico poderá revelar tendências no aumento desses transtornos. Essas conexões  lógicas auxiliam na compreensão não apenas dos transtornos ansiosos em si, mas também da  maneira como diversos elementos interagem e afetam a saúde mental da população brasileira  ao longo do tempo. Analisar essas conexões é crucial para compreender o fenômeno de forma  holística e desenvolver intervenções eficientes.  

Há uma crescente necessidade de incentivar a educação em saúde mental, tanto nas escolas quanto na sociedade em geral. A compreensão dos transtornos ansiosos e a promoção  do bem-estar emocional são cruciais para prevenir e tratar de forma eficaz. 

2.2 Influência da Mídia 

A representação da saúde mental na mídia pode influenciar as percepções e  comportamentos relacionados aos transtornos ansiosos. As campanhas de conscientização e o  uso de plataformas digitais têm a capacidade de desestigmatizar essas condições, mas também  podem perpetuar estereótipos. Verificar um número maior de material relacionado aos  transtornos ansiosos na atualidade é uma grande vantagem para novos pesquisadores.  

2.3. Quais são os meios teóricos e conceituais para analisá-lo?  

Estudar os transtornos ansiosos na História do Brasil atual requer uma abordagem  multidisciplinar, usando diversos recursos técnicos, instrumentos teóricos e conceituais. Diante  dessa indagação, sugiro: revisão de literatura através da leitura de livros, revistas, artigos e teses  que tratam do tema.  

Pesquisas que envolvam informações epidemiológicas, prevalência, entrevistas com os  pacientes, especialistas em saúde mental, bem como a hierarquia comportamental, podem ser  empregadas como instrumentos de análise. 

2.4. Apresentarei a seguir, os transtornos mais comuns conforme o  DSM V e suas características comportamentais.

O transtorno de ansiedade generalizada, também conhecido como TAG, é caracterizado  por uma preocupação excessiva e generalizada sem motivos claros em situações cotidianas. Já  o transtorno de pânico, também conhecido como TP, é caracterizado por uma sensação de medo  intenso e repentino seguido de sintomas físicos. 

Quem apresenta transtorno de ansiedade social ou fobia social enfrenta dificuldades  significativas para se relacionar com outras pessoas. Isso pode se referir desde uma conversa  em grupo até a apresentação de um trabalho para a turma num ambiente de ensino.  

A agorafobia é o transtorno de ansiedade que surge quando estamos em situações ou  lugares sem uma forma fácil de escapar. O transtorno de estresse pós-traumático, também  conhecido como TEPT, é caracterizado pelas lembranças recorrentes e intrusivas de um evento  que foi extremamente angustiante para o paciente.  

O transtorno de estresse agudo difere do transtorno de estresse agudo dos outros tipos  de ansiedade, pois geralmente ocorre a partir da vivência ou testemunho de um evento  traumático específico. Observando o mutismo seletivo é comum entre crianças, e se caracteriza  principalmente pela incapacidade de se comunicar verbalmente em ambientes sociais. Assim,  o caso difere da fobia social, ou transtorno de ansiedade social, que costuma se manifestar antes  da adolescência ou vida adulta.  

Segundo o transtorno de ansiedade de separação, o paciente tem sensações de angústia  e desespero ao se afastar de um lugar que considera familiar e agradável. No transtorno de  ansiedade induzido por substância pode causar quadros de transtorno de ansiedade. Isso é válido  para medicamentos convencionais até substâncias perigosas, como cocaína, heroína, maconha,  dentre outras. A fonte é o DSM V Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders ou Manual  Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 

3. Psicoterapia 

Em alguns casos, a terapia psicológica para indivíduos com transtornos de ansiedade tem  sido associada ao tratamento farmacológico. A terapia psicológica tem demonstrado eficácia na  diminuição dos sintomas ansiosos e prevenção de recidivas. Entender os estímulos que provocam e aumentar a segurança pessoal e o autoconhecimento do indivíduo para desenvolver  estratégias de mudança, aceitação, escolhas e fortalecimento emocional. Nas relações de  conexão terapêutica são desenvolvidas habilidades interpessoais no indivíduo que permitam  maior resiliência para lidar com as adversidades e aumento das potencialidades, visando que o indivíduo se torne mais envolvido e entre em contato com ambientes que o proporcionem uma  vida que vale a pena ser vivida (HAYES et al. 2021). 

No tratamento existem diversas terapias, sendo que a abordagem comportamental é a mais  utilizada.  

As psicoterapias, que são realizadas a partir da interação entre o  paciente e o terapeuta, buscam conduzir o paciente a um estado de adaptação maior, envolvendo seus comportamentos e sentimentos, ou seja, restabelecer seu equilíbrio mental. (WAUKE ET AL., 2004. p. 2).  

A exposição “in vivo”, na qual o paciente se envolve com o estímulo ansiogênico na  realidade, e a exposição “imaginária”, na qual o estímulo ansioso é confrontado através das  descrições do terapeuta (HALES ET AL., 2012) 

4. Conclusão 

Vimos que, com esse estudo, o tema “Transtornos da Ansiedade” se tornou uma  preocupação na saúde pública no Brasil. O sofrimento psicológico pode se estender para a dor  física e é crucial compreender por meio da ciência a totalidade e singularidade de cada indivíduo  que a experimenta. 

Devido à epidemia do transtorno ansioso no país, a terapia psicológica e o uso de  medicamentos para alguns casos são imprescindíveis. A família tem um papel relevante no  tratamento do paciente. Existem diversas abordagens psicoterapêuticas disponíveis e, de fato,  as direcionadas ao comportamento demonstraram eficácia nos resultados. 

Considerando a relevância do tema em questão, é crucial fazer investigações  sistemáticas, que demonstrem as causas, prevenção, tratamento e os efeitos na vida pessoal,  familiar, social e profissional do paciente. Considerando isso, sugiro que novos pesquisadores  se interessem pelo estudo do tema, “transtornos de ansiedade” e ofereçam aos indivíduos que  sofrem, a chance de compreender suas emoções, pensamentos e comportamentos, e se  empenharem no tratamento para alcançar a libertação para uma vida repleta de possibilidades. 

5. Referências 

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual Diagnóstico e Estatístico de  Transtornos Mentais-V. Artmed. 2014. 

HALES, Robert E.; YUDOFSKY, Stuart C.; GABBARD, Glen O. Tratado de psiquiatria  clínica. Porto Alegre: Artmed, 2012.  

STEVEN C.; HAYES, KIRK D. STROSAHL, Kelly G. Wilson. Terapia de Aceitação e  Compromisso: o processo e a prática de mudança consciente. 2° edição: Artmed: São Paulo. 

WAUKE, Ana Paula T.; COSTA, Rosa Maria EM; CARVALHO, Luis Alfredo V. de. Vesup:  O uso de ambientes virtuais no tratamento de fobias urbanas. IX Congresso Brasileiro de  Informática em Saúde, Ribeirão Preto, SP, Brasil. 2004. Disponível em: Acesso em: 12 jun.  2015.

Adriano Nicolau da Silva, Psicoterapeuta, Neuropsicopedagogo e Neuroeducador. Graduado em Psicologia e Filosofia. Especialista nas áreas de educação e clínica. Uberaba, MG. Colunista do Factótum Cultural. E-mail: adrins@terra.com.br.

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