Ao buscar inspiração literária no  pensador Boaventura de Sousa Santos, refleti  sobre a subjetividade dos personagens que  inspiram a coragem e narram as suas histórias  pessoais, especialmente as suas angústias e a  preocupação social. São preocupações que  transcendem o tempo mental e cronológico. A  angústia e o desejo são o que regem o ser  humano, já apontava Freud. E como saber se  estou desejoso ou angustiado sem consultar  um analista? O mundo que criamos, repleto de vazios existenciais e com grande  dificuldade para compreender o passado e o  presente com perspectivas preocupantes para  o futuro, nos faz sentir estimulados, como  apontava Skinner. Apesar disso, não devemos  ficar espantados, como afirmava Platão. Será  necessário juntar todas as informações,  conhecimentos e saberes para encontrarmos  o que de melhor nos esperam no futuro? Com  toda a certeza, Albert Einstein responderia  com a seguinte frase: “a imaginação é mais  relevante que o conhecimento”. É possível  encontrarmos nas ciências, as respostas para  a psique humana?  

E, para superar as disparidades sociais,  discriminações, injustiças, descrenças,  desordem e caos, é necessário pensar numa  revolução, como sugerido pelo filósofo Michel  Foucault, visando a desestabilização constante das relações de poder. Qual o poder  devemos nos ater? Os que estão voltados para  a Política, o social, o educacional, o  econômico, o cultural e o ideológico, ou  estamos buscando o poder do agora? Ou seja,  permanecermos conectados na existência do  agora, mesmo que seja necessário desligar o  nosso emocional e o espiritual? 

Estamos no processo de busca entre o  desejo e a angústia, reforçando a teoria de  Pierre Duhem ao defender a ideia da  continuidade do trabalho científico desde o  mundo antigo até hoje.  

A discussão sobre a descrição final da  entidade quântica, conhecida como partícula,  tem sido frequente na área da física quântica.  Sinalizava a ideia do teórico Niels Bohr, essa  dualidade é um paradoxo, ou “o paradoxo da  dualidade”, um dado fundamental ou metafísico da natureza. Esse fenômeno é  percebido na prática ao observarmos que  algumas classes sociais vivem segundo a  necessidade de mudar a realidade. As suas  conquistas pessoais e sociais são evasivas,  efêmeras e reversíveis. À medida que se  conquista uma vitória social, outra classe  privilegiada se junta para tirar os seus direitos  conquistados. Dessa forma, a classe  dominante tenta manter o ciclo repetitivo,  pois são reforçados pela mais-valia, termo  referenciado por Marx, representando o  processo de exploração da mão de obra  assalariada.  

Até que ponto a ansiedade prevaleceu  entre a dualidade do que é “ente” definido por  Heidegger e servir de plateia para as classes  dominantes manterem o poder à custa de  punições emocionais e morais?

Ao pensar no sociólogo Boa Ventura, ele apresenta-nos uma perspectiva dialética, com críticas que questionam o estado regulador de  emancipação. Para ele, um movimento social  aconteceu no século XX, quando o governo  buscou manter a ordem pública,  oportunizando os direitos dos trabalhadores.  Proporcionou um orçamento mínimo para  questões sociais após a revolução industrial  em benefício dos trabalhadores. Essa  armadilha comportamental, provocou uma  atitude no homem de ampliar o presente em  todos os sentidos, esquecer o passado e  contrair o futuro, ignorando as vivências e  experiências da sociedade. 

Para expandir o presente, propôs uma sociologia das ausências; para  contrair o futuro, uma sociologia das emergências. Dada que a imensa  diversidade de experiências sociais  revelada por estes processos não podem ser explicadas adequadamente por uma  teoria geral. Em vez de uma teoria geral,  proponho uma teoria de tradução, capaz de  criar a inteligibilidade mútua entre experiências possíveis e disponíveis (p.  240). 

Sendo assim, o capitalismo surge como  o queridinho, oferecendo os benefícios de uma  liberdade econômica, intervencionista de  políticas públicas. A tensão dialética entre o  estado e a sociedade civil, se apresenta ao  forçar a submissão à soberania e perdeu a sua  liberdade.  

Com base nessa reflexão, quando  elegemos os nossos representantes,  legitimamos as suas ações e os nossos direitos  ficam sujeitos às ações dos estados. Por meio  do direito político, é possível exercer o poder  de votar e se candidatar e o sociólogo Boa  Ventura de Sousa Santos, sustenta não haver justiça social e cognitiva, devido à dissociabilidade da dimensão política e  epistemológica da prática e da teoria. Segundo esse pensador, a ciência e o  saber devem servir à sociedade e os seus  membros, e é necessário pensar numa  harmonia completa do Estado, da cultura e da  sociedade em benefício do homem de bem. 

Algumas nações têm maior influência  nas ideias políticas, e a globalização é  prejudicada por não possuírem força  econômica e política em comparação com  países ricos que propagam sua cultura. O  globalismo é baseado em padrões como  elementos culturais e, a partir daí se estende  para a globalização. Os nossos direitos  humanos podem ser vistos de maneira  específica, tais como cosmopolitismo,  globalização hegemônica ou contra a  globalização.

O cosmopolitismo visto de uma  perspectiva positiva implicando numa postura  proativa em relação às diferenças e um  interesse em discutir a união das  comunidades iguais e pacíficas de cidadãos,  que devem ser capazes de se comunicar além  das fronteiras culturais e sociais, criando uma  solidariedade universalista.  

Sendo assim, o cidadão deveria ter os  seus direitos reconhecidos na sua  comunidade, país e nas fronteiras de um  território. Para Boaventura de Sousa Santos,  todo o conhecimento adquirido pelo cidadão envolve o seu social e isso explica a  importância da discussão sobre o que é  conhecimento científico e, consequentemente,  o que é ciência, afim de se produzir um diálogo  voltado para as necessidades do homem  inserido na sociedade.

“Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta  sozinho: os homens se libertam em comunhão”. Paulo  Freire. 

Referências 

1 – Santos, Boaventura de Sousa, Martins,  Bruno Sena (2018), “Socialismo,  democracia e epistemologias do Sul.  Entrevista com Boaventura de Sousa Santos”,  Revista Crítica de Ciências Sociais, Número  especial, 9-54.  

2 – SANTOS, Boaventura de Sousa (2002).  Para uma sociologia das ausências e uma  sociologia das emergências, Revista  Crítica de Ciências Sociais, 63, 237-280.

Adriano Nicolau da Silva, Psicoterapeuta, Neuropsicopedagogo e Neuroeducador. Graduado em Psicologia e Filosofia. Especialista nas áreas de educação e clínica. Uberaba, MG. Colunista do Factótum Cultural. E-mail: adrins@terra.com.br.

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