Resumo  

A atenção do professor com os processos mentais, afetivos e também com as  emoções, sentimentos, imaginação e percepção na educação integral do aluno. 

Palavras-chave: emoções; aprendizagem; cognição.  

Introdução 

As habilidades emocionais e cognitivas são evidenciadas durante os  procedimentos de aquisição de conhecimento. Os processos cognitivos, como  a memória, podem ser afetados pelo ambiente de estímulo ou estado emocional.  Para melhor compreensão, cito os autores Bower, Monteiro e Gilligan (1978). 

Esses estudiosos usaram a hipnose para despertar em seus alunos  diversas emoções e sentimentos. Após atingir o estado emocional desejado, os  participantes receberam duas listas de palavras revisitadas em um contexto  emocional semelhante ao inicial ou em um contexto diferente.

Como educador e psicoterapeuta, a minha preocupação é a formação  integral do ser humano porque a emoção está ligada aos processos mentais, na  aquisição de conhecimento e na adaptação aos desafios diante das  adversidades demandadas pela neurobiologia e ambiente de estímulo. Existe  uma conexão direta entre as emoções e os processos cognitivos neuronais,  como pode ser demonstrado por exames de ressonância computacional. Até  pouco tempo atrás, a psicologia dependia da filosofia para entender como as  pessoas pensam, aprendem e sentem. Nas ciências cognitivas e neurociências,  a inteligência artificial agora se concentra em modelos que integram a cognição  ao organismo e o ambiente ao cérebro (Damásio, 1994). É crucial destacar que  não se pode ignorar as teorias e práticas emocionais, tais como a  neuropsicologia e a neurociência computacional, na tentativa de compreender  como os processos cognitivos estão relacionados ao funcionamento das  circuitarias neuronais e, em particular, qual a importância de cada neurônio para  o fenômeno global da cognição (Barlow, 1972) A emoção é a responsável pela  condução da cognição, logo, o papel do professor com a sua instrumentalização  é indispensável no processo de aprendizagem. A empatia, o calor humano, o  apoio verbal, bem como a forma de conduzir o ensino, afetando o estudante nos  seus processos mentais e emocionais, são elementos essenciais no repertório  comportamental do professor. 

O ponto de partida do iceberg pode ser o indicador que  

nos ajuda a perceber a importância da qualidade das interações  

interpessoais, da afetividade, do meio ambiente e da orientação do  

professor como fatores que influenciam a motivação dos  

estudantes em relação à aprendizagem”. (Asinelli-Luz;  Hickmann; Hickmann, 2014, p. 158). 

O campo pedagógico, a escolha da metodologia, o envolvimento com os  alunos, merecem a atenção do professor para incentivar as emoções positivas.  Alguns professores demonstram interesse em ministrar uma aula quando  acreditam que ela pode contribuir significativamente para a formação do aluno.  Dessa forma, todos são afetados no âmbito pedagógico, tanto psicológica  quanto cognitivamente, o que facilita o processo de aprendizagem (conforme  mostrado na Figura 1).

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Os professores frequentemente reconhecem problemas emocionais que  afetam a aprendizagem atualmente. As interações emocionais em grupo  auxiliam os estudantes a compreender as suas emoções, tais como tristeza,  melancolia, ansiedade, desgosto, surpresa e temor. Dessa forma, a  aprendizagem é prejudicada em ambientes emocionais, mobilizando habilidades  cognitivas como atenção, memória, percepção e tomada de decisões. É crucial  prestar atenção às práticas educacionais que estão relacionadas à esfera social,  cultural e familiar. A abordagem biopsicossocial justifica a compreensão de como  as emoções influenciam tanto a educação quanto a vida pessoal. Conforme o  entendimento de Freire (1997) “A educação deve ser libertadora, incentivando  os estudantes a desenvolverem o senso crítico e analítico diante das  circunstâncias. Neste cenário, a instrução para o ser humano se divide em dois  momentos: no primeiro, é possível adquirir conhecimento e compreender o  mundo; no segundo, é possível realizar a transformação, libertando-o da  opressão. A educação e a pedagogia são práticas libertadoras e frequentes na  existência humana” (Mello, 2013). A relação professor-aluno saudável é indispensável no ambiente escolar para compreender a ligação das emoções e  cognições, entendendo que o aluno, assim como o professor, são seres  desejosos, com sentimentos e perspectivas de transformação da subjetividade  e do comportamento prático. Ao ter consciência de que o aluno não é apenas  racional ou intelecto, mas, sobretudo, é composto por diversas características,  como: afeto, comportamento, sentimento, emoções positivas e negativas, a ação  se torna consciente para a integração, inovação e transformação de um mundo  repleto de possibilidades.  

Atualmente, há uma grande preocupação com os métodos de ensino,  sejam eles, presenciais ou à distância. A questão é como podemos avaliar a  longo prazo a discrepância entre professores e estudantes por meio das  tecnologias de informação e comunicação. O futuro dar-nos-á uma resposta para  essa pergunta, mas é claro que o ser humano não pode sobreviver sem  aprender. É lógico pensar numa postura que envolva o aluno nos seus processos  mentais e emocionais, ao invés de tentar compreender lhe somente através da  fragmentação do pensamento e da previsibilidade.  

Ao considerar as circunstâncias dos estudantes no contexto educacional,  é pertinente que o professor esteja atento aos aspectos genéticos, às  competências adquiridas de casa, à autoconfiança e à saúde física. A educação  integrada capacitará o estudante para lidar com as adversidades, habilidades,  crenças e sentimentos. Preparar-se para gerir as emoções e as interações  humanas conforme as diversas culturas e as globalizações e instruí-lo sobre a  utilização de inteligência artificial será crucial para o progresso global. 

Considerações finais 

A pesquisa atual analisou a influência do professor na interação entre os  sentimentos e os pensamentos durante o processo de ensino-aprendizagem,  salientando que algumas dificuldades podem estar relacionadas aos  sentimentos e às conexões com os colegas, educadores e relações  interpessoais fora da escola.

Esta revisão apresenta caminhos para assegurar que os estudantes  participem ativamente e de maneira eficiente em sociedades democráticas,  aprimorando suas habilidades pessoais e interpessoais para tomar decisões. 

É possível, assim, criar estratégias de ensino-aprendizagem que levem à  compreensão da relevância da contingência do sujeito para o conhecimento,  conduzida pelo professor. Dessa forma, a oportunidade fica exposta diante da  vida e para o mundo, em que o ser humano poderá escolher os diversos  universos da sua condição humana. 

REFERÊNCIAS 

ASINELLI-LUZ, A.; HICKMANN, A. A.; HICKMANN, G. M. As relações  interpessoais e as dimensões afetivas no processo ensino aprendizagem. Linguagens, Educação e Sociedade, Teresina, v. 19, n. 31, p.  138-167, jul./dez. 2014. 

Damásio, A. R. (1994). Descartes’ error: emotion, reason and the human  brain. New York, NY: Penguin. 

Barlow, H. B. (1972). Single units and sensation: a neuron doctrine for  perceptual psychology? Perception, 1(4), 371-394. 

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática  educativa. 25. ed. São Paulo: Centauro, 1997. 

MELLO, T.; RÚBIO, J. de A. S. A importância da afetividade na relação  professor/aluno no processo de ensino/aprendizagem na Educação  Infantil. Revista Eletrônica Saberes da Educação, São Roque–SP, v. 4, n. 1, p.  1-12, 2013.

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