por Adriano Nicolau da Silva

Resumo
A atenção do professor com os processos mentais, afetivos e também com as emoções, sentimentos, imaginação e percepção na educação integral do aluno.
Palavras-chave: emoções; aprendizagem; cognição.
Introdução
As habilidades emocionais e cognitivas são evidenciadas durante os procedimentos de aquisição de conhecimento. Os processos cognitivos, como a memória, podem ser afetados pelo ambiente de estímulo ou estado emocional. Para melhor compreensão, cito os autores Bower, Monteiro e Gilligan (1978).
Esses estudiosos usaram a hipnose para despertar em seus alunos diversas emoções e sentimentos. Após atingir o estado emocional desejado, os participantes receberam duas listas de palavras revisitadas em um contexto emocional semelhante ao inicial ou em um contexto diferente.
Como educador e psicoterapeuta, a minha preocupação é a formação integral do ser humano porque a emoção está ligada aos processos mentais, na aquisição de conhecimento e na adaptação aos desafios diante das adversidades demandadas pela neurobiologia e ambiente de estímulo. Existe uma conexão direta entre as emoções e os processos cognitivos neuronais, como pode ser demonstrado por exames de ressonância computacional. Até pouco tempo atrás, a psicologia dependia da filosofia para entender como as pessoas pensam, aprendem e sentem. Nas ciências cognitivas e neurociências, a inteligência artificial agora se concentra em modelos que integram a cognição ao organismo e o ambiente ao cérebro (Damásio, 1994). É crucial destacar que não se pode ignorar as teorias e práticas emocionais, tais como a neuropsicologia e a neurociência computacional, na tentativa de compreender como os processos cognitivos estão relacionados ao funcionamento das circuitarias neuronais e, em particular, qual a importância de cada neurônio para o fenômeno global da cognição (Barlow, 1972) A emoção é a responsável pela condução da cognição, logo, o papel do professor com a sua instrumentalização é indispensável no processo de aprendizagem. A empatia, o calor humano, o apoio verbal, bem como a forma de conduzir o ensino, afetando o estudante nos seus processos mentais e emocionais, são elementos essenciais no repertório comportamental do professor.
“O ponto de partida do iceberg pode ser o indicador que
nos ajuda a perceber a importância da qualidade das interações
interpessoais, da afetividade, do meio ambiente e da orientação do
professor como fatores que influenciam a motivação dos
estudantes em relação à aprendizagem”. (Asinelli-Luz; Hickmann; Hickmann, 2014, p. 158).
O campo pedagógico, a escolha da metodologia, o envolvimento com os alunos, merecem a atenção do professor para incentivar as emoções positivas. Alguns professores demonstram interesse em ministrar uma aula quando acreditam que ela pode contribuir significativamente para a formação do aluno. Dessa forma, todos são afetados no âmbito pedagógico, tanto psicológica quanto cognitivamente, o que facilita o processo de aprendizagem (conforme mostrado na Figura 1).
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Os professores frequentemente reconhecem problemas emocionais que afetam a aprendizagem atualmente. As interações emocionais em grupo auxiliam os estudantes a compreender as suas emoções, tais como tristeza, melancolia, ansiedade, desgosto, surpresa e temor. Dessa forma, a aprendizagem é prejudicada em ambientes emocionais, mobilizando habilidades cognitivas como atenção, memória, percepção e tomada de decisões. É crucial prestar atenção às práticas educacionais que estão relacionadas à esfera social, cultural e familiar. A abordagem biopsicossocial justifica a compreensão de como as emoções influenciam tanto a educação quanto a vida pessoal. Conforme o entendimento de Freire (1997) “A educação deve ser libertadora, incentivando os estudantes a desenvolverem o senso crítico e analítico diante das circunstâncias. Neste cenário, a instrução para o ser humano se divide em dois momentos: no primeiro, é possível adquirir conhecimento e compreender o mundo; no segundo, é possível realizar a transformação, libertando-o da opressão. A educação e a pedagogia são práticas libertadoras e frequentes na existência humana” (Mello, 2013). A relação professor-aluno saudável é indispensável no ambiente escolar para compreender a ligação das emoções e cognições, entendendo que o aluno, assim como o professor, são seres desejosos, com sentimentos e perspectivas de transformação da subjetividade e do comportamento prático. Ao ter consciência de que o aluno não é apenas racional ou intelecto, mas, sobretudo, é composto por diversas características, como: afeto, comportamento, sentimento, emoções positivas e negativas, a ação se torna consciente para a integração, inovação e transformação de um mundo repleto de possibilidades.
Atualmente, há uma grande preocupação com os métodos de ensino, sejam eles, presenciais ou à distância. A questão é como podemos avaliar a longo prazo a discrepância entre professores e estudantes por meio das tecnologias de informação e comunicação. O futuro dar-nos-á uma resposta para essa pergunta, mas é claro que o ser humano não pode sobreviver sem aprender. É lógico pensar numa postura que envolva o aluno nos seus processos mentais e emocionais, ao invés de tentar compreender lhe somente através da fragmentação do pensamento e da previsibilidade.
Ao considerar as circunstâncias dos estudantes no contexto educacional, é pertinente que o professor esteja atento aos aspectos genéticos, às competências adquiridas de casa, à autoconfiança e à saúde física. A educação integrada capacitará o estudante para lidar com as adversidades, habilidades, crenças e sentimentos. Preparar-se para gerir as emoções e as interações humanas conforme as diversas culturas e as globalizações e instruí-lo sobre a utilização de inteligência artificial será crucial para o progresso global.
Considerações finais
A pesquisa atual analisou a influência do professor na interação entre os sentimentos e os pensamentos durante o processo de ensino-aprendizagem, salientando que algumas dificuldades podem estar relacionadas aos sentimentos e às conexões com os colegas, educadores e relações interpessoais fora da escola.
Esta revisão apresenta caminhos para assegurar que os estudantes participem ativamente e de maneira eficiente em sociedades democráticas, aprimorando suas habilidades pessoais e interpessoais para tomar decisões.
É possível, assim, criar estratégias de ensino-aprendizagem que levem à compreensão da relevância da contingência do sujeito para o conhecimento, conduzida pelo professor. Dessa forma, a oportunidade fica exposta diante da vida e para o mundo, em que o ser humano poderá escolher os diversos universos da sua condição humana.
REFERÊNCIAS
ASINELLI-LUZ, A.; HICKMANN, A. A.; HICKMANN, G. M. As relações interpessoais e as dimensões afetivas no processo ensino aprendizagem. Linguagens, Educação e Sociedade, Teresina, v. 19, n. 31, p. 138-167, jul./dez. 2014.
Damásio, A. R. (1994). Descartes’ error: emotion, reason and the human brain. New York, NY: Penguin.
Barlow, H. B. (1972). Single units and sensation: a neuron doctrine for perceptual psychology? Perception, 1(4), 371-394.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 25. ed. São Paulo: Centauro, 1997.
MELLO, T.; RÚBIO, J. de A. S. A importância da afetividade na relação professor/aluno no processo de ensino/aprendizagem na Educação Infantil. Revista Eletrônica Saberes da Educação, São Roque–SP, v. 4, n. 1, p. 1-12, 2013.





