por Adriano Nicolau da Silva

A etimologia da palavra estética vem do grego aisthetike, que significa “perceptível pelos sentidos”. Tudo que possa ser agradável e belo pelos sentidos poderá, também, ter ligação com a estética. Podemos nos referir a estética como algo que nos remete a perceber a beleza existente no mundo, obtendo-se a sensação de prazer. O primeiro a pensar sobre a filosofia da estética foi o alemão Alexander Baumgarten (1714 – 1726). É importante destacar que antes deste estudioso, a estética era uma postura ética e abordagens artísticas. Alexander Gottlieb Baumbarten filósofo alemão, lecionava na Universidade de Franfurt, foi fortemente influenciado pela sistematização de Christin Wolff. Alexander atribuiu o termo estética como um conceito que trata do conhecimento sensorial responsável pela apreensão do belo, fundamentada na percepção, nos sentimentos e na imaginação. Com isso, deixou grandes legados nos meios acadêmicos da sua geração, influenciando até mesmo Kant, ao utilizar os seus livros para abordar assuntos como a estética transcendental.
A filosofia se apropriou da estética como um campo de investigação, pretendendo alcançar um tipo específico de conhecimento, captado pelos sentidos. Ela parte da experiência sensorial, isto é, da sensação, da percepção sensível para chegar a um resultado que não apresenta a mesma clareza e distinção da lógica e da matemática, teoria desenvolvida pelo filósofo René Descartes, no século XVII. A relação da estética e moral se encontra na capacidade de o ser humano poder fazer juízos de valor (julgar se a coisa é bonita, feia, boa, ruim, etc.).
Em relação ao juízo estético, conceituamos se algo é belo ou não de acordo com um conceito aceito com a maioria das pessoas, pela satisfação dos sentidos, proporcionando-nos prazer sensível e espiritual.
Existem algumas discussões na filosofia do que é a beleza. Para uns, a beleza é algo que está objetivamente nas coisas, para outros, é apenas um juízo subjetivo, pessoal e intransferível a respeito dos fenômenos.
Para Platão, a beleza existe, é objetiva. Conforme a teoria platônica, a beleza seria uma forma ideal que substituiria por si mesma, como um modelo, no mundo das ideias.
Para Aristóteles, a arte possui um caráter científico e objetivo, diferentemente de Platão que aderia uma postura de preocupação com a finalidade da utilização da contemplação. Platão tinha uma preocupação direcionada para a moral e ética, enquanto Aristóteles interpretava a arte como fenômenos do mundo e com base nisso, poderia ser racionalizada.
Na visão de Kant, entendia que o juízo estético não é guiado pela razão e sim pela faculdade da imaginação. Julgamos aquilo que é belo, o que nos proporciona prazer, o que não é lógico ou racional e sim algo subjetivo e prazeroso. Para ele, “todos os juízos de gosto são singulares”. No seu livro Crítica da Faculdade do Juízo, ele aponta que embora o estético seja subjetivo, há aspectos universais nas percepções estéticas dos indivíduos. Essa expectativa torna-se possível, para Kant, devido ao fundamento do juízo de gosto, que seria a vinculação universal entre o belo e o sentimento de prazer. Portanto, para ele, muitos objetos despertam em abundância de pessoas o mesmo sentimento de prazer e, é possível supor a existência de certa universalidade nos juízos estéticos.
Para o filósofo, David Hume (1711-1776), a beleza não está propriamente nos objetos, mas depende do gosto individual, da maneira como cada pessoa vê e valoriza objeto, ou seja, o juízo do que é ou não belo é subjetivo. Portanto, este gosto estético poderia receber influência da cultura em que se vive.
Segundo o filósofo, alemão Georg W. Friedrich Hegel (1770- 1831) destacou a beleza em perspectiva histórica. Para ele, o mundo é determinado por coisas que seriam consideradas belas e outras não.
Hegel analisou a história da arte, desde a antiguidade até o seu tempo, e demonstrou que a noção de beleza corresponde com o seu tempo e o lugar (construções histórico-sociais). Para ele, a arte não é apenas para sentir prazer, mas de certa forma demonstra a sensibilidade à evolução espiritual do ser humano na história. Para ele, a percepção da beleza é social e depende do desenvolvimento da capacidade do indivíduo, ou seja, ver, ouvir e sentir. Se uma obra consegue isso, ela é bela, segundo Hegel.
No século XVIII Rousseau e Diderot, enfatizaram o aspecto ético da estética. Para Diderot, o objetivo da arte é elevar o espírito, favorecendo o senso moral e o bom gosto.
De acordo com Ortega Y Gasset, a arte é uma interpretação da vida. Para ele, a dinâmica é tão complexa quanto a importância da religião e da ciência para o homem. Os elementos existentes no homem, como a sensibilidade e o poder criativo, são fundamentais na obra de arte para Gasset e a percepção do objeto é importante na maneira como vemos o mundo.
“O prazer estético deve ser inteligente” – José Ortega Y Gasset. Segundo o fundador da psicanálise, Freud, a estética é fundamental, pois, é possível colocarmos o mecanismo de defesa das nossas angústias através da sublimação, desviando a pulsão sexual para alvos não sexuais ou alvos aceitos socialmente. Freud dirigiu-se especialmente as atividades artísticas e intelectuais, alegando que a arte humana é uma característica intrínseca, entre a cisão do homem e outros animais. (Laplanche & Pontalis, 1967/1988). Portanto, a estética nos estudos filosóficos tem sido, ao longo da história, um fator imprescindível na tentativa de explicar o homem quântico, com as suas diversas facetas transcendentais. A estética é necessária para estimular a harmonia e contemplação do belo, fortalecendo a autoestima e o bem-estar das pessoas, ela está interessada em reproduções artísticas humanas, preenchendo uma lacuna no pensamento e na criticidade baseada em fenômenos. Intuição, criatividade e sensibilidade frente à vida é um valor essencial para sentir, emoções e viver com expectativas e qualidade nas nossas tomadas de decisões.
Da Vinci, afirmou que “a lei suprema da arte é a representação do belo”.
O que você considera ser belo na vida de trabalho, social e familiar?
Referências:
CHAUÍ, M. Convite à filosofia. São Paulo: Editora Ática, 2001.
FERNANDES, Marcos Sinésio Pereira e Moraes, Francisco José Dias. Sobre a tradução. In: NIETZSCHE, Friedrich. Vontade de Poder. RJ: Editora Contraponto, 2008. P. 15-20.
Laplanche, J. & Pontalis J.-B. (1988). Vocabulário da psicanálise (P. Tamen, Trad., 10.ª ed.). Martins Fontes. (Trabalho original publicado em 1967).
PEREZ, D. O. Kant e o problema da significação. Curitiba: Editora Champagnat, 2008.
OSBORNE, Harold. Estética e teoria da arte. São Paulo, Cultrix, 1974.
PAREYSON, Luigi. Os problemas da estética. São Paulo, Martins Fontes, 1989. PEIRCE, Charles. Ortega y Gasset, José – Adão no Paraíso e Outros Ensaios de Estética. Cortez Editora. 2002.

Adriano Nicolau da Silva, Psicoterapeuta, Neuropsicopedagogo e Neuroeducador. Graduado em Psicologia e Filosofia. Especialista nas áreas de educação e clínica. Uberaba, MG. E-mail: adrins@terra.com.br. Colunista do Factótum Cultural.
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