Naquele dia, Jean começou a pensar em alternativas que pudessem ajudar com as doenças mentais que atingem, desproporcionalmente, os assalariados em geral. Ele começou a pesquisar como oferecer ajuda para o problema. Jean está muito atento à sua saúde. Perguntas surgem o tempo todo, por que você pensa, por que você sente e por que as pessoas fazem o que fazem,  por tantos anos? Percebeu claramente que a neurociência e a psicologia não conseguem dar as respostas. Jean se interessou pelo assunto depois que Luís, um amigo do trabalho, fez a seguinte  pergunta, quem somos? Mesmo em um esforço filosófico e psicológico,  responder a esta pergunta está longe de ser fácil, então ficou curioso  para ler sobre o processo de autoanálise. 

A jornada interior é um desafio maravilhoso, especialmente ao  perceber os vínculos sutis entre os processos cognitivos que ocorrem na memória e lembrança, assim como a tomada de decisão e acordar  para a vida. 

A autoanálise, exercício que remete a pessoa praticar a  capacidade de identificar emoções, pensamentos e sentimentos,  segundo o psicólogo Howard Gardner, pode ser aprendida em qualquer idade. E sabe-se que as vivências e experiências de ser analisado  contribuem favoravelmente para a autoanálise, disse Skinner,  acreditando que o paciente poderia tornar o analista do seu próprio  comportamento.  

Entre conversas com os colegas, passou a prestar atenção em  múltiplas queixas relacionadas à síndrome burnout, ansiedade  generalizada, síndrome de Estocolmo, depressão, pânico, estresse e despersonalização da personalidade. Jean sugeriu aos colegas que  pensarem sobre a autoanálise, no controle pessoal e na inteligência  intrapessoal.  

A autoanálise contribui para a tomada de consciência das  limitações e potencialidades. Para o exercício da autoanálise torna-se  necessário a conscientização da individuação, termo usado por Yung,  ou do ego consciente e inconsciente atribuído a Freud, ou ainda, pelo  repertório comportamental de Skinner. 

As ações, diante das adversidades, tornam-se mais consistentes em relação à percepção dos acontecimentos na vida profissional. As  defesas psicológicas apresentam-se mais expressivas, transmitindo a  imagem de sabedoria no ambiente de estímulo. Mesmo com múltiplos  projetos mentais e emocionais, a autoconsciência pode explorar o novo  sem perplexidade e a resiliência surge como a habilidade de voltar para  a situação equilibrada, não causando desajustes, como a tensão e o  estresse. Já foi observado que os sentimentos negativos engessam e impedem a visão do lado bom da vida para curtir os momentos agradáveis. O maior desafio do homem é compreender a si mesmo e  como enxerga os fenômenos a sua volta.  

O sofrimento observado por muitos analistas do comportamento  humano é quando a pessoa analisada perde a referência interna, a  motivação e a alegria, causando angústia descontextualizada. 

As pessoas que investem na autoanálise conseguem superar desafios, tornam-se compreensivas e bem-sucedidas no trabalho.  Desenvolvem planos de curto e longo prazo, sem ansiedade e não se  frustram quando as expectativas não são correspondidas.  

Jean percebeu o prazer de quem busca por este investimento e  entendeu que a manutenção se dá pelos resultados de uma vida cheia  de sentido e satisfação. Jean, em conferência para os amigos, reforçou  a tese que o exercício da autoanálise promove a possibilidade de mudança para perceber a situação com leveza, otimismo,  potencializando a compreensão, a tolerância, a complacência e interiorizar a paz, deixando fluir o caminhar com tranquilidade,  acreditando que todos os problemas são lições solucionáveis e cada  amanhecer é um novo encontro com a vida. Essa atitude, estimulada  pela autoanálise, potencializa a percepção e dá cor à vida, retirando a  cor negra e “a cor dar”, conforme a gente imagina e precisa. 

Qual é a cor da sua vida? 

“Algumas pessoas querem que aconteça; outras desejam que  aconteça; outras fazem acontecer.” — Michael Jordan

Adriano Nicolau da Silva, Psicoterapeuta, Neuropsicopedagogo e Neuroeducador. Graduado em Psicologia e Filosofia. Especialista nas áreas de educação e clínica. Uberaba, MG. E-mail: adrins@terra.com.br. Colunista do Factótum Cultural.

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