por Adriano Nicolau da Silva

Naquele dia, Jean começou a pensar em alternativas que pudessem ajudar com as doenças mentais que atingem, desproporcionalmente, os assalariados em geral. Ele começou a pesquisar como oferecer ajuda para o problema. Jean está muito atento à sua saúde. Perguntas surgem o tempo todo, por que você pensa, por que você sente e por que as pessoas fazem o que fazem, por tantos anos? Percebeu claramente que a neurociência e a psicologia não conseguem dar as respostas. Jean se interessou pelo assunto depois que Luís, um amigo do trabalho, fez a seguinte pergunta, quem somos? Mesmo em um esforço filosófico e psicológico, responder a esta pergunta está longe de ser fácil, então ficou curioso para ler sobre o processo de autoanálise.
A jornada interior é um desafio maravilhoso, especialmente ao perceber os vínculos sutis entre os processos cognitivos que ocorrem na memória e lembrança, assim como a tomada de decisão e acordar para a vida.
A autoanálise, exercício que remete a pessoa praticar a capacidade de identificar emoções, pensamentos e sentimentos, segundo o psicólogo Howard Gardner, pode ser aprendida em qualquer idade. E sabe-se que as vivências e experiências de ser analisado contribuem favoravelmente para a autoanálise, disse Skinner, acreditando que o paciente poderia tornar o analista do seu próprio comportamento.
Entre conversas com os colegas, passou a prestar atenção em múltiplas queixas relacionadas à síndrome burnout, ansiedade generalizada, síndrome de Estocolmo, depressão, pânico, estresse e despersonalização da personalidade. Jean sugeriu aos colegas que pensarem sobre a autoanálise, no controle pessoal e na inteligência intrapessoal.
A autoanálise contribui para a tomada de consciência das limitações e potencialidades. Para o exercício da autoanálise torna-se necessário a conscientização da individuação, termo usado por Yung, ou do ego consciente e inconsciente atribuído a Freud, ou ainda, pelo repertório comportamental de Skinner.
As ações, diante das adversidades, tornam-se mais consistentes em relação à percepção dos acontecimentos na vida profissional. As defesas psicológicas apresentam-se mais expressivas, transmitindo a imagem de sabedoria no ambiente de estímulo. Mesmo com múltiplos projetos mentais e emocionais, a autoconsciência pode explorar o novo sem perplexidade e a resiliência surge como a habilidade de voltar para a situação equilibrada, não causando desajustes, como a tensão e o estresse. Já foi observado que os sentimentos negativos engessam e impedem a visão do lado bom da vida para curtir os momentos agradáveis. O maior desafio do homem é compreender a si mesmo e como enxerga os fenômenos a sua volta.
O sofrimento observado por muitos analistas do comportamento humano é quando a pessoa analisada perde a referência interna, a motivação e a alegria, causando angústia descontextualizada.
As pessoas que investem na autoanálise conseguem superar desafios, tornam-se compreensivas e bem-sucedidas no trabalho. Desenvolvem planos de curto e longo prazo, sem ansiedade e não se frustram quando as expectativas não são correspondidas.
Jean percebeu o prazer de quem busca por este investimento e entendeu que a manutenção se dá pelos resultados de uma vida cheia de sentido e satisfação. Jean, em conferência para os amigos, reforçou a tese que o exercício da autoanálise promove a possibilidade de mudança para perceber a situação com leveza, otimismo, potencializando a compreensão, a tolerância, a complacência e interiorizar a paz, deixando fluir o caminhar com tranquilidade, acreditando que todos os problemas são lições solucionáveis e cada amanhecer é um novo encontro com a vida. Essa atitude, estimulada pela autoanálise, potencializa a percepção e dá cor à vida, retirando a cor negra e “a cor dar”, conforme a gente imagina e precisa.
Qual é a cor da sua vida?
“Algumas pessoas querem que aconteça; outras desejam que aconteça; outras fazem acontecer.” — Michael Jordan

Adriano Nicolau da Silva, Psicoterapeuta, Neuropsicopedagogo e Neuroeducador. Graduado em Psicologia e Filosofia. Especialista nas áreas de educação e clínica. Uberaba, MG. E-mail: adrins@terra.com.br. Colunista do Factótum Cultural.
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