por Adriano Nicolau da Silva

A irisina está toda, toda. Quando dá a sua hora, pega o seu material esportivo, seu carro, liga o som e vai à academia. Quando chega, é uma festa só, todos a  cumprimentam com um sorriso largo e já se sentem gratos pela sua presença. A Irisina  está no olhar de todos, uma honra, privilégio e prazer a companhia da Irisina pelos benefícios que ela proporciona. Afinal, quem é Irisina? Esse nome se originou na Grécia representando na mitologia a filha de Taumas e Electra, a Deusa das boas  novas. Ficou bem para a explicação dos benefícios da atividade física liberando a  mensagem química, conduzindo os benefícios ao tecido adiposo e no metabolismo. 

Foi publicado pela Universidade de Harvard na revista científica Nature a descoberta dessa nova molécula secretada pelas células musculares, a Irisina. Tudo  acontece quando estamos em movimento, os músculos liberam essa proteína que  está despertando uma curiosidade enorme entre os cientistas da saúde humana. 

Muitas pessoas estão preocupadas com a estética e aderindo o modismo da  academia, acontece que o culto ao corpo está acima da estética. Existem provas  constatadas pela ciência que a atividade física, a alimentação balanceada com ênfase  na diminuição do açúcar refinado, o sono reparador e o equilíbrio emocional, são  pilares para a qualidade de vida. 

Virou moda, é isso mesmo. Academias lotadas, vendas a mais de materiais  esportivos, bicicletas, tênis, short, camiseta, luvas de todos os modelos e a  preocupação é se apresentar para a sociedade com a barriguinha de “tanquinho” e  atrair os olhares dos admiradores. Não importa se devemos passar horas e horas na  academia, o importante é se apresentar nas redes sociais com o corpo magro e o  sorriso de felicidade. 

E acreditar que toda essa vaidade nos impulsionou a pensar em possibilidades  concretas de saúde biopsicossocial. Comprovadamente os pesquisadores descobriram que a atividade física de forma equilibrada, poderá trazer vários resultados positivos para a saúde, entre eles, destacam-se os hormônios do bem  produzido pelo movimento. Estudos revelam ainda que o exercício físico regularmente  facilita no desenvolvimento das relações humanas, fortalecendo os laços de  amizades, os movimentos psicomotores, equilíbrio corporal, as funções mentais como a tomada de decisão, memória e a autoestima distanciando os problemas típicos  emocionais como a depressão e a ansiedade. 

As pessoas hoje estão vivendo mais, o que não significa viver melhor, o aparato  tecnológico com os exames clínicos mais sofisticados, medicamentos bem indicados  poderiam ser explicações para isso. O importante é entender que a curiosidade do  homem o levou a perceber que a atividade física de forma inteligente, proporciona o  bem-estar emocional, melhorando a saúde, a sobrevida e o poder dos processos  mentais. 

Atualmente nas Instituições de Pesquisas Avançadas em atividade física, tornou-se assunto relevante pela (OMS) Organização Mundial de Saúde ao perceber  que os resultados são favoráveis no alinhamento da prevenção ou do tratamento de  transtornos que causam preocupação generalizada. Especificamente no Brasil,  segundo (OMS) são 18,6 milhões de pessoas ansiosas de todas as idades, a (0PAS)  Organização Pan Americana de Saúde, organizou um relatório para todos os países  apresentando um plano de ação integral de saúde mental 2013-2030. De maneira  resumida, o relatório apresenta o compromisso e o valor da saúde mental de toda a  população. Sensibilizar a reorganização dos familiares, comunidades, instituições  escolares, de trabalho e reforçar a atenção para a atividade física, com a intenção de  estimular a saúde integral de todo cidadão. Cabe aqui ressaltar o papel do educador  físico na orientação do melhor exercício para cada um, respeitando a sua  individualidade. 

Ferreti et al. (2014), alegam que a atividade física melhora significativamente a  qualidade de vida de quem a pratica. Equilíbrio corporal, movimento psicomotor e a  elevação da cognição, tornaram-se evidenciadas.  

Foram observados liberação de alguns hormônios de quem pratica o exercício físico. Entre eles destaca-se a endorfina responsável pela sensação do alívio das dores musculares e do bem-estar. A serotonina ativa a felicidade, as emoções  positivas e estimula as funções cognitivas como, o pensamento, a tomada de decisão,  a memória e a inteligência. A adrenalina prepara o organismo para situações de  acontecimentos inesperados, aumentando o metabolismo e queimando as gorduras  indesejadas.  

Portanto, não se pode ignorar a importância do movimento corporal de qualquer  modalidade e considerar como possibilidade viável a molécula irisina, seus benefícios  ativados pelos músculos no equilíbrio metabólico na saúde mental e física do ser humano. Em se tratando de uma molécula a pouco descoberta, faz se necessário,  maiores investimentos em pesquisa. E quem sabe estaremos próximos de resultados  positivos com a molécula irisina na saúde mental e doenças adquiridas como a diabete e obesidade.  

Referências bibliográficas: 

Arhire, L. I., Mihalache, L., & Covasa, M. (2019). Irisin: A Hope in Understanding and Managing Obesity and Metabolic Syndrome.  

FERRETTI, F.; SILVA, M.R.; BARBOSA, A.C.; MULLER, A. Efeitos de um programa  de exercícios na mobilidade, equilíbrio e cognição de idosos com doença de  Alzheimer, 2014

Adriano Nicolau da Silva, Psicoterapeuta, Neuropsicopedagogo e Neuroeducador. Graduado em Psicologia e Filosofia. Especialista nas áreas de educação e clínica. Uberaba, MG. E-mail: adrins@terra.com.br. Colunista do Factótum Cultural.

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