por Adriano Nicolau da Silva

A inteligência humana é um assunto que chama muito a atenção. Há um  fascínio pelo que é considerado evolução no campo da inteligência. Muitas  vezes, esse atributo aparece na própria família quando alguém sai do padrão racional e consegue pensar ou fazer algo diferente. Em tempos de ambiguidade, turbulência e incerteza, o sábio é convidado para resolver os  problemas. A ciência humana não conceitua prontamente a inteligência. O homem é inerentemente complexo, e entender sua interpretação de certos  fenômenos não é uma tarefa fácil. 

A capacidade de prever, criar e resolver problemas decorre de uma mente diferenciada capaz de resolver situações difíceis de forma natural e  espontânea. Vale ressaltar que quanto mais interessado estiver em um problema, mais rápido poderá resolvê-lo. O desafio mental dessa situação, para quem é inteligente, representa a força motriz para continuar o comportamento. Isso pode explicar a atitude das pessoas bem-sucedidas quando perdem o interesse pelo trabalho e buscam outro emprego que as desafie. Ao longo da  história da humanidade, encontramos diversos conceitos relacionados à  inteligência. Pessoas com essa habilidade eram consideradas boas em  retórica, como os filósofos, que faziam belos discursos nas ágoras, ou pessoas com habilidades de cálculo, que eram capazes de projetar e construir pirâmides  e palácios para os governantes da época. 

Muitos estudiosos do comportamento humano investiram no estudo da  inteligência, e o professor Robert Sternberg se dedicou a explicá-la por meio da teoria triárquica. Em sua pesquisa, ele observou pessoas com certos  talentos e habilidades na comunicação interpessoal. Algumas pessoas têm  fortes habilidades de raciocínio analítico, capazes de perceber eventos e  descrever fenômenos cuidadosamente. Outros, por outro lado, conseguem perceber a realidade com facilidade, são criativos, intuitivos na ação e  conseguem ser proficientes na produção. Eles percebem e visualizam projetos  de grande escala que facilitam a vida de milhares de pessoas e exercem poderosa influência nas atitudes e comportamentos. Outros são pessoas  positivas e pragmáticas que não cultivam um sentimento de superioridade ou  complexo de inferioridade, e usam seus talentos para resolver conflitos  interpessoais, o que atrairá naturalmente a participação ativa de todos no contexto. 

Curiosamente, para Sternberg, esses três pilares intelectuais, análise,  criação e aplicação, podem fazer parte do repertório comportamental de uma pessoa. Essas habilidades psíquicas se adaptam melhor à cultura e ao ambiente em que o indivíduo vive, de modo que sua inteligência flui espontaneamente, direta ou indiretamente, para favorecer a vida dos  envolvidos no grupo. A inteligência humana não está necessariamente  relacionada à formação intelectual acadêmica, mas, o mais importante, é  percebida no cotidiano por meio do insight das informações captadas  (percepção), do conhecimento adquirido e da aplicação do conhecimento no ambiente por meio dos recursos mentais. 

A inteligência humana, segundo a neuropsicologia, poderá ser estimulada  pelos líderes organizacionais, facilitando a aquisição de novas aprendizagens,  reforçando a autogestão emocional, comportamental e potencializando a  automotivação e o autocontrole em situações difíceis. 

Em estudos clínicos, pessoas com inteligência aguçada, conseguem adiar  um projeto pessoal ou de trabalho após uma leitura criteriosa, ao perceberem  que não é adequado não momento. Mesmo diante do adiamento do reforço, não  se sentem entediadas, aborrecidas e frustradas. As experiências e vivências  anteriores dão sustentação aos projetos atuais ou no futuro, que envolvem a si  e os outros no contexto em que estão inseridos. 

Portanto, fica claro que o desenvolvimento é dinâmico, gradual e um  processo de aprendizado contínuo, seja qual for o treinamento intelectual, basta  ter intenção e encontrar os estímulos adequados para o pleno desenvolvimento. Como se percebe, ser inteligente é fator de responsabilidade para assumir  autonomia diante de si e do mundo. 

E você? Como você lida com a inteligência? Você está satisfeito  com a posição voltada para você e o outro? Sua inteligência é capaz de colocar em prática e administrar a ansiedade com sabedoria? Você é capaz de estimular  a inteligência de seus colegas na área de trabalho? 

Sugestão de Referência:  

Sternberg, R. J. (1985). Beyond IQ: A triarchic theory of human intelligence. New  York: Cambridge University Press. Sternberg, R. J. (1985). 

Adriano Nicolau da Silva, Psicoterapeuta, Neuropsicopedagogo e Neuroeducador. Graduado em Psicologia e Filosofia. Especialista nas áreas de educação e clínica. Uberaba, MG. E-mail: adrins@terra.com.br. Colunista do Factótum Cultural.

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