
por Adriano Nicolau da Silva
Resumo
O Transtorno do Pânico infelizmente é um problema que se apresenta na contemporaneidade. As pessoas que vivenciam o transtorno, sofrem de forma acentuada e desproporcional. O transtorno de pânico é conceituado como o medo de sentir medo que se desenvolve para uma percepção de morte iminente. As pessoas que vivenciam o problema, relatam sentir os mais variados sintomas, entre eles são: palpitações ou taquicardia, sudorese, tremores, sensações de falta de ar ou sufocamento, sensação de asfixia, dor ou desconforto torácico, náusea ou desconforto abdominal, sensação de tontura, instabilidade, vertigem ou desmaio, medo de perder o controle ou enlouquecer, medo de morrer, parestesias, calafrios ou ondas de calor, despersonalização e desrealização. Diante de tais sintomas, o paciente acredita que vai morrer ou desmaiar. É importante salientar que algumas pessoas não desenvolvem todos os sintomas citados acima e a terapia mais indicada segundo estudos científicos é a psicoterapia cognitivo comportamental. Com a Psicoterapia Cognitivo-Comportamental as oportunidades de melhora do paciente são consideráveis pelo motivo de oferecer-lhe oportunidades de reestruturar sua forma de pensar o problema assertivamente e estimulando novas possibilidades, reestabelecer o equilíbrio emocional.
Palavras-chave: Ansiedade. Transtorno. Pânico. Psicoterapia.
Abstract
Panic Disorder is unfortunately a problem that presents itself as a serious nowadays. It is known that people who experience the disorder suffer sharply and disproportionately. Panic disorder is conceptualized as fear of fear that develops for a perception of imminent death. People who experience the problem report feeling the most varied symptoms among them are: palpitations or tachycardia, sweating, tremors, sensations of shortness of breath or smothering, feeling of choking, chest pain or discomfort, nausea or abdominal distress, feeling dizzy, instability, dizziness or fainting, fear of losing control or going crazy, fear of dying, paresthesias, chills or hot flashes, depersonalization and derealization. Given these symptoms the patient believes that he will die or faint. It is important to note that some people do not develop any symptoms mentioned above and more therapy prescribed according scientific studies is cognitive behavioral psychotherapy. With Psychotherapy Cognitive Behavioral improves the chances of the patient are considerable for the reason to offer you opportunities to restructure their thinking the problem assertively and stimulating new possibilities restore emotional balance.
Keywords: Anxiety. Disorder. Panic. Psychotherapy.
1 – INTRODUÇÃO
Acessos súbitos de ansiedade acompanhados de sintomas físicos e afetivos: a sensação é tão forte de que vai desmaiar, ter um ataque cardíaco, enlouquecer ou mesmo morrer. Todos esses sintomas estimulam os portadores a vivenciarem sentimentos de incapacidade e insegurança intensa.
A vida atual, com as pessoas em movimento intenso, poderia nos conduzir à premissa de que este acontecimento é natural, no entanto, vamos encontrar na história do homem, relatos de transtorno de angústia em comunidades consideradas tranquilas, independentemente do nível socioeconômico.
Foi por volta de 1980 que o Transtorno de Pânico foi reconhecido como um problema psiquiátrico específico de ansiedade. Até aquela época, os ataques de pânicos eram considerados uma forma de ansiedade de livre variação. As abordagens de tratamento psicoterapêutico eram demoradas e não tinham uma resposta eficaz.
O Transtorno de pânico atinge uma proporção de 2% da população mundial e são as mulheres mais atingidas (Dornelles, 2002). Uma possível explicação poderia ser por fatores hormonais e pelo comportamento aprendido.
Geralmente o transtorno se apresenta na fase adulta, justamente no momento em que a, pessoas se entrega para o mundo do trabalho e geralmente assume responsabilidade com a sua própria família.
Este artigo trata-se de um breve levantamento bibliográfico a respeito desse transtorno que incapacita quem o vivencia. Os transtornos de ansiedade estão cada vez mais presentes na sociedade contemporânea e os tratamentos disponíveis estão entre os mais efetivos. Por essa razão, tratar-se-á aqui do processo de terapia breve na Síndrome de Pânico e da definição deste transtorno de ansiedade, bem como da exposição de alguns conceitos relativos ao assunto, tudo com base numa sucinta revisão teórica e no diálogo entre autores e teóricos reconhecidos.
Não é fácil perceber se uma ansiedade é patológica ou não (HAWTON, 1997). Durante os últimos 20 anos, houve um grande progresso no campo dos estudos neurobiológicos, genéticos, psicofarmacologia e comportamentais.
Existem fortes evidências de hereditariedade e, futuramente, com o conhecimento genético, esta característica estará ainda mais definida. Atualmente há 15% a 25% do transtorno do pânico em familiares de pacientes com quadro de patologia psiquiátrica. Em gêmeos monozigóticos, à taxa de concordância é de 40% (DALGALARONDO, 2008). O suicídio no transtorno do pânico é comparável ao da depressão maior. Alguns autores apresentam que 20% a 40% já atentaram contra suas vidas. De 44% a 60% já tiveram ideias de suicídio. Tudo indica que a explicação para esse fenômeno é consequência do desenvolvimento da depressão (Dornelles, 2002).
O transtorno do Pânico é classificado pelo DSM IV e pela CID 10 nos distúrbios de ansiedade e considerando a pouca informação sobre o assunto, este artigo tem por objetivo expor uma síntese para informar e esclarecer dúvidas aos interessados e estímulo para novas pesquisas (Dornelles, 2002).
2 – TRANSTORNO DE PÂNICO
A ansiedade tem função evolutiva de proteção. É uma reação biológica de resposta ao contexto ambiental, associada à manifestação emocional que em certos limites é necessária ao ser humano. “A ansiedade se torna patológica quando muito intensa ou desproporcional ao estímulo que a originou ou quando surge sem haver um motivo para isso” (SKINNER, 1980; apud SILVA, 2003). Quando a ansiedade é intensa e recorrente pode originar o que se conhece como transtorno de pânico?
Sadock (2007) caracteriza o transtorno de pânico pela ocorrência espontânea e inesperada de ataques de pânico, isto é, períodos distintos de medo intenso ou desconforto que podem variar de vários ataques por dia a apenas poucos por ano. “O ataque tem tempo, em média, de 20 a 30 minutos e raramente mais de uma hora”.
O mesmo autor diz que o primeiro ataque de pânico costuma ser espontâneo, embora muitos possam estar relacionados à excitação, esforço físico, atividade sexual ou trauma emocional moderado.
Silva (2003) afirma que a síndrome do pânico é uma desordem emocional e está entre os problemas mais frequentes na área dos transtornos mentais, derivada das ansiedades. “A síndrome do pânico é produto da aprendizagem que a pessoa pode articular com seu repertório comportamental e as estimulações internas e externas. Existem fortes evidências de hereditariedade”.
É um episódio de medo, uma intensa crise de ansiedade, com
sintomas psíquicos próprios e acompanhados de sinais neurológicos,
gastrointestinais, cardíacos, pulmonares, que frequentemente
simulam doenças orgânicas. O sofrimento psíquico subentende o
medo de morrer, perder a razão e o próprio controle. Pode haver
concomitância ou não com agorafobia. O agorafóbico é incapaz de
fazer qualquer coisa se estiver desacompanhado (SILVA, 2003).
Agorafobia é a aversão a locais ou situações nos quais possa ser difícil (ou embaraçoso) escapar ou onde o auxílio pode não estar disponível caso tenha um ataque de pânico. Os ataques agorafóbicos podem envolver as seguintes situações evitadas: estar fora de casa desacompanhado; estar em meio a uma multidão ou permanecer numa fila; estar em uma ponte; viajar de ônibus, metrô ou automóvel, (VAN, 1966).
De acordo com Sadock (2007, p. 643) os pacientes não podem designar a fonte de seu medo; podem se sentir confusos e problemas em se concentrar. O ataque de pânico também pode revelar ruminação, dificuldade na fala e comprometimento da memória.
O paciente com transtorno de pânico apresenta alteração da percepção com generalizações persecutórias, visão em túnel e abstração seletiva. Faz uma interpretação errônea da realidade, distorcendo as informações extraídas do meio, através dos órgãos sensoriais. Os estímulos aversivos, desorganizam a percepção da pessoa e a leva a um estado de intensa angústia. (SILVA, 2003).
O transtorno de pânico se apresenta “como ataques espontâneos de perigo ou morte iminente, associados a sintomas de hiperatividade autonômica” (NETO; ELKIS, 2007, p. 298). Os sintomas mais facilmente percebidos são palpitações ou taquicardia, sudorese, tremores, sensações de falta de ar ou sufocamento, sensações de asfixia, dor ou desconforto torácico, náusea ou desconforto abdominal, sensação de tontura, instabilidade, vertigem ou desmaio, medo de perder o controle ou enlouquecer, medo de morrer, parestesias (anestesias ou sensações de formigamento), calafrios ou ondas de calor. De acordo com Dalgalarrondo (2006), “nas crises intensas, os pacientes podem experimentar diversos graus da chamada despersonalização”. Esta se revela como sensação de “cabeça leve” e de o corpo ficar estranho; há um estranhamento de si mesmo. “Pode ocorrer também à desrealização (sensação de que o ambiente, antes familiar, parece estranho, diferente, não familiar) ”.
Costa Pereira (1997), citado por Dalgalarrondo (2006) menciona que as crises “são, muitas vezes, desencadeadas por determinadas condições como: aglomerados humanos, ficar preso (ou com dificuldade para sair) em congestionamentos no trânsito, supermercados com muita gente, shopping centers, situações de ameaça, etc.”.
Para Neto e Elkis (2007) a pessoa pode ser acometida pela crise de pânico quando fica apreensiva diante de sensações emocionais e físicas com consequente descarga de adrenalina que intensifica tais sensações e as interpreta negativamente de forma catastrófica irremediável.
As crises de pânico podem ocorrer em qualquer época da vida, sendo mais frequentes no final da adolescência e início da vida adulta. Pessoas com baixa autoestima e pouca autoconfiança julgam que possuem recursos insuficientes para enfrentar seus problemas. Os portadores do transtorno, geralmente se isolam por sentirem-se envergonhados e não conseguirem definir o que sentem. Para Silva (2003) “as pessoas com síndrome do pânico, arriscam ficarem desacreditadas pelos familiares e podem entrar em depressão profunda”. A depressão explica o risco de suicídio e pode ser originada também pela falta de tratamento adequado.
3 – PSICOTERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL
A terapia Cognitivo-Comportamental baseia-se em pressupostos claros em apresentar, aplicar princípios simples, objetivos e bem definidos. Nota-se que a pessoa com o transtorno de pânico torna-se susceptível a desenvolver uma interpretação catastrófica e pensamentos pessimistas dos fenômenos observados e vivenciados. A Psicoterapia Cognitivo Comportamental tem por objetivo auxiliar o paciente a identificar, avaliar e modificar os pensamentos que precipitam e causam desconforto. A postura do psicoterapeuta deverá ser um aspecto importante no processo do tratamento. Empatia, cordialidade, compreensão, afetuosidade e motivação para ajudar são fatores imprescindíveis para quem sofre com o transtorno. De uma forma breve, pretende-se apresentar os benefícios da terapia com estratégias de enfrentamento baseadas em informações que já foram testadas com eficácia comprovada em pacientes com pânico. Percebe-se que com a tomada de consciência, os próprios pacientes procuram os psicólogos, os psiquiatras ou são encaminhados pelos médicos clínicos. É importante salientar que para alguns pacientes o tratamento farmacoterapia é tão importante e eficaz quanto à psicoterapia cognitivo-comportamental. No processo psicoterapêutico, oferecer informações sobre as etapas da terapia ajuda o paciente a perceber o significado do tratamento. Algumas etapas poderão fazer parte para estimular o paciente a se engajar e se motivar:
(1) – Fornecimento de informação ao paciente sobre o modelo cognitivo-comportamental e o ciclo do pânico.
(2) – Identificação das situações evitadas, das sensações corporais, pensamentos automáticos e interpretações errôneas que os acompanham.
(3) – Elaboração de uma lista hierárquica de situações que o indivíduo tem receio de enfrentar.
(4) – Treino de respiração e relaxamento, exposição interoceptiva.
(5) – Exame, pelo cliente, das interpretações errôneas e estratégias cognitivas para sua correção: exame de evidências, explicações alternativas.
(6) – Decatastrofização de tarefas de casa: identificação dos sintomas, uso das técnicas cognitivas (HAWTON e SALKOVSKIS, 1997). As etapas aqui apresentadas necessitam ser articuladas em uma aplicação psicodinâmica, respeitando sempre a condição individual, psiconeurobiológica e sociológica de cada paciente.
Small (1974) define a terapia breve “como um tratamento em que a extensão, a frequência e a duração da entrevista são determinadas pelo mínimo necessário para se atingir a melhor condição possível para o paciente”. Ela não busca a reconstrução da personalidade, exceto se se considerar que qualquer intervenção dinâmica leva, secundariamente, à sua reestruturação. Sua finalidade é dirigida para o alívio da sintomatologia e fortalecimento dos mecanismos de defesa existentes, procurando desenvolver suficientemente a situação psicodinâmica do indivíduo. O sintoma pode persistir, mas sua importância modificar-se.
O que se pretende com a psicoterapia breve
[…] é fornecer uma intervenção imediata num problema onde
ocorra um distúrbio psicológico de certo nível, de modo a melhorar
os sintomas – não os curar, e sim restabelecer o estado de equilíbrio
anterior, mais eficiente, ou talvez alcançar um estado de equilíbrio
mais permanente. (SMALL, 1974, p. 17)
A psicoterapia cognitivo-comportamental pode ser vista como um procedimento breve, sendo derivada das teorias psicanalíticas e da aprendizagem; com suas próprias técnicas de tratamento e critérios específicos. Enfatiza o desenvolvimento de uma experiência emocional corretiva que visa à reparação de eventos traumáticos passados e conscientiza o paciente da possibilidade de novos pensamentos, sentimentos e comportamentos.
As psicoterapias breves são um componente importante dos
métodos atuais para tratar uma variedade de transtornos mentais.
Abordagens e tratamentos de curto prazo (também chamadas
psicoterapia de tempo limitado) não apenas ajudam as pessoas a
lidarem com problemas e crises atuais, mas também são úteis para
transtornos mentais maiores como os de ansiedade (SADOCK,
2007, p. 990).
Este mesmo autor considera ainda outras variáveis que limitam a terapia breve:
(1) compreensão das forças que desencadeiam o distúrbio;
(2) reconhecimento de alguns dos problemas da personalidade que interferem no melhor ajustamento da vida;
(3) compreensão parcial da origem dessas circunstâncias nas experiências do passado;
(4) nível de conscientização do relacionamento entre os problemas predominantes da personalidade e a doença em questão;
(5) compreensão das medidas que podem contornar as dificuldades atuais do meio. “A psicoterapia breve é um paliativo; em vez de reformular o indivíduo de dentro para fora, ela o ampara de fora para dentro” (SMALL, 1974, p. 18). É um incentivo e conduz a uma verdadeira maturação, implicando numa identificação proveitosa com o terapeuta, associada a um fortalecimento da autoestima e a uma maior tolerância a impulsos anteriormente inaceitáveis.
Requer o estabelecimento de um foco terapêutico, a capacidade de interação emocional, a história de relacionamentos de troca e a capacidade dos pacientes experimentarem e tolerarem ansiedade, culpa, depressão, além da motivação para a mudança e disposição psicológica. É necessária ainda a identificação das situações evitadas pelo paciente, das sensações corporais, dos pensamentos automáticos e das interpretações errôneas.
É importante estimular o paciente a avaliar com clareza suas dificuldades emocionais para tomar consciência e responder às interpretações do estresse do tratamento com mais assertividade. Concentrar-se na determinação do paciente e na exploração de crises para o melhor amadurecimento psicoemocional. Os conflitos interpessoais deverão ser identificados e trabalhados em sessões psicoterapêuticas, encorajando o paciente a estabelecer relacionamentos e a diminuir o isolamento social.
Uma das terapias breves mais utilizadas no tratamento do transtorno do Pânico é a Cognitivo-comportamental. Seu foco principal é oferecer uma resposta positiva, rápida, estruturada, orientada para problemas atuais, utilizando a colaboração ativa entre paciente e terapeuta no tratamento (BECK e ALFORD, 2000).
A psicoterapia cognitivo-comportamental sugere alguns pressupostos básicos para se alcançar os objetivos propostos no tratamento, entre eles, destacamos:
(1) Percepção e experiência em geral são processos ativos que envolvem dados de inspeção e introspecção;
(2) As cognições representam uma síntese de estímulos internos e externos;
(3) Como as pessoas avaliam uma situação costuma ser evidente em suas cognições (pensamentos e imagens visuais);
(4) Tais cognições constituem o fluxo de consciência ou campo fenomenal, que reflete a configuração que se tem de si próprios, de seu mundo, de seu passado e de seu futuro;
(5) Alterações no conteúdo das estruturas cognitivas subjacentes afetam seus estados afetivos e padrões comportamentais;
(6) Com terapia psicológica, os pacientes podem tomar consciência das distorções cognitivas;
(7) A correção dos construtos disfuncionais defeituosos pode levar a melhora clínica (HAWTON e SALKOVSKIS, 1997).
O objetivo principal da terapia cognitiva é enfatizar e alterar as distorções cognitivas que mantém os sintomas. A terapia requer uma explicação completa do relacionamento entre pensamento, afeto e comportamento, bem como a razão para todos os aspectos do tratamento. A abordagem inclui três processos:
(1) Evocação de pensamentos automáticos – também chamados, distorções cognitivas, se interpõem entre eventos externos e reação emocional da pessoa;
(2) testagem de pensamentos automáticos: objetiva encorajar o paciente a rejeitar pensamentos automáticos incorretos ou exagerados após exame cuidadoso;
(3) identificação de pressupostos mal adaptativos: à medida que terapeuta e paciente continuam a identificar pensamentos automáticos, certos padrões passam a se tornar evidentes (HAWTON e SALKOVSKIS, 1997).
Assagioli, (1996) atribui importância quando os indivíduos são encorajados a terem autoconfiança fazendo coisas simples. Segundo o mesmo autor, alguns aspectos são fundamentais para atribuição de tarefas graduais:
1. Definição do problema.
2. Formulação de um projeto com atribuição de tarefas da simples à complexa. Observação imediata e direta pelos pacientes de que conseguem alcançar um objetivo específico. O feedback concreto contínuo fornece uma nova informação corretiva em relação à sua capacidade funcional.
1. Ventilação de dúvidas, reações e depreciações de suas realizações.
3. Encorajamento de avaliação realística acerca do desempenho real.
2. Ênfase no fato de que os pacientes alcançaram objetivos como resultado de seus próprios esforços e habilidades.
3. Planejamento de atribuições novas, complexas, em colaboração com os pacientes. Na psicoterapia breve o terapeuta deve adaptar a técnica à necessidade do paciente, com uma intervenção ativa e diretiva, respeitando sempre os processos de transferência e contratransferência para não desenvolver uma dependência.
Segundo Neto e Elkis (2007), o quadro clínico que o paciente apresenta é complexo, com a participação das seguintes variáveis:
(1) Vulnerabilidade biológica: determinada pela genética;
(2) História de vida e aprendizagem: relacionadas à autoestima e autoconfiança;
(3) Pensamentos negativos: o pensamento catastrófico facilita o desencadear das crises;
(4) Hipervigilância: Interpretação de situações como sendo perigosas;
(5) Hiperventilação: gera descargas do sistema nervoso autonômico;
(6) Pouca discriminação das emoções e sensações corporais;
(7) Ansiedade antecipatória;
(8) Vida familiar: a pessoa perde a autonomia e isso pode comprometer a vida econômica da família, o lazer e gerar todo tipo de conflito.
Ao iniciar o tratamento psicoterápico da pessoa com transtorno de pânico, é necessária a investigação minuciosa de todos esses fatores. A orientação sobre o problema é muito importante, pois a informação facilita a cooperação e traz o alívio. É importante focalizar também as falsas crenças do paciente que o levam a interpretar equivocadamente sensações corporais leves como indicativos iminentes de ataques de pânico, tragédia ou morte. Sendo assim, devem-se incluir explicações de que quando os ataques de pânico ocorrem, são por tempo limitado e não ameaçam a vida.
O terapeuta deve “intermediar a conduta adequada da família com o paciente, tendo em vista que o quadro é de difícil compreensão, sendo atribuídos preconceituosamente à loucura, manipulação, histeria ou fraqueza” (SILVA, 2003).
4 – CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conclui-se que abordagens farmacológicas e psicoterapia cognitivo-comportamental breve (WOLBERG, 1979) comprovaram ser úteis no combate ao transtorno de pânico. A superação do transtorno de pânico é possível através da elaboração das emoções, reorganização dos padrões fisiológicos que originaram o pânico e pela criação de alternativas pessoais mais satisfatórias apresentadas no ambiente de estímulo. Para BECK, 2000, o esquema cognitivo tem por objetivo reunir recursos mentais, organizando o ambiente de estímulos e antecipando a percepção dos fatos. A psicoterapia Cognitivo-Comportamental contribui consideravelmente, para que o paciente possa administrar a sua forma de interpretar, sentir e se realizar nos contatos interpessoais, fortalecendo a sua identidade. Como resultado, a ansiedade e a angústia se dessensibilizam e o paciente resgata sua autoestima, segurança pessoal e retoma para os interesses dos projetos pessoais. Embora o tratamento psicológico e psiquiátrico do transtorno de pânico ser em uma abordagem breve, é importante o acompanhamento dos pacientes a longo prazo.
5 – REFERÊNCIAS
1 – ASSAGIOLI, Roberto. Psicossíntese: manual de princípios e técnicas. Trad. Álvaro Cabral. 3. ed. São Paulo: Cultrix, 1996.
2 – BECK, A. T. & ALFORD, B. A. 2000. O poder integrador da terapia cognitiva. Porto Alegre: Artes Médicas. 3 – DALGALARONDO, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. 2. ed. – Porto Alegre: Artmed, 2008.
3 – DEN BERG, J. H. Van. O Paciente Psiquiátrico: esboço de psicopatologia fenomenológica. Trad. Miguel Maillet. São Paulo: Mestre Jou, 1966.
4 – DSM-IV-TRTM – Manual Diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Trad. Cláudia Dornelles; – 4. Ed. – Porto Alegre: Artmed, 2002.
5 – HAWTON, K.; SALKOVSKIS, P.M.; KIRK, J.; CLARK, D.M. – Terapia cognitivo comportamental para problemas psiquiátricos, um guia prático. Martins Fontes, São Paulo,1997.
6 – LOUZÃ NETO, Mário R; ELKIS, Hélio. Psiquiatria Básica. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2007.
7 – SADOCK, Benjamin James. Compêndio de Psiquiatria: Ciências do comportamento e psiquiatria clínica. 9. ed. – Porto Alegre: Artmed, 2007.
(Tradução Claudia Oliveira Dornelles, Cristina Monteiro, Irinco S. Ortiz, Ronaldo Costa Cataldo).
8 – SILVA, Adriano Nicolau. Terapia Cognitivo-comportamental na Síndrome do Pânico. Uberaba: [s.n.] 2003.
9 – SMALL, Leonard. As Psicoterapias Breves. Trad. Sônia Regina Pacheco Alves. Rio de Janeiro: Imago, 1974.
10 – WOLBERG, Lewis R. Psicoterapia Breve. Trad. Álvaro Cabral. São Paulo: Mestre Jou, 1979.

Adriano Nicolau da Silva, Psicoterapeuta, Neuropsicopedagogo e Neuroeducador. Graduado em Psicologia e Filosofia. Especialista nas áreas de educação e clínica. Uberaba, MG. E-mail: adrins@terra.com.br. Colunista do Factótum Cultural.
Os artigos publicados, por colunistas e articulistas, são de responsabilidade exclusiva dos autores, não representando, necessariamente, a opinião ou posicionamento do Factótum Cultural.





