por Adriano Nicolau da Silva

Resumo  

Este trabalho aborda o tema Neurociência Cognitiva no Trabalho e objetivo é estabelecer uma  correlação da neurociência cognitiva com o comportamento do trabalhador. O presente folder  é resultado de uma pesquisa literária a partir de estudos realizados em uma pós-graduação em  “Neuropsicopedagogia” no Centro Universitário Internacional Signorelli.

Palavras-chave:  Neurociência. Trabalho. Comportamento.  

1 INTRODUÇÃO  

A neurociência cognitiva, sendo um ramo da neurociência relativamente novo, se  encontra especificamente na compreensão dos processos cognitivos de nível superior através  das tecnologias das imagens. (GOSWAMI, 2004). A Neurociência Cognitiva, explica como o  cérebro aprende através dos estímulos recebidos do meio ambiente, processa as informações e  as transformam em repertório comportamental no setor de trabalho. 

Quando os gestores de talentos humanos das Organizações percebem o valor da neurociência cognitiva, o resultado no desempenho profissional passa a ser muito produtivo.  Recrutar e selecionar pessoas com suas identificações na tarefa é fator de menos estresse e  aumento da motivação, isto é relevante para a eficiência e eficácia no dia a dia de trabalho.  Estimular o cérebro a aprender, fazer contatos interpessoais para otimizar a confiança e  fortalecer a autoestima, dar importância ao lazer, atividade física e sensibilizar o trabalhador  para eliminar vícios, como, por exemplo, o álcool, são ações importantíssimas para a  qualidade de vida. Assim, o prazer nas atividades surgirá como processo natural na realidade  de trabalho e nossa identidade se fortalecerá com o sentimento de pertencimento e a  autopercepção no grupo social no qual estamos inseridos.  

A tarefa da neurociência cognitiva é a de fornecer explicações do comportamento em  termos da atividade cerebral, de explicar como milhões de células neurais individuais, no  cérebro, atuam para produzir pensamentos, sentimentos e sensações, no que lhe concerne, elas  são influenciadas por outras pessoas no ambiente de trabalho. (KANDEL; SCHWARTZ;  JESSELL, 1997). Malabou apresenta em seus estudos, como as funções mentais estão  diretamente relacionadas com a história. O cérebro é um trabalho, e nós não sabemos disso.  Nós somos seus sujeitos – autores e produtos a uma só vez – e não sabemos disso. De certa  forma, a fórmula de Marx “os humanos fazem a própria história, mas não sabem que o fazem”  aplica-se precisamente ao nosso contexto e objeto. 

[…] a ponte entre cérebro e história – conceitos tidos como antitéticos por muito tempo – é agora estabelecida com certeza […] O trabalho próprio do cérebro que se  envolve com a história e a experiência individual tem um nome: plasticidade. O que chamamos de historicidade constitutiva do cérebro nada mais é do que sua plasticidade. (Malabou, 2009, pp. 1-2) 

2 A NEUROCIÊNCIA COGNITIVA E O TRABALHO 

A capacidade humana de pensar, tomar decisões, escolher entre fazer ou não, fazer algo, implica em assumir responsabilidade no trabalho. Ao perceber os fenômenos no ambiente e a partir disso, ter uma atitude proativa conseguimos otimizar o nosso maior bem, o  tempo mental, emocional e cronológico. A nossa capacidade de desenvolver sinergia, prazer  pela ação e entender o sentido maior de todos os acontecimentos implica na neuroplasticidade  de adaptação diante das adversidades. Segundo Houze (2012) a cognição é definida como a  capacidade de aquisição de conhecimento; e a consciência é definida como o processo de  cognição ou tomada de conhecimento da própria atividade psíquica. 

Esses circuitos acrescentaram, pouco a pouco, capacidades e habilidades novas na  interação com o meio ambiente. Essa interação “possibilitou o surgimento de comportamentos  sofisticados, além de novos processos mentais” (CONSENZA&GUERRA, 2011, p.16). 

[…] interação com o ambiente é importante porque é ela que confirmará ou induzirá a formação de conexões nervosas, portanto, a aprendizagem ou o aparecimento de novos comportamentos que delas decorrem. Em sua imensa maioria, nossos comportamentos são aprendidos, e não programados pela natureza […] cujo cérebro, embora planejado para desenvolver certas capacidades, necessitará de um aprendizado mesmo para capacidades bem simples. (Idem, p.34).  

Constata-se que o processamento das informações e os conhecimentos  adquiridos no ambiente de trabalho facilitam a aprendizagem. Quanto mais estímulos o  cérebro estabelece contato de forma natural e espontânea, mais a potencialidade  cognitiva se apresentará como consequência de comportamentos assertivos.  

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A neurociência cognitiva contribui para compreendermos como adquirimos  conhecimentos através das estimulações constantes no ambiente de trabalho. Sabe-se  que a mente humana precisa ser explorada com mais pesquisas para ser compreendida  em toda sua potencialidade, facilitando a aplicação da cognição para uma vida com  perspectivas positivas. 

4 REFERÊNCIAS 

CONSEZA, R.M.; GUERRA, L.B. Neurociência e Educação: como o cérebro aprende. Porto  Alegre-RS: Artmed, 2011. 

GOSWAMI, U. Neuroscience and education. British Journal of Educational Psychology, 74,  p. 1-14. 2004.  

HOUZEL, SH. O cérebro nosso de cada dia: descobertas da neurociência sobre a vida  cotidiana. Rio de Janeiro: Vieira & Lent, 2012. 

MALABOU, Catherine. What should we do with our brain? New York: Fordham Univ Press,  2009. 

KANDEL, E. R.; SCHWARTZ, J. H.; JESSELL, T. M. Fundamentos da neurociência e do  comportamento. Rio de Janeiro: Prentice-Hall do Brasil, 1997.

Adriano Nicolau da Silva, Psicólogo e Psicoterapeuta. Graduado em Psicologia e Filosofia. Especialista nas áreas de educação e clínica. Uberaba, MG. E-mail: adrins@terra.com.br. Colunista do Factótum Cultural.

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