por Adriano Nicolau da Silva

O iluminismo surgiu no século XVIII, na Europa, visando iluminar a razão, a  liberdade econômica e política, contra as trevas do antigo regime. Este movimento  promoveu mudanças políticas, econômicas e sociais baseadas nos ideais de liberdade,  igualdade e fraternidade.  

O filósofo John Locke é considerado o pai do Iluminismo. Ele defendeu a  liberdade dos cidadãos e criticou o absolutismo. Pode-se dizer que a sua principal obra  foi Ensaio sobre o entendimento humano, apontando que a mente humana é como uma  tábula rasa sem nenhuma ideia. 

Ler fornece ao espírito materiais para o conhecimento, mas só o pensar faz nosso o que lemos. ” John Locke 

Outro pensador que se destacou no iluminismo foi Jean-Jacques Rousseau.  Afirmava ele que o soberano deveria governar o Estado conforme a vontade do povo e  que apenas o Estado com a democracia teria condições de oferecer igualdade jurídica a  todos os cidadãos. A sua principal obra é “O contrato social”. 

O homem é bom por natureza. É a sociedade que o corrompe. Jean-Jacques Rousseau 

Encontramos, no iluminismo, outro filósofo que se destacou com os seus  pensamentos, Adam Smith. Para ele o Estado é legitimamente poderoso se for rico. Neste  sentido ele afirmava que o Estado necessita investir em atividades econômicas capitalistas  e para isso, a liberdade econômica e política seria para os grupos particulares.  

A riqueza de uma nação se mede pela riqueza do povo e não pela riqueza dos  príncipes. Adam Smith

Encontramos suas ideias na principal obra, A riqueza das nações, afirmava  também que a economia deveria ser conduzida pela liberdade de oferta e procura.  

O Iluminismo foi um movimento de cunho cultural baseado no racionalismo feito  pela elite europeia. Esse movimento tentou romper com a mentalidade medieval e  acreditava na ideologia do progresso. 

Surge uma pensadora revolucionária chamada Hannah Arendt, filósofa e teórica  política contemporânea. Judia nascida na Alemanha, Arendt vivenciou os horrores da perseguição nazista, o que motivou a sua pesquisa sobre o fenômeno do totalitarismo.  Suas principais obras são: As Origens do Totalitarismo, Eichmann em Jerusalém, Entre  o Passado e o Futuro e A Condição Humana

Hannah Arendt foi marcada pela perseguição nazista, razão esta que a levou a  defender politicamente em defesa do que acreditava e, mais do que isso, a estudar a fim de entender o totalitarismo, e entender porque o homem trafegou por caminhos tão  obscuros no século XX. 

Arendt estudou Sócrates, a filosofia prática e moral. Estudou a harmonia pessoal  de Santo Agostinho e entendeu a responsabilidade pessoal em tudo que se propõe a fazer.  De Kant, herdou os conceitos de paz entre as nações. De Heidegger, Arendt estudou a  filosofia que tenta compreender a essência da vida humana. 

Em alguns momentos de sua obra, Arendt pode ser classificada como  uma pensadora liberal, não por defender o liberalismo econômico, mas por defender um  Estado que esteja lá para garantir os direitos e as liberdades individuais e que jamais  permita que a cidadania e os Direitos Humanos sejam afrontados. 

Segundo Hannah Arendt, ao se referir liberdade na antiguidade, existia o labor e  o trabalho. Segundo ela, o labor englobava os homens e as mulheres que utilizava o corpo,  trabalhando no cultivo das plantações, organização e manutenção dos lares, representando  a objetividade e o mecanicismo que visavam a substância. O labor, para a filósofa,  significa limitar as potencialidades criativas do ser humano. Ao contrário no trabalho, o  homem possui a chance de expressar a sua individualidade produtiva, contribuindo  significativamente para a sociedade, com suas fabricações e produções. A filósofa Hannah Arendt (2000) argumenta a correlação da vontade com a liberdade, reforçando o  pensamento que “ao lidarmos com experiências relevantes para a vontade, estamos  lidando com experiências que os homens têm não só entre si, mas também dentro de si mesmos”. Neste sentido, percebe-se claramente o pensamento da filósofa quando se refere  na afirmação que ser livre é privilégio de poucos. Ela salienta um homem otimista,  criativo e desejoso para o novo, para a transformação de um mundo subjetivo e  objetivado, conduzindo o homem à expressão do sentimento de liberdade. 

Na história humana, a liberdade se estendia aos que conseguiam se desvencilhar  do labor e do trabalho para buscarem na ágora grega e conviverem com os seus iguais,  dialogarem sobre a pólis e pensarem em uma vida melhor. Em seguida, na história, o  homem que conseguia construir um grande monumento, como, por exemplo, uma  pirâmide para perpetuar na vida dos homens, era a representação maior de liberdade.  Nesta época, surge um homem chamado Sócrates, muito simples e de família humilde,  filho do labor e faber e vai para o mercado ao encontro do povo para dialogar, discutir,  refletir e elaborar conceitos, dando outro sentido para a liberdade. Surge, então, a era da  filosofia como a expressão maior do pensamento criativo, percepção do meio em que está  vivendo a liberdade.  

Seguindo na história, o conceito de liberdade passou a ser representada pela  contemplação, oração, veneração de um Deus na busca da paz interior, felicidade, fé e  liberdade. 

A questão que surge, então, é quando o ser humano foi feliz para conhecer a  felicidade e, assim, poder desejá-la? Agostinho diz: 

Não me preocupa saber no momento se todos fomos felizes individualmente, ou se naquele homem que pecou por primeiro, e no qual todos morremos, e de quem todos nascemos na infelicidade. O que procuro saber é se a felicidade reside na memória, porque certamente não a amaríamos se não a conhecêssemos.  

Para o pensador, a liberdade e a felicidade se encontram no ser humano na  totalidade universal e não somente no individual. O homem livre é aquele que se entrega  totalmente a Deus, aquele que se entrega para o cuidado com os outros, para a bondade,  a generosidade e a caridade. A bondade na expressão maior de se entregar totalmente a  vida para Deus, seguindo a pregação de Jesus Cristo: – “Siga-me e o que tudo tem, daí  aos pobres”. Neste sentido, o conceito de liberdade se estendeu para uma vida que  extrapola o conceito da física e da matéria, proporcionando uma dissociação da  individualidade para a entrega no sagrado e divino.

Surge na época os pensadores, Lutero, Marx, Descartes, Locke, rejeitando este  conceito de liberdade na santificação, para o encontro da liberdade no trabalho. É no  trabalho que o homem adquire sua liberdade, por meio da produção, riqueza, conforto,  segurança pessoal, familiar e social.  

Por volta de 1780 surge a primeira grande revolução industrial, vindo acontecer a  segunda revolução em meados de 1800 e a grande mudança no surgimento da sociedade  moderna nos anos de 1970 com a revolução tecnológica. A mudança comportamental do  homem passa a ser dedicada com ênfase ao trabalho para obter propriedades, riquezas e  poder de consumir. Percebe-se que a partir dos anos de 1600 até os anos 2000,  considerado a era da modernidade, o homem investiu em adquirir a sua felicidade e  liberdade nos objetos de desejo de consumo. O materialismo tomou conta de um homem  utilitarista e consumista para satisfazer as suas necessidades de acumulação.  

Neste sentido, o pensamento político passou a ser uma conveniência enorme para  quem exerce o poder na busca de satisfazer os interesses da minoria da sociedade. 

Com este pensamento, o homem esqueceu da sua subjetividade virtuosa em  detrimento do existir de forma fútil, vazia e sem sentido. O desrespeito com o meio  ambiente ficou evidenciado e a economia totalmente direcionada para os interesses de  exploração de poder, destruindo o próprio homem ao entrar em um reducionismo  perceptivo, para o que representa a essência de ser Homem. Com o abandono da  inteligência intrapessoal, o homem passou a ser explorado pelo consumismo desenfreado,  na busca de uma satisfação imediata na aquisição de uma tecnologia que lhe proporcione  uma recreação momentânea e superficial como, por exemplo: jogar, venerar artistas, ir ao  cinema, assistir televisão, etc. 

A insatisfação humana, diante desse caos, estimula o homem a entrar no campo  da pós-modernidade, oferecendo-lhe uma possibilidade de transformação para a  mudança. A física e a mecânica quântica oferecem ao homem refletir uma nova existência  (consciência) humana. Neste ponto citarei a filósofa Hannah Arendt quando argumenta  seu conceito principal: O pluralismo político na igualdade e liberdade, com respeito aos  traços psicológicos de cada indivíduo com vistas sempre na inclusão pessoal e social. Em  uma das suas frases famosas ela diz o seguinte: 

“O revolucionário mais radical se torna um conservador no dia seguinte à revolução”.

Portanto, nota-se que em alguns momentos de sua obra, Arendt pode ser  classificada como uma pensadora liberal, não por defender o liberalismo econômico, mas  por defender um Estado que esteja lá para garantir os direitos e as liberdades individuais  e que jamais permita que a cidadania e os Direitos Humanos sejam afrontados. 

Segundo a pensadora Arendt, encontramos a liberdade política e social nas  atitudes das pessoas em sociedade, assim tornam-se livres para escolher como viver.  Neste sentido, a vida passa ser o grande desafio para o homem extrapolar tudo que já  experimentou e vivenciou até agora, A condição humana, com o avanço da tecnologia o  anseio é vislumbrar uma atitude de sair dos condicionamentos operantes (hábitos) e  respondentes (hábitos fisiológicos) e poder sair da terra, a produção do nascimento em  proveta e o desejo de viver além dos 100 anos ou até infinitamente. 

Hannah contribui com a sua filosofia otimista ao acreditar que o homem poderá  tomar consciência de suas aptidões, potências pessoais e profissionais, características de  personalidade e possibilidades de encontrar uma prática de ser livre e feliz. 

Referências Bibliográficas

Arendt, Hannah. O que é a Liberdade? In: H. Arendt. Entre o passado e o futuro. São  Paulo: Perspectiva. 2000. 

ARENDT, H. Agostinho, o primeiro filósofo da vontade. In: A vida do espírito: o  pensar, o querer, o julgar. Trad. Cesar Augusto R. de Almeida [et al.]. Rio de Janeiro:  Civilização Brasileira, 2008, p. 347-374.

Adriano Nicolau da Silva, Psicólogo e Psicoterapeuta. Graduado em Psicologia e Filosofia. Especialista nas áreas de educação e clínica. Uberaba, MG. E-mail: adrins@terra.com.br.

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