Há um tempo, estive pensando sobre o ano de 2020 e como, àquela época, eu me sentia cansado e sem inspiração. 

As intermináveis “lives”, o isolamento social e o medo da doença e da morte minaram nossas energias.

Algum tempo se passou e entramos no que uns chamaram de “novo normal”, outros, de “pós-normal”. 

Fato é que não há como definir “o que é normal” em um contexto de mudanças intermitentes. Sem falar nas especificidades de cada indivíduo.

O que podemos considerar é que muita coisa mudou. O que mudou na sua vida, Neemias?

No ambiente profissional, temos uma nova forma de operar, impulsionada forçosamente pela pandemia, mas que permaneceu, pois já era uma tendência há alguns anos: o modelo de trabalho híbrido. 

Ele veio com muitos bônus. Mas também ônus, sendo um deles a redução das fronteiras entre o lazer e o trabalho. 

Há quem trabalhe no quarto – local reservado para o descanso – e na sala – lugar de comer, conversar, estar com as pessoas que amamos.

A flexibilidade do modelo remoto leva muitas pessoas a caminhos mais perversos e que já se desenhavam antes, como ter 8 horas de trabalho diárias como o mínimo (e não o máximo) de horas trabalhadas. 

Em qual caminho você está, Leitor?

Além de todas as tarefas e reuniões, somos demandados incessantemente pelo celular.

Vivemos entre estímulo e recompensa de forma irrefreada.

Será que nos acostumamos com o cansaço?

Estudos mostram que é durante o sono que muito em nosso corpo se realiza: produzimos coisas ótimas dormindo. Dormir não é perda de tempo. Pelo contrário, é fundamental, natural. 

Byung-Chul Han, no livro “A Sociedade do Cansaço”, compara a exaustão atual a uma epidemia.

No mundo do século passado – de certa forma, menos volátil do que o atual -, as epidemias eram virais. Mas o filósofo e escritor sul-coreano traz a perspectiva de que, neste século, as epidemias são neurais

Han não previu a Covid-19. Porém, isso não invalida seu argumento.

Pesquisas realizadas na Inglaterra e na França, na primeira década dos anos 2000, já relacionavam a falta de descanso e sono com o desenvolvimento de doenças, maus hábitos (como o tabagismo) e prejuízo ao desenvolvimento fetal. 

Se antes, como descreveu Foucault, vivíamos a sociedade da disciplina e nossos corpos obedeciam a sinais para entrar e sair de fábricas, atualmente vivemos, segundo o Han, uma cultura do cansaço.

Como sair dessa situação?

O antídoto não seria manter a positividade. Pelo contrário, consiste em dizer não.

Baixar o celular, desligar do virtual, não aceitar, não ver, não produzir. Descansar, contemplar, trabalhar para viver e não o contrário. 

Você aceitaria essa vida atualmente, Leitor?

Será que estamos tão acostumados com o cansaço que passamos a amá-lo sem medidas? 

 Despendemos horas escolhendo um filme e acabamos não assistindo a nenhum.

Dedicamos parte do nosso dia curtindo e comentando postagens de amigos e familiares nas redes (e até de pessoas com quem nem temos um vínculo afetivo).

Grupos de política querem nossa opinião o tempo todo. No trabalho, surgem mil demandas, todas urgentes, para ontem…

Onde isso tudo vai parar?

No 3° episódio da nova série Profissionais do Futuro, o professor Leandro Karnal reflete sobre o novo modelo de trabalho que emergiu nos últimos anos. 

Karnal analisa também como essas novas relações de trabalho influenciam nossa rotina pessoal e afetam diretamente a saúde mental.

Assista ao vídeo completo:

Um grande abraço!

LK e Equipe K.

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