Por Illyana Magalhães

Esse texto demandou muito amadurecimento em minha mente até ser novamente pensado, escrito, reescrito e publicado. Ultimamente tenho dado mais vazão aos meus pensamentos quando eles podem ser úteis a alguém e não apenas quando eu desejo escrever. Afinal, a que motivo servem as minhas palavras se não auxiliar o próximo? Não vejo motivo algum em tecer rios de palavras sem objetivo algum, apenas por fazer.

Tenho próximo a mim uma água com gás e um café (frio). Faltava-me um casadinho [1]  para completar o texto, mas como Londres não dispõe desses quitutes saborosos, tive que me contentar com um biscoito velho engavetado. Mas enfim. Estive pensando no que um amigo próximo me disse sobre a ideia de auxiliar alguém com o dom que de mim exala. Não posso ser tão humilde a ponto de dizer que meus anos de escrita e leitura não satisfazem ao apelo alheio. Afinal, frequentes são os dias nos quais as minhas palavras servem de afago ao mais próximo.

Recolhi algumas mazelas humanas, conversei com amigos, colegas, familiares, desconhecidos, comigo mesma. Estive disposta a entender o que nos desumaniza, felicita, flagela e/ou entristece. Pensei em reunir esses “problemas”, dialogar com eles e ver até que ponto eu consigo ser útil. 

Desde que resolvi abandonar “tudo” no meu país de origem e começar a minha vida do zero em outro, a pergunta que mais me ocorre é: de onde você reuniu tanta coragem para largar tudo e (re)começar? As pessoas queriam recomeçar as suas vidas infelizes, mas não tinham coragem. Pois bem. A primeira pergunta é: o que seria tudo para você? Eu tinha um emprego, minha família, uma casa, um networking meia boca e alguns bons amigos. Sobre meu emprego, eu poderia recomeçar e aprender coisas novas. Sobre casa e networking, ambos são disponíveis em qualquer lugar do planeta. No quesito família e amigos, todos seguiriam suas vidas com ou sem a minha presença. Eu não sou tão especial a ponto de eles viverem sem mim. Portanto, a minha decisão não demandava muito esforço temporal. Dependia apenas de coragem e vontade, ambos sobressalentes em mim.

Eu costumo dizer que bons ventos cooperam para aquele que luta. Essa conversa parece um papo de coach deprimido que largou tudo no seu país e foi comer um biscoito engavetado na Inglaterra com algumas palavras motivacionais de quinta categoria no Twitter. Quisera eu que fosse, mas não consigo transmitir palavras que não sejam com vieses otimistas e prósperos sejam eles com caráteres motivacionais ou não. Afinal, a gente transmite aquilo que é.

Existem alguns caminhos que precisam ser trilhados, sejam eles com ou sem coragem. Em algum momento ele será feito. Portanto, ainda que existam fases nos quais a tristeza ou a falta de sentido o assole, acredito que a vida não irá parar o seu percurso e te acolher esperando que você se restabeleça emocionalmente. Sinto dizer. Eu não sou o tipo de pessoa que vai te abraçar com palavras ou fazer discursos carinhosos. Estou apenas afirmando o que realmente acontece.

Resumindo. Tanto coragem como vontade não irão bater na sua porta sem a sua cooperação. Uma vida próspera, um trabalho digno, um amor tranquilo, um emocional estável não surgem sem o seu empenho. Sinto dizer. Empenhe-se para alcançar aquilo que lhe apetece! Lute quantas vezes forem necessárias. Ou, como dizem os livros mais vendidos da Amazon que provavelmente você já deve ter lido, “mesmo que a conquista venha apenas as vezes, nunca deixe de lutar”.

Perdoe-me se não correspondi aos seus anseios com esse texto. Felizmente, ou infelizmente, estou apenas resumindo experiência, mais leituras e 0.1% de sabedoria. Espero que você tenha uma excelente trajetória nesse belo caminho chamado vida.


 [1] Casadinho ou bem-casado é um doce popular em Portugal e no Brasil, principalmente nas festas de casamento.

Illyana Magalhães é advogada, aspirante a filósofa e escritora. Colunista do Factótum Cultural.

Os artigos publicados, por colunistas e articulistas, são de responsabilidade exclusiva dos autores, não representando, necessariamente, a opinião ou posicionamento do Factótum Cultural.

Deixe um comentário

Tendência