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Inveja: o pecado envergonhado

por Leandro Karnal

“Anjo Caído” de Alexandre Cabanel (1847)

Você é uma pessoa invejosa?

Machado de Assis definiu a inveja como “a admiração que luta”. A afirmação está no genial “Memórias Póstumas de Brás Cubas”.

No meu livro “Pecar e Perdoar”, tratei dos vícios fundamentais da nossa espécie.

Constatei (em harmonia com quase todos os moralistas) que a vaidade é a base de todos os erros, capitais, morais, veniais ou pecadilhos cotidianos.

O orgulho fez cair Lúcifer, o mais belo dos arcanjos.

Como ele, portador de luz, poderia prestar reverência ao homem recém-criado?

Lúcifer preferiu, como escreveu o poeta John Milton (1608-1674), ser senhor do Inferno a servir no céu (“Better to reign in Hell, than serve in Heaven”).

Curioso que a fala orgulhosa dele indica, alguns versos antes, que o Todo-Poderoso instituiu aquele lugar não por inveja e, por isso, eles não serão desalojados dali.

Comportamento típico de acusados: tentar jogar a culpa em mais gente.

Inveja e orgulho estariam associados para sempre.

O invejoso acha que o mundo lhe deu pouco, ou que é mais merecedor do que aquele que parece mais realizado.

Assim, na ambição de uma vaidade desequilibrada, germina a tristeza pela felicidade alheia, a mais clara e precisa definição de inveja.

Abstraia o tema de Milton: um Céu e um Inferno. Elimine por um instante a possibilidade de um Deus. Pense fora da gramática moral. Assuma apenas o lado técnico:

O que alguém ganha invejando?

Absolutamente nada.

Pelo contrário, ao olhar a vida alheia com força, tende a perder foco na sua.

O jovem pintor que se queima de inveja diante dos quadros dos mestres tem uma chance grande de nunca pintar nada bom.

Em nada melhora meu projeto profissional achar o do outro superior.

Atacar alguém pelas redes sociais revela muito de mim e da minha dor, raramente elimina a fama do meu alvo.

Pelo contrário, aumenta a presença dele entre os trend topics…

O invejoso ajuda no sucesso alheio.

Se não tenho inveja de nada, provavelmente já fiz a transição para o país da morte, pois viver, em parte, é invejar.

Mortos não invejam, no entanto ainda podem ser invejados. 👀

Considero uma luta diária e renhida.

Focar no meu projeto.

Ser consciente dos meus limites.

Admitir meus erros ao menos para mim.

Perceber que a luz alheia pode cegar a mariposa do bom senso e me fazer adejar de forma errática em fonte luminosa errada.

Nesta semana gostaria de convidar você a refletir sobre o uso das redes sociais.

A internet é uma ferramenta. Que tal usá-la a seu favor?

Compartilho com você uma estratégia para transformar suas redes sociais em local de aprendizado, debate e conhecimento.

Preparei um vídeo, que está disponível no TikTok.

Clique no botão abaixo e confira:

“Ter um inimigo é importante não somente para definir a nossa identidade, mas também para encontrar o obstáculo em relação ao qual medir nosso sistema de valores e mostrar, no confronto, o nosso próprio valor. Portanto, quando o inimigo não existe, é preciso construí-lo.”

Esse pensamento de Umberto Eco está no primeiro ensaio que dá nome à coletânea publicada pela Record. É a minha recomendação de leitura dessa semana.

Um grande abraço!

LK e Equipe K

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