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Divórcios prateados: um baque na situação financeira

Por Mariza Tavares

Divórcios prateados, entre pessoas acima dos 50 anos: queda no padrão de vida chega a 45% para as mulheres  — Foto: Pasja1000 para Pixabay
Divórcios prateados, entre pessoas acima dos 50 anos: queda no padrão de vida chega a 45% para as mulheres — Foto: Pasja1000 para Pixabay

Queda no padrão de vida chega a 45% para as mulheres, enquanto, entre os homens, essa variação fica em torno de 21%

Os chamados divórcios prateados, entre pessoas acima dos 50 anos, dobraram entre 1990 e 2010 nos Estados Unidos e respondem por uma em cada três separações naquele país. No Brasil, de acordo com o IBGE, a tendência é semelhante: em 2010, foram concedidos, em primeira instância, pouco mais de 42 mil divórcios no quais ambos os cônjuges tinham mais de 50 anos; em 2019, quase 72 mil! A professora de sociologia I-Fen Lin é autora de estudo, publicado no “The Journals of Gerontology, Series B: Psychological Sciences and Social Sciences”, mostrando que as mulheres enfrentam uma queda de 45% em seu padrão de vida, enquanto essa variação fica em torno de 21% para os homens. Depois dos 50, é mais complicado recuperar-se financeiramente: as chances são remotas para quem está fora do mercado e, mesmo quem está na ativa, poderá não dispor de tempo suficiente para juntar um pé de meia.

O casamento soma rendas, diminui despesas e contribui para atenuar acidentes de percurso, como a perda do emprego de um dos cônjuges. Um divórcio pode ser devastador para as finanças, mas o golpe é especialmente duro para as mulheres. Um novo relacionamento estável, nesses moldes, também é mais difícil para elas: apenas 22% nessa faixa etária arranjam um companheiro, ao passo que o percentual entre os homens chega a 37%. Que fique claro que não estou aconselhando ninguém a manter um casamento infeliz, e sim enfatizando como é importante garantir um mínimo de segurança econômica. Com frequência, quando toma a iniciativa da separação, a mulher se sente culpada e acaba não sendo assertiva na defesa de seus direitos.

A grande questão é que, apesar dos avanços nos campos de educação e emprego nas últimas décadas, as mulheres enfrentam uma estrada acidentada até uma aposentadoria segura. Os economistas criaram a expressão “penalidade da maternidade” para descrever a desigualdade salarial que afeta as mães: com frequência, sacrificam a carreira para criar os filhos, deixando de trabalhar por um período ou abrindo mão de posições mais bem remuneradas para ter tempo para as crianças. O resultado é que dificilmente conseguem recuperar a defasagem. Além disso, como sua expectativa de vida é maior, aumentam as chances de doenças crônicas, algum tipo de incapacidade e despesas não programadas com a saúde.

Uma pesquisa recente da AARP, a associação de aposentados norte-americanos, mostrou que quase 30% das mulheres acima dos 65 anos se preocupam com sua situação financeira, enquanto o temor é compartilhado por 20% dos homens. Na faixa entre 50 e 64 anos, 49% delas relataram ter tomado decisões de impacto negativo em suas vidas, como deixar de pagar o plano de saúde e comprar medicamentos por causa dos custos; ou priorizar os cuidados com um ente querido em detrimento de si mesma. Entre os homens ouvidos, 44% admitiram desafios semelhantes.

G1. 13.2.2022.

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