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“Ele tinha 12 anos”: menino tira a própria vida por não aguentar mais sofrer bullying e mãe escreve texto de partir o coração

O menino de 12 anos tirou a própria vida por sofrer bullying (Foto: Reprodução/ Instagram)

Pelas redes sociais, a mãe do menino, Samie Hardman, apelou para outros pais: “Vamos ensinar a bondade”

Há quem ainda ache que é “besteira” ou “coisa de criança”, mas o bullying continua fazendo vítimas em vários lugares do mundo. Drayke Hardman, um menino de 12 anos, foi uma das mais recentes. Inconsolável, a mãe dele, Samie, compartilhou um texto implorando aos pais que ensinem bondade aos filhos, depois de perder o dela. O garoto, que amava esportes e era adorado por sua família, sofria bullying na escola pelos motivos mais banais. A escola e os pais sabiam do que acontecia e o agressor já tinha até sido suspenso, mas o problema, simplesmente, não terminava.

No último dia 7 de fevereiro, ele chegou em casa com um olho roxo e confidenciou à irmã que o garoto que fazia bullying na escola tinha batido nele. Drake tentava ser amigo do menino, mas sem sucesso. Dois dias depois, no dia 9 de fevereiro, a irmã o encontrou desfalecido. O pai veio rapidamente e fez todas as manobras cardiorrespiratórias e chamou o serviço de emergência. Os paramédicos vieram  e, depois de 15 minutos, seu coração até voltou a bater, mas o menino tinha sofrido danos muito graves. Ele foi levado para o hospital, mas não resistiu e morreu, cercado pela família, no dia 10 de fevereiro.

Drayke nos minutos finais, com a mãe (Foto: Reprodução/ Instagram)

Depois da morte do menino, a família resolveu começar a espalhar mensagens, na tentativa de aumentar a consciência das pessoas, das comunidades, dos pais e das escolas sobre quão grave e quão sério é o bullying. Samie, mãe de Drayke, publicou um texto emocionante em seu perfil do Instagram, com a foto do filho. Impossível segurar as lágrimas. Confira o que ela escreveu, na íntegra:

“Este…. Isso é resultado de bullying, meu menino lindo estava travando uma batalha da qual nem eu poderia salvá-lo. É real, é silencioso e não há absolutamente nada como pai ou mãe que você possa fazer para acabar com essa mágoa profunda. Não há sinais, apenas palavras dolorosas de outras pessoas, que roubaram NOSSO Drayke deste lugar cruel.

Ele tinha 12…. 12 anos. Como um garoto de 12 anos, que era tão conscientemente amado por todos, acha que a vida é tão difícil que ele precisa se livrar dela… 

Esse menino conheceu o amor, todos os dias de sua vida, ele era nosso mundo, meu mundo, o mundo de seu pai, o mundo de suas irmãs… para as pessoas, sua personalidade espirituosa e aqueles olhos azuis de bebê conquistaram o mundo. Ele é o meu menino, a única pessoa que, a qualquer momento, parava e me dava um abraço, me dizia 100384849 vezes por dia “Mãe, eu te amo”, meu obcecado por basquete e JAZZ. Ele sempre dizia ao pai e às irmãs que seria a estrela mais baixinha da NBA, então ele poderia se juntar a @spidadmitchell e eles poderiam conquistar o basquete…

Bem, meu amigo, você é minha salvação, você é o guia do papai e agora você é o protetor eterno de suas irmãs mais velhas… Não sei como navegar por essa vida sem você. Eu deveria passar o resto da minha vida com você e, em vez disso, você passou o resto da sua comigo.

Meu coração está despedaçado, não sei como consertá-lo, ou se algum dia saberei, mas passarei cada minuto ensinando bondade, em memória do meu cara favorito. O propósito dele aqui era ensinar bondade, mostrar amor e isso, ele, com certeza, fez, ele aceitava qualquer um como amigo para que eles tivessem um amigo. Uma vez que você estava na tribo de Drayke, você estaria lá para sempre.

Não sei nem por onde começar a falar o quanto sou grata pelas pessoas, pelas ligações, as mensagens, todas as mensagens. Eu tento responder, juro, mas eu não sei como fazer isso agora. Eu vou dizer: abracem seus bebês, abracem com força. Ensine-os a viver e a amar intensamente.

Ensine bondade e #doitfordrayke (#facaissopelodrake)”

Precisamos falar sobre suicídio de crianças e adolescentes

O suicídio é um fenômeno de causa múltipla e está totalmente ligado às doenças mentais. “Cerca de 90% dos casos tem associação com transtornos psiquiátricos. Depressão e transtorno bipolar do humor são os quadros mais associados às tentativas de suicídio. Nesse público, a impulsividade e o acesso aos meios favorecem o comportamento suicida”, observa Orli Carvalho, psiquiatra da infância e adolescência do Instituto Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (FIOCRUZ), no Rio de Janeiro.

Ele também pode ser desencadeado devido à dificuldade que as crianças têm em lidarem com algumas situações. “Crianças que sofrem bullying, que perderam uma pessoa querida, que têm problemas de serem aceitas pelos grupos sociais, que sentem rejeição por parte dos pais ou amigos, que têm dificuldades no aprendizado escolar e até que os pais se separaram, podem sofrer consequências emocionais graves”, fala Tania Paris, presidente da Associação pela Saúde Emocional de Crianças (SP).

Por isso, é importante observar o comportamento delas. Se os pais perceberem que o filho está diferente, devem buscar ajuda médica. “Os pediatras são atores importantes na identificação de comportamentos suspeitos, tais como tristeza acentuada, irritabilidade, agressividade, flutuações de humor, queda do rendimento escolar, alterações de sono e/ou apetite. Quando eles notam que há algo fora do normal, encaminham para psiquiatras e psicólogos para uma avaliação mais criteriosa e identificação do sofrimento psíquico da criança e do adolescente. Vale lembrar que cada pessoa apresenta características próprias e deve ser avaliada individualmente”, diz Orli.

Mas, calma, não precisa se desesperar, pois ninguém desiste da vida de um dia para o outro. Segundo Tania, existem três fases no processo de suicídio. A primeira é a ideação, quando a pessoa começa a pensar na ideia de colocar um fim no sofrimento. A segunda é o planejamento, que é quando ela realmente vai pensar em como pode fazer aquilo e, a terceira, é a idealização, o ato propriamente dito.

Durante estas etapas, a pessoa geralmente diz ou deixa pistas. A criança pode falar que quer morrer, que não quer sair mais da cama, que deseja não acordar mais ou expressar este sentimento por meio de um desenho. “É por isso que precisamos acabar com o mito de que uma alguém que fala que vai se matar não se mata. Isso já é um pedido de socorro. Se os pais ou a pessoa a quem ela fez o pedido não percebem e não tentam ajudá-la, o pior acontece”, diz.

Prevenção é fundamental
Como 9 a cada 10 casos de suicídio (ou seja, 90%), segundo a Organização Mundial de Saúde, poderiam ser evitados, é importante prevenir. Mas, como? Primeiro é preciso acabar com o tabu que ainda envolve o tema. As pessoas têm dificuldade em falar sobre isso e a informação não circula, não chegando a quem precisa. Para aumentar este alerta, foi criado o Setembro Amarelo, movimento mundial que tem como objetivo conscientizar a população sobre a realidade do suicídio. O movimento é estimulado mundialmente pela Associação Internacional pela Prevenção do Suicídio. Depois, é necessário o acolhimento, entender o sofrimento da criança, observando seu estado emocional e tentar ajudá-la. “Os pais devem perguntar, por exemplo, por que o filho está triste e o que eles podem fazer para ele se sentir melhor”, fala Tania. Se perceberem que as mudanças no comportamento persistem, o ideal é levar a criança a um especialista. “Dependendo do que for, se houver uma doença, pode ser necessário um tratamento medicamentoso ou uma internação”, finaliza Tania.

Precisa de ajuda?

O Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, em sigilo por telefone, email e chat 24 horas todos os dias. Informações sobre o atendimento pelo número 188.

Revista Crescer. 24.2.2022.

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