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“Qual o sentido da vida?” 

Por Leandro Karnal

Qual o sentido da vida? - CVV | Centro de Valorização da Vida

Confesso que dirigem-me muito essa questão em palestras e redes sociais.

Tenho sempre dificuldade em dizer de forma direta que eu acho a vida extraordinária porque é destituída de qualquer sentido. Todos estranham.

Existem inúmeras construções de sentido que cada um possa desenvolver. 

“O sentido da vida é amar intensamente.” “O sentido da vida é visitar muitos países e experimentar comidas”. “O sentido da vida é ser feliz.”

Todas são propostas válidas, desde que saibamos, invenções nossas, sem uma régua objetiva que valide. 

Afinal, sentido é o que eu coloco como meta suprema ou como eu preencho o tempo para atingi-la?

Uma parte expressiva da reflexão filosófica e dos livros de autoajuda mira na mesma meta: afinal, existe sentido?

O filósofo Jean-Paul Sartre escrevia de forma relativamente fácil e era um intelectual popular.

Se não tivesse morrido em 1980, estaria dando palestras em empresas sobre “projeto de vida”? 🤔

Acho pouco provável, primeiro porque era pessimista, feio atrás dos seus óculos grossos, pouco sorridente e não diria para os funcionários algo que os motivasse a atingir metas.

Sim, os sentidos são aleatórios, pessoais e devem ser criados, inventados, no conteúdo positivo dos termos.

💡 Mas façamos um exercício reflexivo:

E se o sentido que você elaborou for, digamos, pouco consistente?

E se você estiver reduzido às demandas imediatas e insuperáveis da chamada “pirâmide de Maslow”?

Respirar, ingerir alimentos, excretar e dormir. 

Quatro verbos que não podem ser indefinidamente adiados ou ignorados por muito tempo.

Acordar, comer, urinar, dormir de novo, beber, dormir, dormir de novo…

É insuportável pensar que seja só isso, não é?

O sexo é vital, o instinto de reprodução é programado em quase todas as espécies, mas, sabemos bem, pode ser bastante adiado ou ressignificado. 

Os animais vivem dessa forma e jamais são depressivos, entediados, entusiasmados, ciclotímicos ou algo assim. 

Eles apenas agem dentro de códigos prévios e nunca perguntam pelo sentido ou, seguindo Heidegger, existem, mas não são.

“Torna-te quem tu és” é uma linda ideia de outro filósofo, Friedrich Nietzsche.

Apesar de todo esforço demolidor do alemão, tornar-se aquilo que eu sou parece implicar uma verdade densa e interna, algo que eu possa descobrir com esforço racional e biográfico. 

“E se eu for nada, absolutamente nada, sem essência, sem sentido ou propósito?” A frase me conduziria à liberdade ou ao suicídio? 

📚 Gostaria de propor um desafio, Neemias!

E se em vez de você procurar na Filosofia ou no Céu o sentido último de tudo, você, hoje, apenas tomar um bom café? 

E se a água do chuveiro fluir sem perguntas sobre seu corpo e você usar aquela roupa de baixo e de cima que estava guardando para uma ocasião especial? 

E se olhar para as pessoas próximas com intensidade, interesse e zelo? 

Se, seguindo certa névoa budista, você não perguntar pelo ponto final ou inicial de tudo, todavia entregar-se ao ponto do agora, o único sobre o qual você tem certo controle? 

E se a falta de qualquer origem e de qualquer destino supremo for, em si, um bom sentido libertador que faz o aqui e agora fascinantes? Eis uma experiência para hoje.

LK e Equipe K

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