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Uma geração sem memória

Por Álefe Nícolas dos Santos de Carvalho

Indústria Cultural - Cola da Web

A Indústria Cultural, que sequestra uma cultura para vender suas características mais comercializáveis, já foi descrita por diversos pensadores contemporâneos. Todavia, após a consolidação da internet como uma segunda realidade, que fortaleceu ainda mais o poder midiático sobre a cosmovisão individual já exercido pelos meios de comunicação, pode-se enxergar ao nosso redor um processo de desconexão entre os povos e suas essências culturais ainda mais intenso, promovido pela Indústria Cultural.

A maioria das pessoas das novas gerações não têm acesso à tradição de seu povo diretamente, como seus pais tiveram, mas sim, consomem sua própria cultura como um mero produto adquirido através da Indústria Cultural. Dessa forma, a cultura de nações como a brasileira tende a ressonar cada vez menos na mente de nossa população mais jovem, pois ao consumi-la como produto, despe-se a cultura de sua essência, efemeridade e espiritualidade. 

A tendência para as próximas gerações é que esses produtos culturais que simulam a cultura brasileira sejam apenas o que resta no imaginário popular quando se fala de folclore nacional. O consumo de cultura estrangeira, que já vem se fortalecendo há décadas, deve tornar-se cada vez mais absoluto e deve engolir qualquer espaço para representações tradicionais. Nesse ritmo, nossa cultura será renegada à obscuridade na mente da nação.

Em poucas décadas, os últimos brasileiros que tiveram um contato legítimo com a cultura brasileira, em pelo menos parte de sua vida, morrerão. O mundo caminha para a existência de apenas uma cultura, ditada pelas potências capitalistas, que apagará da face da Terra as tradições do Sul Subdesenvolvido. O que será da cultura brasileira, da Missa do Galo, do Frevo, da Festa Junina, da Capoeira, do Festival de Parintins, da Procissão do Fogaréu, ou mesmo da Festa da Uva? Provavelmente, mera lembrança vaga registrada em livros de história, os quais não despertam o interesse da Geração Meta. Eles estão ocupados batendo de porta em porta no Halloween. Trick or treat?

Álefe Nícolas dos Santos de Carvalho, Estudante do terceiro ano do Ensino Médio e escritor jornalístico.

Os artigos publicados, por colunistas e articulistas, são de responsabilidade exclusiva dos autores, não representando, necessariamente, a opinião ou posicionamento do Factótum Cultural.

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