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Sorrir

Por Dimas L. Castro

Evitar sorrir pode ser problema de autoestima - Acontece Agora Online

Não me faça rir! Perdi os dentes!

Seria engraçado se não fosse trágico. Mas, o autor escreveu isso num muro na região de Itaquera em São Paulo bem antes de se fazer pichações em prédios e residências e isso nos leva a uma questão filosófica, psicológica e até mesmo antropológica. Ou seja; porque sorrimos e quais as expressões do, “mostrar os dentes” demonstram satisfação, reprovação, sarcasmo, alegria, felicidade, espontaneidade, ódio, desprezo, regozijo ou desespero?

Não sabemos se a lógica em sorrir, pois a idiopatia, psicopatia (síndrome do Coringa do Batman), a necrofilia (sexo com mortos), o terror e a loucura, também provocam riso. Se não por prazer, o são pelo menos de asco e repugnância. Pois é. O riso se faz presente desde o nascer e perdura até a morte. Matar por prazer é histórico, o que não se relata é se os assassinos sorriam enquanto maltratavam e executavam suas vítimas, mas se tais algozes fossem estudados por psiquiatras e psicólogos, talvez o mistério neuropatológico do riso ganha-se a plenitude da luz clínica, desfazendo duvidas, receios e evitando que tais psicopatas (homens e mulheres) pudessem conviver com a sociedade livre. O riso das ruas é, na verdade, aparente, pois escondem o outro lado de todos os humanos, onde nas sombras da vida espreitam a violência e o desamor no respeito aos que acabam virando números das estatísticas do crime.       

Por outro lado, sorrimos a socapa ao ouvir uma piada sem graça, ou fechamos a cara diante do estereótipo nada engraçado com que alguém nos tem afrontado. O que é e o que deixa de ser o que nos cerca, são nossos dentes que aprovam ou desaprovam. Agora vejam isso. Algumas espécies animais também mostram os dentes, mas não possuem o senso crítico do ato de rir. Mostram os dentes como defesa ao se sentirem ameaçados, ou mostram os dentes ao se sentirem protegidos.

Nós rimos da mentira teatral e cinematográfica. Nos divertimos com a desgraça alheia num vídeo na internet, mas não queremos sorrir sem os dentes e, o mais engraçado disso é que quando um bebê sorri mostrando a gengiva, sorrimos junto mesmo se não tivermos todos os dentes na boca. Rimos ainda de satisfação se filhos e netos mostram as “janelas e janelinhas” pelos dentes perdidos e que as “fadas dos dentes” levavam embora. Na verdade, incomoda mesmo a perda dentaria, menos, é claro, para quem vive profissionalmente da arte de repor os dentes humanos. Um sorriso restaurado com implantes e outras técnicas reparadoras na sua forma principal, restabelece a confiança, a segurança e o amor próprio, sendo que tal ação tem muito que ver com as relações sociais, morais e amorosas.  

Não consideramos o riso quando falamos de assuntos que aparentemente são importantes e por isso é comum as expressões teatrais faciais. Franzimos o cenho demostrando interesse ou preocupação com rugas e mimicas, mas se no meio da conversa alguém disser algo inoportuno, não tem como esconder o leve sorriso escamoteado disfarçado de uma tosse, ou mesmo um pigarro que se desfaz na presença de uma bala, café ou agua emergencial. Depois…. Depois se comenta a gafe e, aí… O riso, a chacota e a depreciação fica livre para agir. Nesse instante voltamos a ser pessoas normais com nosso senso de humor trazido de berço, ou do teatro da vida onde o riso está mais para a gargalhada do que para um simples kkkkk lacônico. Debochamos da desgraça com o mesmo riso com que aplaudimos o palhaço que nos convence da ilusão de que não sabe estar se passando por idiota, ou o bobo da corte. É. Na verdade, no teatro da vida os palhaços somos todos nós quando acreditamos no ilusionista que vive rindo as nossas costas depois de suas apresentações.

Não tem como negarmos que o riso serve de divisor de aguas nos ajuntamentos sociais e ainda nos conceitos que disciplinam as relações comerciais, morais e, logico, interpessoais, ou será que alguém acredita que somos modelo familiar a ser seguido. Somos mesmo é crítico teatrais nos palcos da vida e damos ênfase as patologias intelectuais dos desníveis de conhecimento que os membros da comunidade doméstica nos deixam perplexos quando cometem suas gafes ou proferem disparates ao formularem algum parecer sobre o assunto do momento. Logo, via de regra, depois de uma censura letal sobre o deslize, é bem capaz que desçamos do píncaro do conhecimento, para assumirmos o homo sapiens dentro de nós e volatizarmos tudo com o riso sarcástico, cheio de lagrimas de prazer com a inevitável dor de barriga de tanto rirmos, revelando mesmo nossa pobreza de espirito social. Mas alegam muitos que rir é o melhor remédio para os dissabores da vida e por isso mesmo lembro aqui que a revista Reader’s Digest tinha, ou tem, duas páginas dedicadas a anedotas, ou fatos engraçados e que tinha como Slogan exatamente o; “Rir o melhor Remédio”. Agora vejamos, o melhor remédio é rir, ou é aquele que trata a patologia que nos tira do sério? Do equilíbrio mesmo? Da paz interior? Bem. Para podermos rir precisamos do combustível que vai nos tirar da tensão, do desiquilíbrio, da intemperança, pois não vamos sair rindo por qualquer causa sem pé nem cabeça. É como querer rir da piada sem graça e, pior, sem sentido. Ainda mais se o “contador” dela não tem senso de humor. Nesse caso especifico, não sabemos se terminou a piada, se temos que dar um fim para ela, ou na pior das hipóteses, se vamos rir do contador dela e que mesmo sendo o “chefe”, o líder, ou o diretor, é o maior “mala” da empresa. Portanto, rir é o assunto mais sério que existe e não tem nada de engraçado nisso.

Este assunto é tão complexo quanto o fato de que o humor é uma atribuição humana desde o nascimento, pois o bebê ri ao distinguir as pessoas e já tem senso de humor. Sabe brincar com as mãos e em pouco tempo, sabe despertar nas pessoas que a cerca o riso com suas caretas e trejeitos encantadores. Da mesma maneira existem as crianças que são mais sérias desde pequenas e seus risos são mais raros, mas com seus altos e baixos, é certo que depois da infância os caminhos das crianças de diferentes humores vão determinar seu espaço no mundo que vive divertindo e se diverte seriamente.                 

Referências bibliográficas

Alberti, Verena. O riso e o risível na história do pensamento, Rio de Janeiro: Zahar, FGV,

Aristóteles. Retórica das Paixões, pref. Michel Meyer, São Paulo: Martins Fontes, 2003.

Bergson, O riso- ensaio sobre significação e comicidade, Rio de Janeiro: Zahar, 1984.

Cícero. De oratore, (ver edição)

Quintilhano. Institutio oratória, (ver edição internet).

Hipócrates – [Hipócrates]. Sobre o riso e a loucura, Org. Rogério de Campos, São Paulo:

Hedra, 2011.

Minois, Georges. História do riso e do escarnio. São Paulo: UNESP, 2003.

Platão. A República, Filebo e Timeu (ver edições internet).

Dimas L. Castro, Nascido em Taubaté em 22/08/48. Pseudônimo: Dimas Brito. Formado em Eletrotécnica pela Politécnica em SP. Terapeuta holístico. Cursos ministrados na área da dor Orofacial. Formado em Eletromedicina e Magneto terapia pelo CEAO. Centro de Estudos Avançados de Odontologia) SP. Formado em DTM – Dor e Reabilitação Oral pelo NEAO. (Núcleo de Estudos Avançados de Odontologia) RJ. Formado em Hipnotrônica e Alfagênia pelo CEAO. Membro efetivo da Pyerre Fauchard Academy. (França). Trabalhos e projetos científicos odontológicos publicados.

Os artigos publicados, por colunistas e articulistas, são de responsabilidade exclusiva dos autores, não representando, necessariamente, a opinião ou posicionamento do Factótum Cultural.

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