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Professores da Unespar da União da Vitória estudam os efeitos da pandemia covid-19 no ensino superior

Por Juan Sánez e Jucilene Galicki

Ensino Superior na pandemia: o desafio de implementar inovações sem perder  na aprendizagem | Economia | OPOVO+

A pandemia COVID-19 chegou para ficar. Iniciada na cidade de Wuhan, China, no final do ano de 2019, foi declarada pandemia a nível global em março de 2020. A crise sanitária obrigou a diversas nações desenvolvidas ou não, tomar medidas consideradas restritivas como a circulação e deslocamento livre das pessoas. Isto afetou diversas áreas da nossa sociedade, em especial economia e educação.

O impacto na educação é notável, ferramentas consideradas de pouco uso, como é o ensino a distância e o uso dos recursos TICs (Tecnologias da informação e comunicação, tais como: meet, moodle, google classroom, youtube, internet, computadores, celulares), se apresentaram aos professores, os quais tiveram que fazer um upgrade quase instantâneo para continuar com o ensino, tanto no Ensino Básico como do Ensino Superior.

Dessas consequências não escapou a nossa UNESPAR-UV (Universidade Estadual do Paraná – Campus de União da Vitória), decisões duras, porém consideradas as melhores, como o isolamento social, e  adoção do ensino remoto, as quais, foram tomadas para salvaguardar a integridade da saúde pessoal dos agentes universitários, acadêmicos e docentes. Diante disto, a comunidade acadêmica precisou moldar-se rapidamente a essa nova realidade, não sem antes sofrer sérias dificuldades. Entre os maiores obstáculos enfrentados foi a adaptação, por parte do professor, de ministrar aula e passar a ter o contato somente virtual no ambiente de trabalho, e, por outro lado, do aluno receber aulas por meio das ferramentas TICs, visto que nem todos tinham acesso a estes recursos. Esse processo foi, e ainda é longo. Além disso, outro problema subsequente de ficar isolado grande parte do tempo, tiveram forte impacto na saúde mental, sem contar os efeitos emocionais de não conseguir ter contato com os entes queridos que partiram de modo tão rápido e de partilhar a dor. Nós somos seres essencialmente gregários.

Um grupo de pesquisa do curso de Licenciatura em Química, liderado pelo professor Dr. Juan Sánez e com a colaboração dos professores Dr. Elias da Costa, Dra. Jamille Piovesan e Dra. Lutécia da Cruz, decidiram explorar as consequências do Covid-19 no Ensino Superior. O intuito é ter uma melhor aproximação dos impactos, para assim poder tomar medidas que busquem diminuir e eliminar, em caso ideal, as consequências negativas da pandemia no Ensino Superior. Para o caso, a acadêmica Jucilene Galicki, aluna do Trabalho de Conclusão do Curso (TCC), está realizando o estudo inicial no curso de Licenciatura em Química usando como ferramenta principal uma questionário online (Q-Covid-19), com algumas perguntas chave. Esse estudo preliminar será o objeto de seu TCC. Depois, o segundo passo seria aplicar o questionário a todos os cursos do campus da UNESPAR-UV.

O Q-Covid-19 pergunta e coleta dados essenciais, tais como: sociodemográficos; efeitos da Covid-19 nos estudantes e familiares do curso; ensino remoto e conectividade; e informação das disciplinas, dos docentes e da formação profissional atual e futura dos acadêmicos. Nesta primeira etapa, o questionário já está entrando em sua fase de encerramento. Os professores e a acadêmica analisaram os resultados, para assim dar continuidade com a segunda fase, que é aplicar o Q-Covid-19 em todo campus da União da Vitória.

Os resultados preliminares indicam em uma forma mais quantitativa os efeitos reais negativos da Pandemia na saúde mental dos nossos alunos. Por exemplo, diante da pergunta se no ano de 2020, teve medo da pandemia? Na escala de 0 (nenhum medo) até a escala 3 (muito medo), 47% declararam um nível de medo de 3, enquanto um 32,4% um medo de nível 2. Ou seja, quase 80% manifestaram ter medo. Já ante a pergunta se tiveram crise de ansiedade, 70% manifestaram que sim, e dessa porcentagem 37,5% tiveram mais de cinco vezes crises. Já esses resultados podem nos dar uma ideia de que o impacto psicológico foi substancial para os estudantes da Licenciatura em Química da UNESPAR-UV.

As ferramentas mais usadas foram Google Meet e o celular, 97,1% e 100%, respectivamente, seguidas do Skype (70,6%) e o notebook (91,2%). Nos chama a atenção que nenhum aluno que respondeu o questionário indicou usar um computador tipo PC para assistir às aulas online. No desenvolvimento dessas aulas, numa escala de 0-1-2-3, sendo 0 completamente despreparados e 3 completamente preparados, uma maioria, 61,8% qualificaram com 2 a preparação dos nossos docentes de química.

A Química é uma profissão que não poderia existir só de forma teórica. As aulas práticas formam parte essencial da base da Licenciatura em Química, que dificilmente pode ser substituída por uma aula virtual. Enquanto as academias de preparação física tinham liberado as portas de entrada após certo tempo da pandemia, a falta de aulas práticas presenciais mostraram uma insatisfação consequente das medidas restritivas de aglomeração. Um total de 52,9% manifestaram insatisfação de não poder realizar as aulas práticas.

Os docentes do Curso de Química, se articularam, individualmente, para seguir brindando uma educação gratuita e de qualidade a nossa comunidade acadêmica. Isso se reflete em 8,8% e 64,7% que qualificaram de 3 e 2 (escala 0-1-2-3, onde 0 = muito ruim e 3 = excelente) respectivamente na avaliação geral das disciplinas ministradas durante o ano de 2020.

O Q-Covid-19 possui mais de 50 perguntas específicas que serão analisadas após o encerramento ocorrido em 8 de outubro. A comunidade acadêmica sabe que houve e há problemas no ensino remoto ainda em 2021. Porém, o Q-Covid-19 nos oferece dados mais próximos da realidade, que como bons cientistas que tentamos ser, precisamos de quantificar e ir além de só achismos. Nós, os professores pesquisadores e a aluna de TCC trabalharemos na análise das respostas. Se bem estamos perto do fim do túnel da pandemia, tentaremos com a pesquisa oferecer respostas mais certas e menos especulativas que nos guiem para o melhor desenvolvimento e adequação das aulas do Curso de Licenciatura em Química. Também é necessário salientar que a modalidade de ensino remoto, igual a pandemia, chegou para ficar.

Juan Sánez, PhD Ciências Ambientais com especialização em Química (Tennssee Tech Univrsity, EUA) e Professor do curso Licenciatura em Química, UNESPAR.

Jucilene Galicki, Acadêmica do curso Licenciatura em Química da UNESPAR UV, disciplina de TCC.

Os artigos publicados, por colunistas e articulistas, são de responsabilidade exclusiva dos autores, não representando, necessariamente, a opinião ou posicionamento do Factótum Cultural.

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