Ir para conteúdo

Dor. Causas e Efeitos?

Por Dimas L. Castro

Depressão: Dor na Alma | Revista Holiste

A dor tem dois aspectos distintos subjetivos e, certamente, um palpável.

Na subjetividade vamos encontrar a dor neurológica e a patológica e, na palpável, os efeitos de causas conhecidas e desconhecidas, por isso mesmo seguramente a dor é um fenômeno pouco estabelecido, mas de múltiplas vias de ações sobre o psiquismo, os sistemas simpático e parassimpático e também sobre aquilo que convencionou-se chamar de alma.[1] De qualquer forma, a dor é indiscutivelmente indispensável para a manutenção da vida como a conhecemos, pois é configurada como o 5° sinal vital, sendo uma das atribuições médicas para diagnosticar a falência dos órgãos e a morte cerebral. Pois é. Ninguém morre sem dor. Ou como dizem num ditado popular; “Se dói é porque se está vivo! ” Diante disso, vamos interagir também sobre a dor social e o medo exacerbado resultante dessa pandemia que pode não doer fisicamente, mas que traz em seu espectro tenebroso a forma nefasta do esgotamento psicofísico e do equilíbrio espiritual nas UTI, onde a vida física se esvai mesmo com todos os recursos clínicos disponíveis.  

O cérebro não pergunta de estamos satisfeitos em sentir dor ou outros sentimentos. Ele só interpreta os fenômenos e forma suas defesas ou ataques. Absorve o que lhe agrada (até a dor) e rejeita outras manifestações quando estas ultrapassam o prazer de sentir os fenômenos que o cercam. Lembremo-nos que o sadismo é uma forma de prazer. Às vezes, tanto para as vítimas, como para o (os) agressores. Nesses casos a produção de opióides endógenos são suficientes para tornar a dor inócua diante da produção da Dopamina e endorfinas.

O que muda a resposta clínica do fenômeno doloroso é como o corpo (alma?) tende a aceitar o agente agressor e, ou aquele que prove a cura da causa. Lembremos aqui a famosa fabula de Androcles (fato ou fantasia?). O escravo fugitivo de um ex-consul romano, administrador de uma parte da África. O escravo se refugia numa caverna, que era o covil de um leão ferido. Nesta caverna, Androcles retira um grande espinho da pata do animal, desinfeta a ferida e lhe faz curativo com ataduras. Nem seria preciso dizer que ficaram amigos e rompeu-se a separação natural de caça e presa, mas no íntimo é que ficou claro que a dor pode nos transformar em feras, ou o mais humilde coelho.

Somos assim mesmo. Convivemos com as ciências humanas dentro dos parâmetros da racionalidade de uma vida plena e estável e consideramos qualquer fato doloroso o ponto fora da curva, mas não é assim o existir dentro de uma sociedade em constante desiquilíbrio, pois a dor neuropsíquica, por exemplo, possui aspectos patológicos originários de nossos ancestrais e da dúbia persona oculta na nossa formação genética. Cito ainda que outras manifestações álgicas estão escondidas na psique do Eu Sou e o medo de “Ser” alguém, mesmo que o espelho afirme que existimos (a psicologia que o diga) e que tentamos esquecer nossas origens. Oras, para os que duvidam de nossas formas psíquicas ocultas e de que existem alguns segredos neurológicos ainda indecifráveis, sugiro que peguem uma foto frontal de alguém famoso, ou mesmo de si mesmo e a dobrem ao meio entre as sobrancelhas o nariz até o queixo e mais alguma parte se houver, perfazendo duas metades do rosto exatamente iguais. Feito isso, coloquem a foto dobrada, paralela a um espelho, onde de cada lado da foto se forme um rosto. A surpresa fica por conta de cada um e a interpretação também.

Outrossim, posso afirmar aqui que podemos mudar de personalidade com apenas um acidente psicofísico. Uma anulação do parassimpático, ou dentro dele?! Ou será que não é nada disso, mas sim a figura do espelho que se liberta?! E o papel da dor nesses casos, ou caso. Ela é a cura, ou o veneno?

Bom. É difícil responder à questão, mas cita-se pessoas que depois de um acidente automobilístico perderam o medo da morte e da dor. Quantos e quantas já foram encontrados (as) procurando seus dedos amputados sem sentirem dor alguma, sendo que antes temiam a agulha de injeção e desmaiavam diante de sangue. Muitos perderam e perdem a batalha pela vida quando entram nos hospitais com vírus, mas outros chegam quase em coma e ao se verem numa UTI, sorriem satisfeitos. Algum tempo depois, saem de lá irradiando felicidade e paz.

Conheci uma pessoa nos anos 2000 que depois de uma forte febre nunca mais dormiu, ou teve sono por alguns minutos. Trabalhava como padeiro e fazia isso dia e noite. Era uma pessoa boa e bom marido (não tinham filhos). Foi atropelado e ficou tetraplégico. Quando o conheci ficava numa cama hospitalar e lia dia e noite. Antes da febre era uma pessoa, mas depois do acidente ficou egoísta, malcriado e intratável. Detalhe. Não sentia dor. Seu caso era o segundo no mundo. O primeiro era em Pernambuco. Mas o caso mais famoso do mundo é o de Phineas Gage (9 de julho de 1823 – 21 de maio de 1860). Operário americano (25 anos) que, num acidente com explosivos, teve seu cérebro perfurado por uma barra de metal, sobrevivendo apesar da gravidade do acidente. Sem entrar em detalhes, podemos dizer que após o ocorrido, Phineas, que aparentemente não tinha sequelas, apresentou uma mudança acentuada de comportamento, sendo objeto para estudos de casos muitos conhecidos entre neurocientistas. Mas podemos perguntar se a alma fica no Lobo Frontal por onde a barra de metal entrou, ou se a face oculta de todos é comandada por esta região cerebral, já que a neurociência só oferece respostas vagas sobre fenômenos correlatos dessas circunstancias. 

O medo e o que seja sentir medo, não consegue mesurar a dor. Podemos ter medo de sentir medo do desconhecido e, por isso, sofremos. Sofremos também pelo medo do amanhã, pois ele é inseguro, mas acreditamos nas promessas humanas, mesmo que o fim de tudo seja mesmo a morte biológica (a única logica fiel) e talvez por isso, a dor passa a ser uma forma de autoconfiança na eternidade da alma. O espirito na sua consistência etérea (imutável, indizível e inexplicável?) é, a nosso ver, a única forma de luz para elucidar a questão central do existir dor, doenças e agentes causadores de doenças (SARS-CoV-2. Corona vírus 2019, por exemplo). De resto; biologicamente, psicologicamente e religiosamente falando, vivemos dentro da bolha do existir dor, sem compreender o porquê.     

Bibliografia

Beauregard M, O’Leary D. O cérebro espiritual: uma explicação neurocientífica para a existência da alma. Rio de Janeiro: BestSeller;2010. p.185

Debono, David J.; Hoeksema, Laura J.; Hobbs, Raymond D. (1 de agosto de 2013). «Caring for Patients With Chronic Pain: Pearls and Pitfalls». The Journal of the American Osteopathic Association. 113 (8): 620–627. ISSN 0098-6151.

Moayedi, M.; Davis, KD (3 de outubro de 2012). “Teorias da dor: da especificidade ao controle do portão”. Jornal de Neurofisiologia. 109 (1): 5–12. Doi: 10.1152/ jn.00457. 2012 .

Meldrum, Marcia L. “Fisiologia da dor”. Enciclopédia Britânica. Recuperado em 27 de abril de 2014. A teoria da dor que explica com maior precisão os aspectos físicos e psicológicos da dor é a teoria do controle de comportas.

Melzack R, parede PD. Mecanismos da dor: uma nova teoria. Ciência. 1965 [arquivado em 2012-01-14]; 150 (3699): 971-9. Doi: 10.1126/science.150.3699.971. PMID 5320816.

Turk, Dennis C.; Dworkin, Robert H. (4 de junho de 2004). «What should be the core outcomes in chronic pain clinical trials?». Arthritis Res Ther. 6. 151 páginas. ISSN 1478-6354. doi:10.1186/ar1196

Ochsner KN, Ludlow DH, Knierim K, et al. Neural correlates of individual differences in pain-related fear and anxiety. Pain. 2006;120:69–77. [PMC free article] [PubMed] [Google Scholar]

Keogh E, Hamid R, Hamid S, Ellery D. Investigating the effect of anxiety sensitivity, gender and negative interpretative bias on the perception of chest pain. Pain. 2004;111:209–217. [PubMed] [Google Scholar]

Vancleef LM, Peters ML, Gilissen SM, De Jong PJ. Understanding the role of injury/illness sensitivity and anxiety sensitivity in (automatic) pain processing: an examination using the extrinsic affective simon task. J Pain. 2007;8:563–572. [PubMed] [Google Scholar]


[1] Filosofia. Conjunto das atividades imanentes à vida (pensamento, afetividade, sensibilidade etc.), entendidas como manifestações de uma substância (Spinoza) autônoma ou parcialmente autônoma em relação à Materialidade do corpo.    

Dimas L. Castro, Nascido em Taubaté em 22/08/48 Pseudônimo: Dimas Brito. Formado em Eletrotécnica pela Politécnica em SP. Terapeuta holístico. Cursos ministrados na área da dor Orofacial.  Formado em Eletromedicina e Magneto terapia pelo CEAO. Centro de Estudos Avançados de Odontologia) SP. Formado em DTM – Dor e Reabilitação Oral pelo NEAO. (Núcleo de Estudos Avançados de Odontologia) RJ. Formado em Hipnotrônica e Alfagênia pelo CEAO. Membro efetivo da Pyerre Fauchard Academy. (França). Trabalhos e projetos científicos odontológicos publicados.

Os artigos publicados, por colunistas e articulistas, são de responsabilidade exclusiva dos autores, não representando, necessariamente, a opinião ou posicionamento do Factótum Cultural.

Factótum Cultural Ver tudo

Um Amante do Conhecimento e com o desejo de levá-lo aos Confins da Galáxia !!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: