Ir para conteúdo

Há 203 anos, nascia Karl Marx: ‘antes de tudo, um revolucionário’

O comunista Karl Marx em retrato fotográfico colorido

Sendo um dos mais importantes — e polêmicos — pensadores da história, sua teoria influencia ideologias até os dias atuais

Em 5 de maio de 1818, o mundo recebia um dos expoentes mais importantes do campo da sociologia, na Prússia; nascia Karl Marx, referência em diversos campos relacionados ao cotidiano.

Sua construção como teórico do comunismo banhou novos ideais no campo da economia, filosofia e, como consequência, da história da humanidade pela contribuição de um molde pautado na moralidade, avaliando a luta de classes na sociedade capitalista como um foco para a dominação das elites.

Hoje, suas teorias e pensamentos sobre o mundo ainda influenciam diversas visões de mundo, do próprio marxismo a outros movimentos que incorporam novos princípios aos conceitos de Marx. Nessa mesma proporção, críticas e controvérsias sobre a ideologia continuam a ser realizadas e difundidas.

Manifestação usa imagem de Marx para defender socialismo / Crédito: WIkimedia Commons

Período em vida

A data exata do falecimento de Marx é atribuía ao dia 14 de março de 1883, aos 64 anos. O revolucionário manifestava estar deprimido após a morte precoce de sua esposa, Jenny von Westphalen, que havia acontecido pouco tempo antes, em 2 de dezembro de 1881, acentuando seus problemas de saúde devido à frágil situação em que se encontrava.

Ao longo de sua vida, o tabagismo e o álcool, além de sua indisciplina na carga de trabalho, muitas vezes varando noites, fizeram com que ele tivesse uma condição física muito precária. O falecimento de Jenny fez com que isso piorasse, e ele passou a ter problemas com bronquite e pleurisia.

O comunista foi enterrado no cemitério de Highgate, em Londres, na Inglaterra, como apátrida. Isso aconteceu devido às inúmeras vezes em que foi expulso de países, principalmente devido às polêmicas que escrevia e difundia na Europa durante toda sua trajetória de vida. Bélgica, França e Prússia foram algumas dessas localidades.

Legado da obra

Seu óbito, não serviu como um ponto final; 138 anos mais tarde, a figura mitólogica enaltecida pela sua obra continuou sendo uma referência; no ano de 2005, quase 20 anos depois da queda do Muro de Berlim — marco do fim da Alemanha Oriental —, o filósofo venceu uma enquete da emissora britânica BBC como o maior filósofo de todos os tempos, conforme noticiado pela Folha de S. Paulo.

Contudo, no período após a morte, não era famoso para tal deslumbre. Apenas alguns de seus amigos mais próximos compareceram ao seu velório, como o indispensável Friedrich EngelsWilhelm Liebknecht. Em seu discurso sobre o camarada, que foi sua dupla em diversos textos, afirmou que “Marx era, antes de tudo, um revolucionário”.

Pintura ilustra feição de Karl Marx em biblioteca / Crédito: Wikimedia Commons

De acordo com o jornal socialista alemão Der Sozialdemokrat, Engels disse em seu pronunciamento: “No dia 14 de março, as quinze para as três da tarde, o maior pensador vivo deixou de pensar. Ele ficou sozinho por apenas dois minutos e, quando voltamos, o encontramos em sua poltrona e foi dormir pacificamente — mas para sempre”.

“Uma perda imensurável foi sustentada pelo proletariado militante da Europa e da América, e pela ciência histórica, na morte desse homem. A lacuna deixada pela saída desse espírito poderoso logo se fará sentir em breve”, completou.

Ao crescer numa época em que o mundo estava mudando a uma velocidade alucinante, Marx acabou se tornando um arauto da transformação. Em vez de rabino, virou filósofo, economista e agitador político, criando praticamente sozinho a ideia de que o capitalismo carregava dentro de si as sementes da autodestruição.

Perseguido e muitas vezes ignorado, o comunista morreu ainda com seu prestígio em ascensão — um prestígio que logo se transformaria em absoluta idolatria entre quase todos os partidos de esquerda do mundo.

Suas ideias ainda circulam de maneira intensa. Seus livros mais famosos, como o Manifesto do Partido Comunista e os inúmeros volumes de sua obra prima, O Capital, também são publicados em novas versões. No entanto, o fracasso de países que tentaram implantar seus ideais leva muitos a questionarem seu real legado nos dias de hoje — o autoritarismo e a brutalidade praticados pela União Soviética, por exemplo, contribuíram para o declínio da ideologia.

Entre suas principais contribuições, está a criação de conceitos como mais-valia, ditadura do proletariado e o fetichismo da mercadoria. A luta de classes entre a burguesia e o proletariado, assim como a abolição da propriedade privada, eram aspectos intrínsecos a análise materialista da sociedade desenvolvida por Marx e Engels.

+ Saiba mais sobre o tema por meio das obras a seguir:

Do socialismo utópico ao socialismo científico, Friedrich Engels (2011)

Utopia, Thomas More e Denise Bottmann (2018)

O Manifesto do Partido Comunista, Karl Marx e Friedrich Engels (2019)

Princípios Básicos do Comunismo e outros textos, Friedrich Engels (2014)

O Capital [Livro I]: crítica da economia política. O processo de produção do capital, Karl Marx (2017)

Aventuras na História. 5.5.2021.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: