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Não tente

Por Mariana Rosa

Pessimista demais para um artigo de (ainda) início de ano? Espere até saber que esta frase está na lápide de um velho safado (não fui eu quem dei esse apelido para ele), chamado Henry Charles Bukowski Jr.

Para o epitáfio de um poeta que perseguiu 50 anos incansavelmente o sonho de ser escritor, mesmo quando rejeitado, envergonhado, criticado, menosprezado, humilhado e tudo de ruim que uma carreira possa significar, até que ele tentou bastante.

Fico imaginando se um momento eureca tomou ele de assalto em seu leito de morte, como se em um último fôlego desesperado, ele quisesse alertar quem fica, de que o esforço é inútil e o mundo é cruel.

No entanto, existe algo muito suspeito, consta em sua lista de defeitos muitas (mesmo) características desprezíveis (que somos nós pra julgar né?), exceto que ele era um covardão.

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Muito pelo contrário, ele foi um símbolo de resistência.

Este cínico, é o professor da coragem. Sob seu olhar, aplicação de uma dose cavalar de sinceridade que seus amigos, familiares e companheir@, jamais puderam fazer por você. Tem muita gente disposta a interpretar esse cara do jeito errado, talvez para se previnir da dor, daquilo que só cabe ao íntimo de cada um controlar e ainda sim não conseguimos: nossas próprias vidas.

Para ele, só existem dois tipos de pessoas, fortes e fracas.

No artigo dessa semana, quero ajudar a limpar a barra dele (como se ele precisasse ou quisesse), quero falar desse velho safado, que tanto me ensina sobre coragem, a 7 palmos do chão.

O que esse cara arrumou da vida?

Bukowski tentou demais: sobreviver a problemas no relacionamento, a pobreza, ao pai, as brigas nos bares, alcoolismo, maldades e humilhações. Embora tenha tido uma vida desgraçada, nada impediu que ele escrevesse por 50 anos consecutivos, ainda que o reconhecimento tenha chegado tarde na vida.

Em resumo, foi meio que isso que ele arrumou da vida, nunca tentou ser um escritor famoso, só se ocupou do seu ofício, escrever.

Em seu poema, “Role os dados”, eu consigo ouvir ele gritar: FAÇA ALGUMA COISA, de preferência, aquela que você gosta:

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Fim de namoros, casamentos, relações familiares, empregos e até a sanidade, pode ser o preço de tentar, não tão romântico como esperava? Pois é, isso significa que você vai precisar estar bem equipado para guerra, a verdadeira guerra santa.

Retomar aquilo que usurparam dentro do seu próprio reino, a sua voz. O convite de Bukowski, não é aquele que te desafia responder a pergunta, quem você é, mas, o que você gostaria de fazer da sua vida?

Não é sobre tentar se tornar algo, NÃO TENTAR, é simplesmente fazer.

A inércia é sorrateira, pode parecer inofensiva, protetora e muito amável, pronta para proteger das maldades lá fora, mas o preço desta dívida, chega com juros e correção. A conta não fecha.

Jiddu Krishnamurti: “Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente”

A única coisa que Bukowski fez da sua vida, foi escrever, perseguir obsessivamente a meta da ação. Nunca se adaptou a sociedade doente, e foi tido como louco. Defendeu os meios, em detrimento dos fins.

Enfim, para não tentar, você vai precisar de coragem; conviver com a vergonha, medo e apreensão do que poderão pensar sobre você, se não puder lidar com estes monstros, pare aqui.

A boa e a má notícia, é que independente da sua vontade, tudo mudo o tempo todo. Existem duas formas de se mudar um estado ou condição: por vontade própria (de forma proativa), ou por vontade do universo (de forma reativa).

Realizar uma mudança sem ter que ser empurrado por ela, é um convite muito mais gentil à transformação. 

Sem ganância e sem pretensão. Faça uma análise fria do passado, presente e perspectivas para o futuro, ajeite os pontos do caminho e FAÇA, o que você pode hoje.

Na real, não tente, cabe o significado que cada um quiser bem colocar: se te assusta o epitáfio de um bêbado e soa pessimista demais, tudo bem, se te inspira, tudo bem também, para todos os casos: 

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Por Mariana Rosa. Linkedin. 23.2.2021.

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