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Precisamos de exemplos, não de mitos

Por Berenice Gehlen Adams

A importância da Educação Ambiental - Meio Ambiente

Hoje é mais um dia no qual penso, cá com os meus botões – só que desta vez penso, também, que eles dialogam comigo. Assim, meus botões resolvem, finalmente, falar. Eu começo:

— Não é de hoje, meus caros botões, que me dedico à escrita, e esta é uma das coisas que mais gosto de fazer. Já tenho uma boa quilometragem de páginas espalhadas em periódicos, revistas, livros, porém, as temáticas que embasam o que escrevo andam bem cansadas de provocações.

Aí, o botão, que fica lá perto da minha barriga, fala:

— Veja bem, o importante é ser persistente, não desistir, jamais!

Olhei para ele com ar de agradecimento pelo incentivo.

Prossegui:

— Durante a minha vida inteira trabalhei com educação. A educação levou-me para o caminho da educação ambiental que, por sua vez, me revelou que nada se aprende sem que se vivencie, sem que se conheça, sem que se experimente, sem que se explore, sem que se vasculhe bem, sem que se pesquise, sem que se perceba cada aprendizado com todos os sentidos envolvidos, para que possamos reconhecer o Meio Ambiente, não como algo fora da gente, mas sim, algo do qual somos parte integrante…

Aí, o botão mais próximo do meu pescoço me interrompe:

— Sim, é como quando se aprende a dirigir. Primeira, segunda, terceira marchas, freio, pisca-pisca, direção, ignição… Apenas saber como funcionam e para que servem os equipamentos de um carro, não indica que o saibamos dirigir.

Ele silencia, orgulhoso da sua comparação um tanto mecânica para um assunto tão complexo, e fica pensativo como eu.

— Chata esta conversa, heim! Cochicha um botão mais de baixo para outro.

Despreocupada em agradar a todos os meus botões, prossigo:

— Sempre escrevi sobre acontecimentos que incomodam o Meio Ambiente, de uma forma geral, desde os anos 90, quando comecei a compreender que tudo está conectado entre si. Porém, caros botões, isso mudou nos últimos tempos, porque escrever sobre o Meio Ambiente tornou-se um ato, digamos, subversivo. De uns tempos para cá, algumas pessoas começaram a retrucar, e até a me falar mal alardeando que eu estava sendo contra o governo. Ora bolas! Isso começou a me cansar e ai… Nem bem terminei de falar, o botão mais próximo do coração falou:

— Não liga não, segue em frente. Imagina se todo mundo desistisse de escrever por falta de compreensão de quem lê.

Pensei na hora: “Mas estas pessoas que me criticam nem sequer se dão ao trabalho de ler e seguem logo retrucando”, porém, só pensei, nem falei.

— Bem, é hora de deixar vocês em paz, queridos botões. Prossigo minha reflexão comigo mesma a partir de agora.

Deixei os botões quietos, mas as palavras continuavam pulando, saltitando, querendo sair dos meus pensamentos. É bem o que se sente quando a gente precisa desabafar. E este texto nada mais é do que um desabafo, e dos grandes!

Lamentavelmente a Educação do País está à míngua. A Educação Ambiental então, nem se fala. Ainda bem que tem muita gente aguerrida e que não desanima, vai lá e faz o que deve ser feito, independente das enormes barreiras que se agigantam na nossa frente, e isso me traz de volta o ânimo que, por vezes, foge de mim.

O mundo todo fervilha rancor, queima, adoece, e as maldades parecem emergir todas ao mesmo tempo! Animais, plantas, pessoas morrem, e justamente as pessoas escolhidas e que têm o poder de mando para organizar, gerenciar, coordenar, incentivar, promover ações para que todos possam viver com dignidade e qualidade (penso que isto seja o significado de governar), tornaram-se, com raras exceções, apenas números, e números que favorecem poucos, pouquíssimos, prejudicando, assim, muitos, muitíssimos.

Ah, mas o elixir para resolver estes problemas sistêmicos criados pela politicagem está, exatamente, nas raras exceções. Aqui vai uma – entre outras tantas que existem – e que descobri há pouco tempo. Trata-se do Prefeito de Colatina, um município localizado no interior do Espírito Santo. Assisti a um vídeo dele e meu queixo caiu com o relato das suas ações para colocar a cidade em ordem, cidade esta que ganhou visibilidade mundial. Dá uma pesquisada sobre ele e tira as tuas próprias conclusões, pois a conclusão que eu cheguei, ao final deste desabafo, é a de que nós não precisamos de mitos, mas sim, de exemplos.

Resolvo, então, seguir o conselho de um dos meus botões:

— O importante é ser persistente, não desistir, jamais!

Berenice Gehlen Adams, Produtora da Apoema Produções Paradidáticas Ltda.; Editora da revista virtual Educação Ambiental em Ação; Pedagoga com especialização em Educação Ambiental Novo Hamburgo – RS. Áreas de interesse: Educação e Meio Ambiente. E-mail: bereadams@gmail.com

Os artigos publicados, por colunistas e articulistas, são de responsabilidade exclusiva dos autores, não representando, necessariamente, a opinião ou posicionamento do Factótum Cultural.

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Um Amante do Conhecimento e com o desejo de levá-lo aos Confins da Galáxia !!!

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