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Do casamento fracassado a prisão pela sexualidade: 5 curiosidades sobre a triste vida de Oscar Wilde

O escritor irlandês Oscar Wilde
O escritor irlandês Oscar Wilde – Wikimedia Commons

O autor bissexual teve um imenso sofrimento causado simplesmente pelo seu amor a outro homem — e as consequências disso o acompanharam até o fim

Muitas figuras históricas, cujos legados se tornaram cada vez mais importantes, fizeram parte da sigla LGBT. Mesmo que tentassem viver conforme suas sexualidades e identidades, inúmeras delas sofreram com as represálias impostas tanto pelo Estado quanto por indivíduos próximos, dependendo do local e do período.

Oscar Wilde foi um dos mais relevantes escritores do século 19 e seus escritos continuam sendo lidos até os dias de hoje. Sua vida, porém, foi repleta de sofrimento, envolvendo, principalmente, sua bissexualidade e a vontade de viver um amor visceral que mantinha com outro homem.

Confira a seguir 5 curiosidades sobre a triste vida de Oscar Wilde:

1. Casamento fracassado

Pode até ser que Oscar Wilde e Constance Lloyd tenham se amado no começo de seu relacionamento, mas isso acabou se esvaindo com o tempo, chegando até mesmo no fim anos depois. Os dois se casaram em maio 1884 e tiveram dois filhos nos próximos dois anos depois da união. A verdade, porém, é que eles estavam se afastando cada vez mais.

Especula-se que, depois do nascimento do segundo herdeiro do casal, eles não tinham não tinham mais nenhuma relação íntima entre eles. A coisa piorou ainda mais depois que o escritor irlandês conheceu quem viria a ser o verdadeiro amor de sua vida. A partir daí, para contornar os questionamentos da mulher, justificava-se dizendo que a abstinência sexual vinha dos sintomas da sífilis que ele havia contraído quando jovem.


2. Amor à primeira vista — com problemas

Oscar Wilde e seu amado Lord Alfred Douglas / Crédito: Domínio Público

Como já dissemos, Wilde viria, ainda, a conhecer sua grande e maior paixão. Foi em junho de 1891 que o primo do poeta, Lionel Johnson, apresentou o autor britânico a Lord Alfred, chamado carinhosamente de “Bosie”. Ele tinha apenas 21 anos e era um poeta nascido no Reino Unido, enquanto o outro tinha 37 anos e uma carreira consolidada.

A atração foi instantânea e Alfred se tornou a maior inspiração de Wilde. No entanto, os dois tinham uma relação complexa e complicada. O jovem era muitas vezes descrito como mimado, imprudente, insolente e extravagante, gastando fortunas com homens e jogos de azar. Eles frequentemente brigavam devido aos problemas de convivência, terminavam o relacionamento e voltavam logo em seguida.


3. Sem apoio

Mas os problemas não eram causados somente pela convivência entre duas pessoas diferentes. Na verdade, eles eram hostilizados tanto pela lei britânica quanto pelo próprio pai de Alfred, o marquês de Queensberry. No Reino Unido, a homossexualidade era considerada crime, passível de prisão, o que já seria o suficiente para que o casal mantivesse o relacionamento no sigilo.

Para piorar, Queensberry não apoiava o relacionamento. Além de não aprovar o namoro, ele tentava dificultar o amor dos dois, difamando Wilde a todo o tempo e até mesmo ameaçando espancar donos de estabelecimentos em que o casal tivesse encontros. A situação era difícil para os amantes.


4. Prisão

John Sholto Douglas, nono Marquês de Queensburry / Crédito: Wikimedia Commons

Tudo o que é ruim ainda pode piorar. E foi isso que aconteceu com Wilde. Cansado da campanha difamatória do pai de seu amante, decidiu que iria processar o sogro, que foi detido pouco tempo depois da acusação do escritor. Mas o tiro iria sair pela culatra: o Marquês acabou dando a volta por cima e quem saiu como réu foi o próprio autor.

O marquês alegou à justiça britânica que o genro era um sodomita, tinha relações sexuais com mais de 12 meninos e que era, portanto, um risco à sociedade. Ele foi imediatamente preso e condenado em maio de 1895, sendo levado ao cárcere de Reading Gaol, na Inglaterra. A sentença foi dois anos de trabalhos forçados devido a sua sexualidade.


5. Triste fim

Os traumas vividos pelo escritor durante o cárcere não o abandonaram mesmo quando ele já tinha deixado a prisão, dois anos depois, em 19 de maio de 1897. As terríveis experiências vividas, assim como o sentimento de que seu amado o havia traído, perseguiram Wilde até o fim de sua vida.

Logo após ganhar sua liberdade novamente, mudou-se para Paris, na França. Lá, passou a usar o nome Sebastian Melmoth e começou a viver em um local muito humilde, em uma casa com apenas dois quartos. O autor produzia cada vez menos, mas nos poucos escritos que produziu, referia-se à homossexualidade como “o amor que não ousa dizer o nome”. Wilde morreu em 30 de novembro de 1900, aos 46 anos, devido a uma meningite repentina.

Aventuras na História. 30.8.2020.

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