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De 1984 ao Conto da Aia, conheça 12 ótimos livros sobre distopias

Homem usa máscara de Guy Fawkes
Na literatura mundial, as perspectivas de futuro da humanidade não são otimistas – mas rendem importantes narrativas e reflexões

Ainda é cedo para afirmar, mas a pandemia do novo coronavírus vem sendo apontada por analistas políticos como o fim – simbólico, é claro – do século 20: sem sabermos o que esperar para o futuro a curto e médio prazo, é difícil prever o que acontecerá com o mundo depois disso tudo. Na literatura, as distopias não trazem perspectivas otimistas para a humanidade.

De Philip K. Dick a Aldous Huxley, autores criaram narrativas fantásticas e, em alguns casos, terrivelmente atuais. Seja o controle religioso do Estado visto em O Conto da Aia, de Margaret Atwood, ou o embate entre humanos e robôs presente em Eu, robô, de Isaac Asimov, as previsões não são muito animadoras – mas os livros são excelentes.

Metrópoles selecionou 12 títulos para os interessados no assunto. Veja:

A máquina do tempo, H. G. Wells

A primeira descrição literária de viagem no tempo foi feito po H. G. Wells em seu A máquina do tempo, publicado em 1895. O livro conta a história de um cientista inglês que parte para o ano de 802701: ali, ele descobre que todo o sofrimento da humanidade foi transformado em beleza, felicidade e paz na forma dos Eloi, uma espécie que descende de seres humanos.

Eles têm, no entanto, medo dos Morlocks, um povo inimigo que vive no subterrâneo. Quando a máquina do tempo some, o cientista se vê obrigado a explorar as profundezas do subsolo para reaver a própria invenção e voltar para casa.

Nós, de Evgueny Zamiatin

Muito antes de 1984, de George Orwell, o russo Evgueny Zamiatin publicou Nós, uma grande inspiração para distopias que ainda seriam publicadas no século 20. O livro é o relato de um cientista que vive em um Estado totalitário. O livro denuncia atitudes típicas deste tipo de governo como violação de direitos individuais, corrupção de relações humanas, controle do livre pensar e agir, além da destruição da criatividade e da arte de quem pensa diferente.

Admirável mundo novo, de Aldous Huxley

Um clássico literário, Admirável mundo novo traz um futuro em que seres humanos são gerados em laboratórios e seguem normas sociais estabelecidas pelo Estado. O livro traz uma sociedade dividida em castas de acordo com as características biológicas de cada um, definidas no nascimento dos bebês. As famílias não existem mais, e conceitos como o amor, que podem desestabilizar o trabalho e produtividade de um indivíduo, são mal vistos.

1984, de George Orwell

Outro clássico sobre Estados totalitários, 1984 criou a expressão “Big Brother”, um sistema de vigilância do governo e das classes altas para controle dos cidadãos. O Grande Irmão está sempre em guerra e investindo em inteligência e armamentos, reduzindo o acesso à educação e renda de pessoas mais vulneráveis.

Laranja Mecânica, de Anthony Burgess

Passado em uma Inglaterra futurista, este livro de 1962 conta uma história de violência juvenil, em que Alex, o protagonista, conta as próprias aventuras violentas e, num segundo momento, o tratamento de choque imposto pelo Estado para tentar “consertá-lo”. O livro foi a base para o filme homônimo de 1972, dirigido por ninguém menos que Stanley Kubrick.

O conto da aia, de Margaret Atwood

A própria Atwood não chama o livro de distopia, mas de “ficção especulativa” – de fato, muitos eventos descritos no livro aconteceram ou acontecem em muitos lugares no mundo, como perseguição a minorias religiosas, controle de liberdade de expressão e dos corpos femininos, além de punições físicas para crimes.

O livro foi publicado em 1985, virou série e, recentemente, a autora lançou uma continuação. O livro Os Testamentos, lançado em 2020, é passado 15 anos depois dos eventos descritos no primeiro volume e, segundo Atwood, a inspiração vem principalmente das perguntas dos leitores sobre o universo criado por ela. “Quase tudo. A outra inspiração é o mundo em que estamos vivendo”, afirmou.

A revolução dos bichos, George Orwell

A fábula futurista escrita por George Orwell é uma ótima sátira ao governo Stalin e à utopia socialista. Na narrativa, o autor imagina uma revolta de animais de uma fazenda contra a exploração do homem. Tendo os porcos como líderes, os bichos tentam criar uma sociedade melhor, mas acabam reproduzindo o comportamento corrupto dos homens, que cresce de maneira insidiosa em regimes totalitários.

V de Vingança, de Alan Moore e David Lloyd

Passada em uma Inglaterra governada por um governo fascista, esta graphic novel conta a história da revolta da população contra um Estado policial autoritário, liderada por um revolucionário apaixonante – e terrivelmente violento. O livro foi a base para o filme de 2005, estrelado por Hugo Weaving e Natalie Portman, é um clássico.

O homem do castelo alto, de Philip K. Dick

E se os nazistas tivessem ganhado a guerra? Ao se fazer essa pergunta, Philip K. Dick criou uma história assustadora, que mistura ficção científica e romance filosófico. O livro traz os Estados Unidos divididos entre Alemanha e Japão, em uma vivência cotidiana próxima demais da realidade.

Battle Royale, de Koushun Takami

Considerada uma versão para adultos da trilogia juvenil Jogos Vorazes, Battle Royale é tão violento que foi desclassificado do Japan Grand Prix Horror Novel, concurso literário voltado para histórias de terror. O livro envolvente traz a história de um jovem num Estado totalitário na Ásia, obrigado a participar de uma competição com outros adolescentes: na arena, as crianças devem lutar até sobrar apenas uma viva.

Fahrenheit 451, de Ray Bradbury

Conceitualmente, esta distopia já está perto demais da realidade: em Farenheit 451, os livros são proibidos e queimados, e a população é alienada por programas interativos transmitidos por imensas telas de televisão. O personagem principal, Guy Montag, é um bombeiro cuja função é queimar volumes e mais volumes de literatura.

Eu, robô, de Isaac Asimov

O livro de contos tem nove histórias que envolvem a evolução dos robôs ao longo dos anos – e sua relação com os humanos. Asimov é o inventor das chamadas três leis da robótica, sendo a primeira a mais famosa: um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal. O pressuposto e suas contradições são a força motriz dos conflitos que aparecem nas histórias.

Metrópoles. 19.8.2020.

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