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Kant, Nietzsche e Scooby-Doo em você

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Quando pequenos, alguns de nossos piores pesadelos são aqueles em que monstros nos visitam, fazendo suas monstruosidades e nos assustando a ponto de termos que invadir o quarto da mãe buscando amparo. Ah, se fôssemos tão corajosos ou soubéssemos lidar com o medo de forma tão divertida quanto Fred, Daphne, Velma, Salsicha e Scooby-Doo, nossos companheiros de mistérios da manhã antes de irmos para a escola. Como alguém se torna destemido? Como alguém entende inteiramente sua função num grupo ou suas qualidades diante uma adversidade? Como se questiona um medo? Como ter a calma necessária para tentar entender o que nos assusta? Como não se mijar todo quando nossos piores temores ameaçam se tornar realidade?

Immanuel Kant foi um filósofo prussiano, autor de uma vasta obra que questiona a política, o pensamento racionalista, as formas de governo e procurou determinar os limites da razão humana. Uma de suas frases mais conhecidas é “To be is to do”, que traduzido fica “Ser é fazer”.

Friedrich Nietzsche foi um filósofo e poeta prussiano cuja obra – também vasta – busca questionar valores ocidentais como Deus, Sentido, Verdade, Beleza, Produção e Justiça, exigindo que o leitor busque a origem desse valores ao invés de apenas aceitá-los. Uma de suas frases mais conhecidas é “To do is to be”, que traduzido fica “Fazer é ser”.

Então, segundo Kant, o que somos é o que fazemos. Se fizermos monstruosidades, somos monstros como os vilões dos episódios de Scooby-Doo. Mas Nietzsche diz que só fazemos se formos, o que complica um pouco as coisas porque monstros não existem na vida real. Scooby e seus amigos nos ensinaram que os monstros, na verdade, são sempre seres humanos, com medos, vontades, qualidades e defeitos, como nós.

O paradoxo do ser/fazer é resolvido pelo bordão clássico do dogue alemão que come biscoitos com seu dono. “Scooby Do Be Do”. Scooby faz, é, faz, e assim sucessivamente. Ele vence os monstros porque é bom e quer vê-los longe, assim como os monstros que só são desmascarados porque não eram reais, estavam fadados ao fracasso por não serem quem diziam ser.

Então nossos medos não existem?

Crescemos e entendemos que nossas falhas, nossos receios, nossos medos é que nos tornam fortes. Se somos fortes é porque tememos, sabemos do valor do nosso bem-estar. Então enfrentamos, nos tornamos destemidos porque é quem somos. Não importa se dirigimos uma van descolada, se somos grandes líderes, investigadores, malucos-beleza ou se temos um cachorro. O que importa é que, apesar do que temos ou deixamos de ter, somos e fazemos.

Tico Menezes. Obvious.

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Um Amante do Conhecimento e com o desejo de levá-lo aos Confins da Galáxia !!!

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