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Grupo estuda supostos contatos entre humanos e ETs na América Latina

Pesquisadores entrevistam um suposto contatado por extraterrestres  - Arquivo pessoal/ Júlio Cesar Acosta-Navarro
Pesquisadores entrevistam um suposto contatado por extraterrestres Imagem: Arquivo pessoal/ Júlio Cesar Acosta-Navarro

Será que estamos sozinhos no universo? Em algum momento, é provável que até mesmo o mais cético dos seres humanos já tenha feito essa pergunta. Os últimos eventos relacionados ao avistamento de objetos voadores não identificados têm intrigado o mundo: em abril, o Pentágono admitiu a existência de arquivos em vídeo de pilotos da Marinha dos Estados Unidos, em uma perseguição a objetos voadores não-identificados. Apesar da repercussão, em 14 de maio, um novo relatório foi divulgado sem cravar algo sobre extraterrestres, segundo a CNN.

Supostos contatos com extraterrestres vêm à tona há tempos. Mas será que é possível criar um meio para investigar se tais eventos são reais? É nesta fronteira da ciência que está a empreitada do peruano Júlio César Acosta-Navarro, 55, que há 40 anos se interessa por ufologia e fenômenos relacionados aos contatos de quinto grau (em que há contato imediato de humanos com seres extraterrestres).

Navarro mora no Brasil há 23 anos e é doutor em cardiologia pelo Instituto do Coração da FM-USP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). Entre a dedicação aos pacientes e as pesquisas na área médica, está uma tarefa igualmente trabalhosa e nada convencional, a que se dedica fora dos consultórios: em 2011, fundou a Academia Latino-Americana de Ufologia Científica. Em conversa com TAB, ele detalhou as etapas de suas investigações sobre vida extraterrestre.

“A Academia conta com 26 membros. Entre eles, físicos, psicólogos, jornalistas, advogados e uma série de profissionais que têm como denominador comum o estudo da ufologia”, comenta Navarro. O levantamento foi usado, em 2016, para a publicação de um artigo na revista científica World Journal of Research and Review, analisando 72 casos de indivíduos que supostamente teriam tido encontros com seres de outros planetas. Destes, 47 foram classificados como baixa probabilidade e 25 com alta probabilidade de terem sido encontros reais.

“Os participantes respondem a 90 perguntas, além de passarem por 12 critérios que são ferramentas de validação do pesquisador — sendo seis objetivos e seis subjetivos. Ainda assim, o entrevistado precisa convencer dois pesquisadores entre três para o caso ser considerado de alta probabilidade, de acordo com o método que criamos”, explica.

O tempo médio de análise de cada caso é de três meses, mas houve ocasiões específicas em que a investigação se estendeu por cerca de cinco anos. Entre alguns dos critérios para avaliar a veracidade dos encontros, estão consistência e ausência de contradições, coerência e lógica, presença de testemunhas no evento, presença de evidências físicas como fotografias, filmes, objetos e presença de evidências corporais como lesões, cicatrizes ou implantes.

“Em ocasiões em que as pessoas que teriam feito um contato de quinto grau já faleceram, tanto o estudo quanto a entrevista são feitos com familiares ou amigos — e acompanham análises de notícias em que são checadas a narrativa, de acordo com o acontecimento, seguindo os critérios do estudo”, explica o ufologista ao TAB.

Do capitalismo à dieta vegetariana

Além da investigação sobre a veracidade dos casos, o projeto envolveu a tabulação de informações da comunicação, motivação da visita dos seres e a origem de cada um deles. Entre os 25 casos com alta probabilidade, pelo menos 18 receberam informações sobre organização econômica ou social, “com teor crítico ao nosso sistema capitalista”, comenta Navarro.

Entre outros pontos que chamam a atenção nos contatos estão menções sobre o vegetarianismo como dieta recomendada por esses visitantes. Dos 19 entrevistados que citam revelações sobre hábitos alimentares, o vegetarianismo é observado em 16 deles. Já os motivos das visitas envolvem estudo, exploração, missão, alerta para humanidade, perigo de risco nuclear e até “despertar da consciência”.

Oficialmente, no campo científico, não é possível dizer que extraterrestres ou discos voadores de fato existam — mas é com experiência acadêmica que Júlio César Acosta-Navarro cria muitos dos estudos que fazem parte do seu projeto “Final Contact Project”, que tenta trazer uma abordagem racionalizada e baseada em método científico para entrevistar pessoas que afirmam ter tido contatos imediatos.

Mais da metade dos entrevistados (66%) se concentram na América Latina. Entre eles está o escritor e pesquisador de ufologia peruano Sixto Jose Paz Wells, 64, que afirma ter tido contato com seres extraterrestres e ter adentrado em espaçonaves. “Subi no interior das naves desses seres, entrei por portais dimensionais.”

Academia Latino-Americana de Ufologia Científica faz palestra em plenário da Câmara Municipal de São Paulo  - Arquivo pessoal/ Rose Castro
Academia Latino-Americana de Ufologia Científica faz palestra em plenário da Câmara Municipal de São Paulo Imagem: Arquivo pessoal/ Rose Castro

“Sei que a ciência ainda não confirma a presença de vida inteligente fora da Terra porque não conseguiu, até o momento, comprovar esse fato”, diz ao TAB Rose Castro, 58, professora universitária de jornalismo que faz parte da Academia Latino-Americana de Ufologia Científica.

“Independentemente de tudo isso, para mim o que importa é que já li, vivi e conheci o suficiente para me convencer de que realmente há vida inteligente fora da Terra”, afirma Castro — que participa do grupo desde 2015 e, agora, assume o papel de pesquisadora em novos supostos casos de contatos.

Atualmente, por causa da pandemia de Covid-19, o grupo opta por fazer reuniões online a cada 15 dias. Entre os assuntos debatidos nos encontros estão os estudos de casos, debates da ufologia de forma geral e apresentações de especialistas convidados.

“As diferenças entre a ufologia e a ciência são muito claras. Ainda que os ufólogos tenham congressos, revistas e publiquem artigos com suas pesquisas, há algo fundamental na ciência que falta a eles: a validação do conhecimento por uma rigorosa análise crítica dos pares, o que é radicalmente diferente das formas de conhecimento ufológicas baseadas no testemunho dos que avistaram extraterrestres — ou indícios deixados por supostas naves alienígenas”, opina Rafael Antunes Almeida, doutor em antropologia, em entrevista ao TAB.

O especialista também lembra que há pesquisadores tentando provar a existência de vida fora da Terra com base em pesquisas científicas. “Este é o caso, por exemplo, dos astrobiólogos — que se perguntam pelas condições que permitem que a vida ocorra no Universo. Um dos ramos de estudo da astrobiologia é a pesquisa com extremófilos (organismos que conseguem sobreviver em condições de temperatura, pressão ou salinidade consideradas muito adversas, nunca vistos na Terra). Eles poderiam servir como ponto de partida para a pesquisa sobre a possibilidade de vida fora da Terra.”

TAB, UOL. 01.06.2020.

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