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Falsas promessas e perseguições: como Adolf Hitler enganou toda uma nação

Adolf Hitler de costas, olhando para o exército da SS
Adolf Hitler de costas, olhando para o exército da SS – Getty Images

Com uma reputação programada e uma ideologia inquisidora, o governante alemão guiou seu povo por um caminho de mentiras

Um dos mais poderosos pilares do Terceiro Reich na Alemanha foi a propaganda nazista. Pensada por verdadeiros marketeiros, como Joseph Goebbels, as peças alemãs tinham como objetivo disseminar as ideias defendidas por Hitler.

Nem mesmo o próprio líder alemão escondia seu apreço pelas propagandas criadas durante o regime instaurado na Alemanha. A relação íntima entre Hitler e o universo propagandístico, inclusive, não nasceu na Segunda Guerra Mundial.

Muito mais do que peças desenvolvidas para guiar o povo, a propaganda alemã era usada como uma arma e, por anos, moldou a forma de pensar da época. Seja pelas mãos de Hitler, ou por jornais comprados, algumas narrativas foram criadas.

O líder da Alemanha nazista Adolf Hitler / Crédito: Divulgação

Uma história diferente

Durante toda a Segunda Guerra, Hitler foi vendido como sendo um verdadeiro herói alemão. Das mansões aos becos, o mandante era visto como um militar estratégico, condecorado e mais do que capaz de guiar seus exércitos nas batalhas.

Antes o conflito mundial, no entanto, Adolf era descrito de uma forma bastante diferente. Na verdade, quando mais jovem, o cabo nem chegava perto das linhas de batalha e trabalhava como mensageiro para o 1º Regimento de Infantaria da Bavária.

Valente e ousado segundo a propaganda nazista, o Hitler da Primeira Guerra Mundial era tido como solitário por seus companheiros e mal sabia manusear uma arma de fogo. Por isso, inclusive, sofria represálias de outros militares.

Nascido em 1889, Adolf foi um aluno medíocre, adorado por sua mãe e aspirante a pintor ou arquiteto. Seus planos, no início, nunca rodaram em torno do exército, muito menos da vida militar. 

Adolf Hitler (a direita) ao lado de outros soldados na Primeira Guerra Mundial / Crédito: Getty Images

O começo de uma nova carreira

Ao fim da Primeira Guerra Mundial, o mensageiro viu-se livre do conflito, mas já não queria mais deixar os campos de batalha para trás. Assim, quando foi convocado novamente, viu uma segunda chance aparecer na sua frente.

Após a eclosão da Revolução Bolchevique, diversos setores da Alemanha tentaram instaurar uma revolução na nação, entre 1918 e 1919. De repente, o país estava dividido entre esquerda e direita e um novo comando fora criado em Munique.

Com um ambiente político desequilibrado, um departamento de informação foi criado, a fim de influenciar a sociedade civil e outros partidos. Soldados foram enviados para salas de aula, onde aprenderam a ideologia que logo deveriam ensinar.

Nesta leva de militares treinados como ativistas políticos estava Adolf Hitler, jovem que pegou gosto pela coisa. Agindo secretamente, os soldados eram responsáveis por infiltrar suas ideologias na sociedade e, assim, moldar a opinião pública.

Hitler discursando no May Day / Crédito: Divulgação

Uma nova mentalidade

Com o mais recente cargo no pós-guerra, Adolf foi designado para reeducar soldados em campos de prisioneiros. Foi nesse momento em que a ideologia mais decisiva da história passou a ser cunhada pelo alemão, em setembro de 1919.

De repente, sem quaisquer precedentes, Hitler viu nos judeus um grande inimigo. Nos religiosos, ele enxergava líderes oportunistas que só pensavam em ganhar dinheiro. Assim, judeus não mais deveriam ser tratados como pessoas, mas sim uma doença que precisava ser erradicada — ele os considerava uma “tuberculose racial”.

Para que fosse ouvido, então, Hitler criou um modelo de propaganda nunca antes visto que, de certa forma, definiu os eventos futuros. A persuasão tomou conta e mitos foram criados pelo homem que caçava um inimigo inexistente.

Hitler discursando ao lado de Joseph Goebbels / Crédito: Divulgação

Tudo piorou quando Adolf percebeu o poder dos impérios capitalistas. Para ele, os alemães viraram vítimas de um mal que estava tomando conta do mundo. Assim, a perseguição dos judeus, que também eram capitalistas e comunistas, começou.

Antes de toda essa crise, no entanto, o jovem Hitler não mantinha quaisquer desentendimentos com judeus. Ele foi até condecorado por um nos tempos de mensageiro. As ideias anti-semitas apenas surgiram na propaganda — teóricos como Victor Klemperer e Hannah Arendt, por exemplo, o enxergam como um propagandista.

Os conceitos e ideologias de Hitler, no entanto, ganharam abrangência e foram acatados pela massa. Jornais se enfraqueceram, ao mesmo tempo em que as propagandas nazistas ganharam espaço no que ficou conhecido como Lügenpresse, ou Imprensa falsa — ou, para os mais íntimos, a famosa fake news.


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