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O que é ser um influenciador (digital influencers) nas redes?

Se tem algo que consegue mostrar o quanto a ascensão das redes sociais revolucionou várias áreas da nossa vida. é o digital influencer. Essa carreira, relativamente nova no mercado, deixa claro que quando estamos falando de curtidas, comentários, visualizações, estamos falando do reflexo daquilo que a sociedade está acompanhando ou rejeitando.

No entanto, em meio a inúmeras publicações, tentativas de engajamento, parcerias, publiposts, fica o questionamento: o que, exatamente, é ser um influenciador? Como é a rotina que acompanha essa profissão? Com isso em mente, conversamos com alguns especialistas no assunto, visando entender melhor as verdades por trás da carreira de um digital influencer.

Mas pegando o termo em sua raiz: digital influencer (ou, traduzindo literalmente, influenciadores digitais), basicamente, é a pessoa que detém o poder de influência em um determinado grupo de pessoas. Esses profissionais das redes sociais impactam centenas e até milhares de seguidores, todos os dias, com o seu estilo de vida, opiniões e hábitos.

É válido apontar que a ascensão do digital influencer ocorre de maneira diretamente proporcional ao aumento do consumo de informação e produtos na internet. E as marcas têm aproveitado esse momento para estar mais presente e mais próxima ao consumidor. Na prática, o influencer impacta e conquista seguidores e fãs, através da produção de conteúdo, além de usar as mídias digitais (no caso, costumeiramente o Instagram, o Facebook, o YouTube ou até mesmo o blog) como meio para entregar a informação.

É o caso de Evelyn Regly, que ostenta 4,9 milhões seguidores no Instagram, e 4,42 milhões de inscritos em seu canal homônimo no YouTube. Uma vez questionada sobre como é a sensação de transformar o hobby em uma carreira, a influencer afirma: “Eu amo o que eu faço. Quando eu tinha 15 anos ficava fuçando o computador que meu pai me deu com muita dificuldade e aprendi a programar sozinha. Ali eu já sabia que queira trabalhar na área de informática, redes etc. Trabalhar online em tempo integral é um prazer. Eu amo”.

Apesar de amar o seu trabalho, Evelyn reconhece desafios. “Um ponto negativo é a exposição. Mesmo que você não queria, às vezes precisa se pronunciar sobre coisas da sua vida pessoal. Faz parte. Para mim, a maior dificuldade é se manter íntegro em um meio onde a opinião é vendida muito fácil. Eu tento ser o mais transparente possível quando vou dar a minha opinião, e se achar que não devo, nem dou”, afirma.

E em questão de exposição, a influencer conta que já passou por uma situação na qual uma briga com amiga, também influenciadora, se tornou pública e enquanto não se pronunciou, o público não parou de cobrar uma reação dela. “Isso é muito ruim, é uma pressão muito grande. Nem sempre você quer falar naquele momento, nem sempre você quer falar sobre. Mas relevei. Hoje tenho mais cuidado como o que exponho, inclusive as amizades”, acrescenta.

De acordo com Evelyn, a rotina de um influencer é verdadeiramente intensa. “Se não se policiar, você dorme e acorda trabalhando. Eu me pego pensando em conteúdo criativo para a minha audiência o dia todo. Acordo lendo os comentários, o que as pessoas estão pedindo para que eu fale ou faça (como resenha de produtos, bate-papo com temas específicos etc). Respondo cerca de 5 mil comentários por dia, pois é importante que a gente se mantenha próximo do público que tem um carinho por você”, revela.

No entanto, a rotina cansativa acaba gerando bons frutos, segundo ela: “É muito gratificante. Além disso, produzo fotos e vídeos diariamente, para diversas plataformas, além de produzir conteúdo publicitário. Não tenho hora para parar de trabalhar, trabalho até quando acordo na madrugada… por isso, tento me policiar”.

Influencers sob os olhos do mercado

No entanto, há muito sobre os influencers que não temos o costume de acompanhar. São os bastidores dessa carreira, propriamente dito. Primeiro, é possível observar que a ascensão dos influencers gerou impacto em várias áreas da indústria. Mais do que a gente imagina, na verdade.

“Hoje, quando se pensa no lançamento de qualquer produto ou serviço, um fator sempre levando em consideração é como ele será aceito na internet e nas redes sociais. Ou até mesmo a pesquisa de mercado para tal muitas vezes é feita, em grande parte, por meio da internet e das redes sociais. O que temos visto, fortemente, é que não somente os influencers, mas todos os internautas passaram a ser considerados com maior peso”, explica Thábata Mondoni, CEO da agência de comunicação Mondoni Press.

Thabata ressalta que o comportamento do consumidor mudou e estará em constante metamorfose com a internet, e as marcas que não se mantiverem antenadas perderão espaço e até mesmo a oportunidade de faturar muito mais: “Conectividade, interação e multiplataformas são as palavras da vez e devem estar presentes no dia a dia de qualquer negócio. Um produto, hoje, não é mais apenas um produto. Ele é um post futuro que expressa preferências e personalidades de cada indivíduo. Por isso, deve ser pensado, em todos os detalhes, no consumidor que está online”.

Mas e no caso de contratar um influencer? Como é que funciona? Bom, segundo Thábata, os primeiros pontos a definir são as ações estratégicas com esses influenciadores. Assim, a marca deve ter em mente se será uma ação pontual ou seguirá por um período determinado, se usará um ou mais influenciadores, qual a mensagem que a marca deseja que eles passem através de suas redes sociais e se eles vão atingir o público-alvo.

“Tenho visto muitas marcas grandes errarem com suas ações. Gastam muito dinheiro, fazem eventos caros, mas quando os influenciadores chegam, nada acontece e não gera conteúdo para eles. Postar somente por postar não gera resultado. Uma ação estratégica deve contar uma história e substituir aquele publipost forçado — que tem no feed de todo influenciador — por um conteúdo mais atraente e sugestivo”, explica a CEO.

De acordo com Thábata, outros pontos de atenção são identificar se esse influenciador realmente influencia e se ele possui coerência com a marca contratante. “Muitos influenciadores têm um grande número de seguidores, mas não engajam as pessoas. Aliás, hoje, ter muitos seguidores não define o poder de um influenciador. Já aqueles que engajam, mobilizam as pessoas, têm autoridade ao ponto de fazer os internautas experimentarem novos produtos e marcas, esses sim são considerados Influenciadores de verdade”, revela.

Quem compartilha de um ponto de vista semelhante é a influencer Ana Tex, especialista em Marketing Digital com foco no uso de ferramentas digitais para aumentar vendas e visibilidade. “O ideal para o influenciador conquistar os olhares das marcas é mostrar que ele tem uma audiência engajada. Então nos posts que ele faz, existem pessoas engajadas? Nas lives que ele faz, existem pessoas engajadas? Quando ele faz um evento, as pessoas comparecem? Ele consegue mobilizar pessoas? É isso o que as marcas querem, independente do tamanho. Não precisa ser um grande influenciador, mas mobilizar pessoas em torno de uma causa “, aponta.

De acordo com a CEO da Mondoni Press, depois do boom dos influencers com centenas de milhares de seguidores, que passaram a cobrar de R$ 15 mil a grandes montantes de dinheiro por publicações, muitas empresas passaram a apostar nos microinfluenciadores e nanoinfluenciadores (cerca de mil seguidores), que mais se aproximam com pessoas comuns, do dia a dia. Isso porque o público na internet tem buscado cada vez mais pessoas com a quais se identificam, que possuem um estilo de vida parecido.

Aliadas a essa tendência, surgem também novas possibilidades de ações como, por exemplo, usar uma verba que seria investida em apenas 1 ou 2 influenciadores, para contratar diversos em regiões estratégicas. Algumas marcas chegam a pagar entre R$ 200 e R$ 500 (mês), mais o envio do produto, para cada nanoinfluenciador. “A admiração e referência são importantes, mas é preciso gerar uma identificação real. O público precisa ver algo e entender que aquilo também é possível e acessível para ele. Caso contrário, o principal objetivo de toda ação de marketing não acontecerá: a venda”.

Uma palavra muito utilizada quando se trata de influencers é engajamento. Utilizada em diferentes contextos, é uma referência ao modo como alguém se relaciona com algo. No caso das redes sociais, que popularizaram o termo, é também uma forma de entender o modo como o público interage com as marcas. Mas como funciona isso?

Para Thiago Valadares, especialista em comportamento digital e sócio-diretor da Agência Hiro, o principal fator que leva a um bom engajamento é a frequência nos posts e na interação. “Tão importante quanto postar, interagir com seus fãs é primordial. Curtir os comentários, responder, comentar nas fotos dos outros, interagir nos stories, enfim, tenha o máximo de diálogo com seus fãs, mostre que você viu e que se importa. Manter uma boa frequência, postando constantemente, vai ajudar você a crescer no mundo digital”, aponta o profissional.

Segundo Ana, as estratégias de engajamento dependem de cada mídia, mas no Instagram, por exemplo, a ideia principal é fazer conteúdos que as pessoas salvem, comentem e compartilhem, e isso faz com que a comunidade comece a engajar. “Então sempre pensar em criar conteúdo para gerar uma comunidade e através de causas e coisas que as pessoas estão buscando na internet. Essa é uma das melhores formas de gerar engajamento”, orienta.

Por outro lado, Ana relembra aquilo que os influenciadores não devem fazer: “O que pode levar o influenciador a perder muitos seguidores é a falta de autenticidade, e quando ele se posiciona de uma forma que o público não compreende. Já vi casos de pessoas que têm um discurso de ser vegano e foram pegas comendo carne, por exemplo. Então há falta de consistência naquilo que entrega”.

Thiago inclui que algo que não funciona para um influenciador é a polêmica. “Muitos influenciadores, para crescer e ganhar notoriedade, escolhem esse caminho, gerando polêmica, debatendo com os fãs e criticando quando possível. Esta estratégia é velha, dá resultado, mas pode se tornar uma grande ameaça, e tudo que foi construído pode ser facilmente destruído, seja por denúncias (assim você pode perder a conta) ou por ganhar um rótulo que depois será difícil de tirar”, conta.

Para quem deseja se tornar um influencer, Thiago recomenda primeiramente a pessoa saber sobre o que quer falar, algo que goste, que tenha domínio, que consiga produzir conteúdos de qualidade. A escolha da segmentação é outro ponto. Uma dica apontada pelo especialista em comportamento digital é seguir influenciadores semelhantes, achar bons conteúdos para se inspirar.

Thiago também acredita que a melhor maneira de se destacar é mostrar que tem conteúdo de qualidade para aquele segmento. “Antes, existia a era dos “fãs”, quanto mais, melhor. Hoje, é a era da credibilidade. Ou seja: melhor você ter 10 mil seguidores que gostem de você, que pertençam a uma tribo, que saibam dos seus gostos e te acompanhem, do que ter 1 milhão de seguidores e 800 mil serem avulsos”. Qualidade e não quantidade. As marcas querem isso agora”, disserta.

Quanto ganha um influencer?

Agora tocamos em um assunto muito interessante: números. De acordo com Thábata, é justamente por quantidade de seguidores e acessos que o influencer faz a sua carreira. Ela conta que todo influenciador deve tem um media kit (material de apresentação) contendo todos os números possíveis, inclusive de engajamento e estatística de público-alvo.

Com isso em mente, um grande influenciador chega a cobrar a partir de R$ 10 mil por publicação, e essa é uma média que pode chegar a valores bem maiores. Já microinfluenciadores (com cerca de 20 mil seguidores) cobram na faixa de R$ 1 mil, uma média que também pode variar. E tem os nanoinfluenciadores que cobram a partir R$ 200. No entanto, há muitos que aceitam postar em troca do próprio produto. Tudo vai depender da negociação.

No entanto, transformar as redes sociais numa carreira também pode ser um trabalho árduo. “Fazer sua página render dinheiro não é uma tarefa tão fácil. Vai exigir uma dedicação diária, periodicidade nas publicações e presença constante nos stories até conquistar um público que se engaje na página. Após identificar que possui esse público, o próximo passo será se apresentar às marcas. Tudo isso demanda tempo, disponibilidade e investimento. Depois, sim, é possível rentabilizar via posts patrocinados, presença em eventos, recebimento de produtos, apostar em marketing de afiliado ou até mesmo lançar um produto exclusivo”, finaliza Thábata.

CanalTech. 20.4.2020.

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