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A Palavra Viva

Por Daniel Vieira Maciel

Vivendo a palavra viva. – Igreja das Nações – IDN Joinville

No princípio era o verbo. Sim! No princípio era o verbo. Tomando distância do solo sagrado eclesiástico que ainda sustenta a necessidade da manutenção do mistério do incompreensível, quero sugerir, a partir desta máxima, a reflexão acerca da palavra viva.

Em seu Ensaio Psicológico Acerca da Dor, Emílio Mira y Lopez define brevemente, mas com muita nitidez, o processo retrospectivo-prospectivo qual a mente humana sã submete a realidade apresentada. Reagimos baseados na experiência (passado) por um propósito (futuro). Sendo o automatismo sistemático fator que estende o véu do pré julgamento sobre o presente.

Tendo sido aceita a lógica desse fato psíquico, podemos observar que a escolha de uma ou de outra palavra para o entendimento (introspecção), ou para a expressão (extrospecção), é carregada de sentidos próprios do sujeito. O que nos leva a camadas mais profundas da linguagem: significados e significação.

As palavras, conforme o sentido das codificações, são apenas molduras? São a pele sobre a carne? A pintura pode muito bem ainda estar solta no ar, guardada em algum móvel velho ou exposta ao relento, esperando conhecimento? Comunicar-se é difícil, quando levado a sério.

O universo da palavra viva aparenta ser a moldura e a pintura, em movimento contrário e contínuo, num momento indefinível no tempo, tangível somente ao sentimento frutífero que o revela. Sua compreensão está à mercê das capacidades dos seres viventes.

Desta compreensão: que a casca da palavra possui significado único, derivado da abstração humana, mas, emancipada. Retornamos a elas, às cascas, com cargas sentimentais, acumuladas na experiência empírica, para remodelar a figura preexistente à nossa imagem e dar continuidade ao processo autogestacional já discutido em Kant.

De fato complexo, sutil e delicado, o processo. Frágil, quando a coisa humana decide acreditar em uma realidade limitada e imutável. Sendo a imposição da imutabilidade das crenças uma possível causa de conflito e, indubitavelmente, o primeiro passo em direção ao delírio, aproximando a loucura: podendo, a ideia, sobrecarregada de afeto, estar em profundo desacordo com o meio.

Todos temos os nossos delírios e, de certa forma, são eles que preenchem nossas vidas e emprestam brilho, vividez, às nossas paixões. Eles permitem que o cerne do ser se expanda e se contraia através das mais distintas possibilidades de vivências imaginárias e confere, a essas possibilidades, estarrecedora realidade. Delírios, desde que não seja esquecido esse fato.

Nesse rumo, parafraseando Clarice Lispector: É que um mundo todo vivo tem a força de um inferno.

Daniel Vieira Maciel, estudante de Engenharia Ambiental e Sanitária, amante da literatura e administrador do Exclama Blog <https://exclama.home.blog>

Os artigos publicados, por colunistas e articulistas, são de responsabilidade exclusiva dos autores, não representando, necessariamente, a opinião ou posicionamento do Factótum Cultural.

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