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Não seja vítima duma relação perversa narcísica (com vídeo)!

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Resumo

A relação perversa narcísica é mais comum do que se pensa e não é só de agora. O que é que se entende por ”um relacionamento perverso narcísico”? O que há de perverso nesta relação? Quais são as características do perverso narcísico e quais são as da vítima? Quais são as astúcias que o perverso utiliza para seduzir a sua vítima e porque é que ela se torna efetivamente numa vítima? O que os leva a envolverem-se numa relação a longo prazo? No fundo o que é que o perverso pretende da sua vítima? Qual é quase sempre o desfecho desta relação? O que é que se passou com eles nas suas respetivas infâncias? Que outras situações na vida de uma pessoa podem levá-la a deixar-se seduzir por um perverso narcísico? Como estar atento para não cair nas suas “armadilhas”? Como é que os pais de hoje podem estar melhor preparados para que haja menos pessoas com estes perfis?

Convido-o a ler o artigo para obter respostas a estas perguntas e a outras mais.

Não seja vítima duma relação perversa narcísica!

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A relação perversa narcísica existe porque há uma relação com alguém que a permite e uma vez estabelecida é difícil de interromper. O perverso narcísico, que se encontra em termos psíquicos na fronteira da “loucura”, precisa mesmo de se envolver com alguém para projetar nela toda a sua parte humana desaprazível, a sua parte nefasta. Entretanto, o parceiro envolvido nesta relação possui as características, as fragilidades, necessárias que o perverso procura: desvalorização pessoal, insegurança, medo de ser abandonado, pouca ou nenhuma autoafirmação/autoestima. Possui também a fase infantil do pensamento mágico e a da idealização insuficientemente ultrapassadas, entre outras características possíveis. Às vezes é suficiente uma pessoa, mesmo sem nenhuma “fraqueza” psicológica, passar por um período momentâneo difícil da vida ou ter vivido uma deceção muito forte para cair na “sua teia” muito bem escondida e elaborada.

O termo perverso não tem aqui nenhuma conotação sexual. É uma relação perversa porque um deles assume o papel de pessoa boa (o perverso narcísico) e o outro a de pessoa má (a vítima) sem que se aperceba disso. São apenas papéis perversos. A vítima vai ser levada e insidiosamente forçada a colocar a máscara da pessoa má, de desprezível. Para o perverso não descompensar (convencido interiormente dos seus defeitos mas sem nunca os reconhecer) ele projeta-os no outro e apodera-se das qualidades da sua “presa” (por exemplo: o dinamismo, a inteligência, a organização, a generosidade, o humanismo e a energia para viver), esvaziando-a lentamente da sua energia. Ele até admira as qualidades que a vítima possui mas nunca as irá reconhecer… pelo contrário desvaloriza-as.

A vítima acaba por acarretar todas as culpas do perverso narcísico fazendo-a sentir-se culpada dos mal-estares dele, dos seus erros, dos seus “pecados”. A utilização do termo perverso tem aqui o sentido de prejudicar, dizendo por exemplo, “se não estou bem é por tua causa”. O perverso narcísico tem o dom da palavra, recorre ao paradoxo, à confusão, às generalidades, ao subentendido, a uma linguagem com duplo sentido, às frases ambíguas ou, ainda, desvia a conversa e para conseguir o que pretende amua, grita ou também dá “graxa”. Pode até chorar para comover a sua vítima quando esta está zangada… e tudo o que ela possa fazer nunca está bem. Quanto mais consegue fazer sofrer a vítima mais ele se agarra a ela. Não a deixa distanciar-se. Nem vale a pena tentar compreendê-lo. É uma relação que conduz à loucura se não se lhe puser termo. Como é que isto é possível… chegar à demência?! Porque a vítima vai sendo levada lentamente à deterioração da perceção da realidade ao ponto de defender o perverso, convencendo-se que precisa dele para viver, ou ainda sendo persuadida que lhe deve um favor para toda a vida. Tanto mais que ele vai tecendo uma “malha” à volta da vítima que a vai isolando subtilmente daqueles amigos e dos familiares suscetíveis de detetarem a sua perversidade.

Na prática existem vários níveis de perversidade narcísica que podem conduzir a vítima a uma depressão, à confusão mental, à loucura ou à morte por suicídio ou por acidente, entre outros desfechos desastrosos. O perverso narcísico vai desmotivando a vítima para ele próprio poder viver. Este tipo de relacionamento existe não apenas nas relações amorosas ou nas relações pais/filhos, mas também entre amigos e no âmbito empresarial ou profissional (entre um chefe e um subordinado por exemplo). Houve há pouco tempo uma situação difundida pela comunicação mediática em que dirigentes duma empresa, escolhidos certamente com este perfil de perversidade, levaram vários quadros da empresa ao suicídio por não puderem legalmente despedi-los.

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O perverso precisa de criar uma relação fusional com uma pessoa para poder projetar os seus defeitos nela. A fusão permite-lhe gerar as condições psicológicas para este fim. É o que os psicanalistas chamam de clivagem, ou seja a coexistência de duas atitudes contraditórias que se “clivam” para não cair na loucura. No início, ele vai testando a pessoa para descobrir os seus pontos fracos, as suas cordas sensíveis para a fazer sofrer, para a manipular. Ele promete mundos e fundos para conseguir tudo o que pretende dela. Atrai e convence a pessoa a se envolver numa fusão psicológica com ele, onde ele se torna na pessoa boa e a outra em tudo o que há de mau (uma comparação com a situação apresentada no celebérrimo filme – Dr Jekyll e Mr Hyde).

Mas porque é que uma pessoa é atraída pela ideia da fusão? Porque sermos dois num “só”, sermos almas gémeas ou as duas faces duma mesma moeda, transmite a ilusão de nos sentirmos mais fortes. Tanto mais que a nossa cultura com crenças inapropriadas ajuda a que isso aconteça. Por exemplo, a crença de encontrar alguém que venha completar o outro, como se isso fosse viável para a saúde mental. Veja-se que dois “coxos”, de facto, amparam-se um ao outro mas nunca encontrarão cada um o seu próprio equilíbrio. Desse modo, o convite para o “festim” deste estilo relacional é tentador, coloca, a pouco e pouco, a vítima na sua dependência perversa que vai desvalorizando a sua capacidade de pensar negando os problemas em vez de os resolver. Ao aceitar esta fusão com um perverso narcísico a pessoa com boas intenções começa gradualmente a interiorizar que não vale nada e até chega a aceitar que o perverso a trate mal. Como é que isto é possível?

Provavelmente, porque enquanto criança foi habituada a ser tratada desta forma descabida, foi educada a respeitar os demais, mas não a respeitar-se a si própria, ou não houveram oportunidades para se autoafirmar saudavelmente. Na prática clínica estes pontos têm que ser trabalhados psicologicamente com a vítima. Os pais também podem ser sensibilizados para estes fatos para não criarem condições familiares que invertam a situação a seu favor. Como estar melhor preparado? Como agir? O que é aconselhável fazer e não fazer para impedir o desenvolvimento de pessoas perversas ou o desenvolvimento de um perfil de vítima?

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Continuemos a leitura! A pessoa atraída pela fusão com um narcísico perverso revela medo de ser abandonada. Este medo provoca-lhe uma tal insegurança que prefere ser criticada do que estar sozinha. Repare que até uma criança também prefere que se ralhe com ela do que ser ignorada. Quando uma pessoa se sente insegura a indiferença, a possibilidade de abandono, desencadeia mais sofrimento psicológico do que as críticas e do que a violência, incluindo a violência física. É triste mas é uma realidade!

Para surpresa de muitos, no início da relação o perverso “afia as suas garras” exercendo uma sedução e uma simpatia encantadora, uma sinceridade absoluta mas de curta duração, uma grande disponibilidade, cheio de boas vontades, uma generosidade ilimitada; valores que muito defende mas que ele próprio nunca aplica e sobretudo aqueles que a vítima valoriza: confiança, reciprocidade, empatia, colaboração, mas que apenas funciona num sentido. O perverso cria a ilusão de poder conseguir colmatar muitas falhas, gera um ideal aparente de pessoa, com um olhar e uma atenção prestável que transmitem segurança e uma sensação de valorização pessoal. Tudo isto proporcionando um sentido existencial com a sua presença que torna difícil uma pessoa escapar-lhe. Todos estes elementos são essenciais para o bem-estar de qualquer pessoa e a vítima enquanto criança talvez nunca os tivesse tido bem satisfeitos. Isto quer dizer que as dificuldades já vêm de longe! No entanto, é normal no início de uma relação, nomeadamente na fase da paixão, idealizar o outro. Mas é preciso dar tempo suficiente para se comprovar se o que é dito corresponde realmente aos atos manifestados e se os defeitos de cada um são aceitáveis ou não para cada um deles.

É certo que uma criança que cresce, que se desenvolve num ambiente desvalorizador e violento, nem que seja apenas por violência verbal ou psicológica, interioriza e memoriza no seu inconsciente esse ambiente que lhe é conhecido. Pode parecer um paradoxo mas o que é conhecido inconscientemente tranquiliza a mente. No sentido inverso, o desconhecido fomenta mais insegurança numa mente já por si insegura. O perverso ao maltratar a sua vítima, nunca em público, fá-la regredir a um ambiente que lhe é familiar e, simultaneamente, a uma posição infantil na qual não se consegue defender. Repare que a vivência do dia a dia fica tão enraizada na mente que uma criança que não teve carinho, que uma vez adulta ao envolver-se com alguém que a enche de ternura e afetos, pode sentir-se mal nesta relação, pervertê-la ou até fugir dela e incessantemente andar à procura de novas conquistas sexuais.

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Em suma o perverso narcísico, homem ou mulher, não aspira a carinhos, afetos, altruísmo, responsabilidade, valores humanos; não ama no verdadeiro sentido da palavra mas agarra-se à sua vítima. Ele deseja aproveita-se da insegurança da sua vítima, para a dominar, para a intimidar, para a insultar, para a culpabilizar, para a envergonhar subtilmente e assim poder projetar nela o seu sofrimento, as suas insatisfações. Atormentando-a, desestabilizando-a até à loucura, dizendo-lhe descaradamente “se sofro é por tua causa”. Na relação ele deixa de sofrer e é a sua presa que sofre sem tréguas. O mínimo dos alívios são logo seguidos por desilusões, por desgostos. Ele nunca ou muito raramente se coloca em causa. A vítima, ela sim, é regularmente testada, duma forma desagradável (lançando-lhe mentiras ou insinuações infundadas), para confirmar se ainda mantém influência sobre ela.

Porém a sua vítima, ela, manifesta e aplica verdadeiros valores humanos; ama, é radiosa e altruísta, bondosa, afetuosa, sente empatia pelo sofrimento dos outros, é uma pessoa responsável, alegre e tem tantas outras qualidades que o perverso lhe inveja e lhe suga. Muitas vezes a vítima, depois de se aperceber do “inferno” em que se encontra, sente vergonha por se ter envolvido neste tipo de relacionamento, tornando-se inconscientemente sua “cúmplice”. Seja como for, uma pessoa vítima tem o direito de se indignar, de procurar ajuda, de terminar a relação e de não continuar a sentir-se responsável por algo que não é. Ela encontra-se numa tal desestabilização mental que se culpabiliza por tudo e por nada, com o receio permanente de ser rejeitada por todos.

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O perverso narcísico é como se permanecesse uma criança. É imaturo. A sua forma de lidar com a pessoa próxima é dum nível de irresponsabilidade, de mentiras, de desrespeito, de ausência de sensibilidade, aceitável apenas numa criança. É como se uma parte do cérebro dele ficasse bloqueada numa fase infantil. Quando uma criança faz uma asneira ela diz que não foi ela e depois pode interiorizar a ideia de que não foi mesmo ela. Esta forma infantil de atuar assemelha-se muito à do perverso narcísico, que acaba por acreditar nas suas próprias mentiras, tornando-se ainda mais convincente e aceitando dificilmente uma crítica. Ser alvo de críticas é colocar-se em causa e ele tem pouco ou nenhuma estrutura mental para as digerir. É somente um “perito” na argumentação a seu favor.

O perverso narcísico é inteligente sem dúvida, é até bem-falante, preocupa-se muito com a sua imagem tanto corporal como social, domina os códigos sociais, mas encontra-se num corpo de adulto psicologicamente insatisfeito eternamente. Necessita de ser admirado, de ser constantemente valorizado, daí retirar uma grande satisfação em humilhar a pessoa que lhe é próxima. Sofre dum complexo de inferioridade inacreditável, duma insegurança e de receios constantes, que nunca reconhece e com muita fúria acumulada que o torna violento, sem necessariamente o ser fisicamente. Por trás dessa “criança/adulta” imatura a única satisfação que alcança é no prazer imediato, que uma vez satisfeito logo procura outro e outro mais… rumo à conquista de posições de poder sempre que uma oportunidade se apresenta, com o único objetivo de obter mais facilmente satisfações imediatas. O prazer imediato não só se focaliza na compra ou no consumo de produtos mas também na satisfação de ver a sua presa a sofrer e não ele. Irra… é indubitavelmente perversa o que esta relação é!

Veja o filme clicando aqui para ter uma visão prática de algumas astúcias e atitudes de perversos narcísicos utilizadas numa relação perversa.

As pessoas manipuladoras provocam danos psicológicos inconcebíveis. Atualmente existem soluções para as despistar, para perceber melhor como elas funcionam, para escapar delas, para por um termo à relação, para ultrapassar a separação, porque não é fácil sozinho, e/ou para ajudar a criança/jovem a lidar com um dos pais que seja manipulador e assim não estarem sujeitos a chantagem afetiva.

Antonio Valentim. 7.9.2014.

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Um Amante do Conhecimento e com o desejo de levá-lo aos Confins da Galáxia !!!

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