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A última cartada de Minas do Camaquã: extraterrestres e misticismo

Félix Zucco / Agencia RBS
Extraterrestres “do bem”, os arcturianos que circulariam pela região receberam uma estátua como homenagem

Moradores relatam que fenômenos atípicos são comuns no céu do vilarejo da região central do Rio Grande do Sul.

Ao lado do Restaurante Bellamina, que funciona na antiga sede administrativa da  Companhia Brasileira do Cobre (CBC), uma estátua em concreto de um extraterrestre dá boas-vindas a quem se hospeda na pousada de mesmo nome: 

— Ele representa os seres azuis. Eles estão por aí, pelo pátio — assegura a empresária Guacira Pavão, 60 anos. 

Proprietária dos dois negócios, que administra em parceria com o marido, Luiz Pavão, ela defende que a área é um portal para um dos únicos nichos que seguem levando gente a Minas do Camaquã: o turismo ufológico. Estudiosa da doutrina espírita, diz que os alienígenas que circulam por lá são arcturianos, espécie de E.T. “do bem”, muito antigos e evoluídos espiritualmente. Eles teriam sido avistados por crianças que participam das atividades de um centro espírita no local. A estátua foi construída no ano passado, como uma homenagem.

Os contatos de Guacira com o que acredita serem aliens são mais antigos. O primeiro ocorreu no final dos anos 1980, quando, em uma noite de verão, suas filhas avistaram no céu elementos brilhantes que lembravam lâmpadas fluorescentes. Os objetos, segundo ela, movimentavam-se em diferentes direções, até desaparecerem no horizonte. Quase uma década depois, ao viajar de carro em direção a Santa Maria, percebeu uma luz branca vindo na direção contrária do sol, atrás do veículo. O objeto que a emanava, segundo recorda, tinha grandes proporções e uma base metálica. 

— Quando se aproximava, o carro trepidava. Mas eu já não tinha medo, porque no espiritismo sabemos que há outras espécies, mais evoluídas, que vivem em outros planetas. É natural — diz a mulher, que participou, em 2019, de uma série documental do canal History sobre o assunto.

Relatos de fenômenos atípicos no céu de Minas do Camaquã são comuns entre moradores, e despertam, há anos, o interesse de ufólogos. Quase duas décadas atrás, a fama atraiu integrantes do Projeto Portal (hoje Dakila Pesquisas), fundado por Urandir Fernandes de Oliveira, “pai” do ET Bilu (suposto alienígena que, em um vídeo, manda a humanidade “buscar conhecimento”). À época da liquidação de imóveis, o grupo adquiriu os pavilhões que funcionavam como alojamento. 

— Sabíamos de antemão que essa região é considerada um hotspot, um ponto quente para fenômenos, não só no céu, mas na mata, na natureza em geral. A gente já se comunica com muitas dessas energias de forma verbal, telepática e codificada. Às vezes, até com as pedras: se uma pedra cai, é sim. Sem pedra, é não — diz o ufólogo Marcus Rigo.

Félix Zucco / Agencia RBS
Minas do Camaquã é considerada um ponto para avistar fenômenos não só no céu, mas na natureza em geralFélix Zucco / Agencia RBS

Segundo Rigo, que mora na Capital, a concentração de minerais da área seria a responsável pelo “magnetismo energético” que possibilita a ocorrência desse tipo de contato. Apesar disso, seu grupo praticamente extinguiu as visitas ao local desde que fundaram Zigurats, um condomínio no interior do Mato Grosso do Sul. 

Mais recentemente, a região tem atraído grupos xamânicos, umbandistas e outros interessados na aura mística. A movimentação intriga a comerciante Luciana dos Santos:

— Extraterrestre eu nunca vi. As naves que eu vejo são as deles, passando. É carro do ano, carro importado. É um público culto, com ensino superior — sorri. 

Para o doutor em astrofísica e professor da UFRGS Rogério Riffel, é pouco provável que os objetos avistados em Minas do Camaquã tenham relação com aliens. Ele explica que, de fato, a vila está situada em uma área onde há anomalias no campo magnético que, ao interagir com partículas elétricas, podem interferir no funcionamento de equipamentos como satélites e redes elétricas. Mas isso, conforme o pesquisador, não tem influência sobre o que se vê no céu. 

— Astrônomos são pessoas que observam o céu e não relatam ufos, porque sabem o que estão olhando. Muitos (fenômenos) têm origens naturais, explicáveis.

Gaúcha ZH. 20.2.2020.

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