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Filosofia antiga no ENEM: dos pré-socráticos aos helenistas

Filosofia antiga no ENEM: dos pré-socráticos aos helenistas — Foto: Divulgação
Filosofia antiga no ENEM: dos pré-socráticos aos helenistas — Foto: Divulgação

O que compreende o período antigo da Filosofia? Quais autores mais estudar? Pois bem, este texto serve para lhe esclarecer sobre esses aspectos.

A Filosofia antiga, período compreendido entre o seu surgimento, século VI a.C ao seu declínio, transição da sociedade greco-romana para a cristã no século II e III d.C. pode ser classificada em alguns macro períodos temporais:

1) COSMOLÓGICO, com predominância da superação da explicação mitológica do universo e da origem das principais significações da realidade.

Esse saber procurava uma explicação para a época e momento históricos, das principais questões da existência humana, tanto na natureza (buscando o conhecimento do seu princípio material) como na sociedade (relações e modos de vida dos homens).

Destaca-se nesse período um conjunto bastante diverso de filósofos que detiveram seus interesses investigativos e reflexivos voltados para a phýsis (natureza), sendo assim chamados de filósofos da natureza ou phýsicos. Seriam os principais: Tales de Mileto, Pitágoras de Samos, Anaximandro de Mileto, Anaxímenes de Mileto, Anaxágoras de Clazômenas, Empédocles de Agrigento, Heráclito de Éfeso, Parmênides de Eleia, Demócrito de Abdera, Zenão de Eléia, entre outros.

2) ANTROPOLÓGICO, em que o discurso cosmológico e materialista passa a dar lugar a um discurso moral e político, criando-se nesse período uma nova temática: o homem. Urge nesse contexto a filosofia dos teóricos Sofistas (Protágoras de Abdera, Górgias de Leontini e Isócrates de Atenas), as críticas de Sócrates, a teoria dualista de Platão e a metafísica de Aristóteles.

Nesse período, a democracia se instala e o poder vai sendo retirado dos aristocratas, esse ideal educativo ou pedagógico também vai sendo substituído por outro. O ideal da educação do Século de Péricles é a formação do cidadão para uma virtude cívica. Para ilustrar esse período, nada melhor que Sócrates que propunha que, antes de querer conhecer a Natureza e antes de querer persuadir os outros, cada um deveria, primeiro e antes de tudo, conhecer-se a si mesmo. A expressão “conhece-te a ti mesmo” (do pórtico do templo de Apolo, patrono grego da sabedoria) tornou-se a grande preocupação do método socrático dialético e da maiêutica.

3) HELENÍSTICO, momento de separação entre o vínculo político e filosófico. Esse período começa a se formar durante o século IV a.C. em Atenas. Sua vida como pólis foi abalada por crises decorrentes dos conflitos que os gregos estabeleceram entre si e com outros povos (ex.: Guerra do Peloponeso e, anos antes, as Guerras Médicas), foi solucionada com a derrocada definitiva da autonomia das pólis pela construção do Império com Felipe da Macedônia e sobretudo com o discípulo de Aristóteles, Alexandre Magno.

Ao dissolver as cidades-estados, os fundamentos da filosofia como razão política rompe o vínculo estreito entre os filósofos e a liberdade política. Portanto, nessa nova sociedade, o que mais rompeu a mentalidade da Hélade foi certamente o progressivo desaparecimento do papel e da importante função que tinha a razão no cenário político do mundo helênico.

Quais autores então estudar? Nesse contexto se destaca os fundamentos da escola do Cinismo (Antístenes e Diógenes), Ceticismo (pirro de Élis), Epicurismo (Epicuro de Samos) e Estoicismo – grego, com Zenão de Cítio e romano com Sêneca, Epitecto e Marco Aurélio.

Por fim, você aluno(a) deve lembrar que estes são os principais teóricos do período antigo da Filosofia. Ao estudar, faça análises comparativas e divergentes entre ambos, entendendo as dinâmicas próprias entre cada teórico e seu contexto histórico,

Boa prova!

Um grande abraço.

“SAPERE AUDE! Ouse Saber” – Horário (filósofo romano).

João Gabriel da Fonseca, professor de Filosofia e Sociologia do Colégio Átrio; autor dos livros: “Introdução à História da Filosofia: debates e temas” (2020 – no prelo); “A destruição do Leviatã: critica anarquista ao Estado” (2014); “Escritos sobre a imprensa operária da Primeira República” (2013);“Educação e anarquismo: uma perspectiva libertária (2012)”.

G1. 24.10.2019.

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