Para quem aprecia escrever e transmitir uma  mensagem positiva, a preocupação em não se tornar  pessoal impulsiona a procurar uma metodologia  fundamentada em princípios científicos. Isso resulta em  uma escrita excessivamente técnica e sem criatividade com receio de expressar sentimentos e a preocupação de não  tornar a mensagem apelativa. Acredito que, para aqueles  que se aventuram na escrita, anestesiam frequentemente as  emoções, criando uma fantasia que o leitor irá apreciar,  devido às regras gramaticais e à linguagem científica. Com  base nessa inquietação, comecei a estudar o “ideal  romântico da escrita”, sendo uma perspectiva literária que  exalta a expressão pessoal e a criatividade individual. 

Acontece que, frequentemente, essa postura liga-se  a uma imagem ideal do escritor como um gênio solitário  que produz obras-primas a partir das suas emoções e  vivências. Essa visão destaca frequentemente a  originalidade e a inspiração, deixando a técnica e as  normas acadêmicas em segundo plano. 

Percebo que no trabalho científico, a excessiva  subjetividade, que representa a expressão pessoal, pode  desconsiderar a objetividade requerida no estudo científico, onde a evidência e a lógica devem prevalecer  sobre a opinião. A originalidade e a voz única podem  resultar em descuido das normas e estruturas requeridas  em textos científicos, como a clareza, a precisão e a  organização lógica das ideias. 

O romantismo ideal pode deixar o escritor mais  suscetível a críticas, já que o trabalho é percebido como  uma extensão da sua identidade. Isso pode complicar a  revisão e o aprimoramento do texto, essenciais no processo  de pesquisa científica. É importante salientar que a procura  por uma prosa bela e poética pode prejudicar a clareza e a  utilidade do texto, que precisa ser acessível e  compreensível para o leitor que reforçará uma perspectiva  individualista da escrita, crucial em diversos campos  científicos. Dessa forma, embora se reconheça a relevância  da criatividade e da expressão individual, é essencial  harmonizá-las com as exigências e critérios do discurso  científico, que demanda precisão, clareza e objetividade. 

A análise crítica do ideal romântico na escrita pode  auxiliar os pesquisadores a elaborarem textos mais aptos e  eficazes no âmbito científico. O autor Robson Cruz, nas  suas reflexões sobre a literatura valoriza o ideal romântico  da escrita como uma forma de expressão da busca pela  autenticidade e expressão das emoções humanas. E, para  Cruz, o romantismo é caracterizado por uma valorização  do indivíduo e das suas experiências subjetivas,  enfatizando a relevância da imaginação e da criatividade  no processo de escrita. Argumenta que, no contexto romântico, a escrita não é meramente um meio de  comunicação, mas uma forma de arte que transcende a  simples representação da realidade. O escritor romântico  pretende capturar a essência das suas emoções, traduzindo as em palavras que ressoam com a profundidade da  experiência humana. 

A abordagem poética da escrita permite que o autor  se conecte de forma íntima com o leitor, criando um espaço  onde sentimentos universais podem ser compartilhados.  Cruz também salienta que o ideal romântico da escrita é  uma libertação das convenções sociais e literárias da  época, incentivando os escritores a explorarem a sua  individualidade e a se expressarem de forma autêntica. A  busca pela liberdade criativa não somente influencia a obra  do autor, como também revela uma época de profundas  mudanças culturais e sociais. Como apontado por Robson  Cruz, o ideal romântico da escrita é um convite à  introspecção, à liberdade e à busca pela essência do ser  humano. É um legado que ainda influencia os escritores  contemporâneos, que buscam, nas suas próprias  experiências, a beleza e uma melhor compreensão da vida. 

Referência

CRUZ, Robson. O Ideal Romântico da Escrita: Emoção  e Criatividade. Editora Literatura Contemporânea, 2020.

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