Por um período, tenho refletido acerca de uma  possível síndrome de dezembro observado no atendimento  clínico. À medida que o final do ano se aproxima, noto que  muitas pessoas estão estressadas e por várias razões.  

Eu percebo que a ansiedade é alimentada pela  preocupação com os eventos do ano e as perspectivas. A  frustração por não conseguirem desenvolver projetos  idealizados, como mudar o percurso da profissão e ser  promovido no emprego, fazer aquele curso, rever e  modificar a alimentação ou até mesmo investir na  educação física para melhorar a saúde, são algumas das  razões para isso. 

Outros fatores, como a celebração de final de ano  em família, no ambiente de trabalho ou em reuniões com  amigos, podem envolver sentimentos negativos, além de excessos em comida e bebidas alcoólicas, o que pode  causar ansiedade e estresse emocional. 

Estão ocorrendo algumas ações positivas na  sociedade que facilitam o acesso do público à saúde  mental. A lei 14.831/24 do governo federal está  incentivando as companhias a realizarem esse  investimento, certificando aquelas que promovem a saúde  mental. Com o surgimento de uma onda de questões  ligadas a transtornos de ansiedade e depressão, é evidente  que a saúde mental é o alicerce de qualquer sociedade que  almeja prosperar. A qualidade de vida do cidadão está  diretamente relacionada ao pessoal e profissional. É  responsabilidade dos profissionais envolvidos nesse  processo de transformação refletir e reformular os  programas de promoção da saúde mental no ambiente de  trabalho.  

Ao reconhecermos as nossas limitações e  fomentarmos o autorrespeito, fortalecemos as nossas  defesas psicológicas e aprendemos a gerir eficazmente as ameaças oriundas de estímulos negativos. Isso é viável por  meio do investimento numa análise individual.  

No começo da trajetória profissional como  psicólogo clínico, existiam muitas objeções e  preconceitos, a psicoterapia só era possível em  circunstâncias extremas. Atualmente, tudo isso  transformou-se com a conscientização de toda a sociedade,  convertendo o que era prejudicial em total investimento na  mente humana. 

Possivelmente, o rendimento dos colaboradores se  sobressaia diante da sensibilização em campanhas de  treinamentos voltadas para a liderança, além de apoio  psicológico e psiquiátrico quando requerido. No que diz  respeito à segurança laboral, é crucial dar atenção a isso,  incentivando um ambiente com menos estímulos  estressantes e, de preferência, que inclua momentos de  lazer e relaxamento. Isso resultará numa logística que  promoverá comunicação ativa, interação e sinergia em  sintonia com os princípios e metas da organização de  trabalho. 

Não podemos negligenciar a relevância da saúde  mental no ambiente de trabalho. Para isso, é preciso  considerar opções que promovam o desenvolvimento  emocional e intelectual do colaborador, visando promover  o progresso individual e coletivo. A partir da perspectiva  de uma cultura organizacional proativa, é essencial  oferecer palestras e oficinas que tratem de temas como  estresse, burnout e permitir que todos possam expressar os  seus pensamentos e emoções, o que pode resultar em ações  altamente positivas.  

Sendo assim, todos serão beneficiados com essas  ações simples, proporcionando uma vida cheia de  oportunidades e confraternizações, fortalecendo os laços  de afeto e confiança, no presente e no futuro, nos campos  profissional, familiar e social. 

Qual é a relevância do investimento em saúde  mental nas empresas para você? 

Adriano Nicolau da Silva, Psicoterapeuta, Neuropsicopedagogo e Neuroeducador. Graduado em Psicologia e Filosofia. Especialista nas áreas de educação e clínica. Uberaba, MG. Colunista do Factótum Cultural. E-mail: adrins@terra.com.br.

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