Esta é a carta universal que gostaria que todas as pessoas lessem.

Atravessamos um momento em que o grande convite coletivo é só um: a CURA. 

E eu sei que muitas pessoas se sentem impotentes, porque acham que nunca vão conseguir curar certos traumas ou relações. 

Seja ou não o teu caso, quero dizer-te que eu já fui uma dessas pessoas. 

E é exatamente por isso que, hoje, quero contar-te a minha história de cura com o meu pai.

Sou filha única e cresci no Alentejo, num ambiente onde o amor e a renúncia andavam de mãos dadas. 

O meu pai emigrou quando eu tinha apenas 3 meses de idade. 

Cresci a ver a minha mãe cansada e frustrada, por ter abdicado de tudo para cuidar de mim.

A ausência do meu pai marcou-me profundamente. 

A dependência que ele tinha do álcool quase destruiu a nossa família. 

Sempre nos amámos muito, mas vivíamos muito afastados um do outro, devido à dependência que ele tinha do álcool. Pouco lhe ligava, para não sentir essa dor.

Em 2016, num processo terapêutico, escrevi uma carta ao meu pai. 

Da pequena Inês para ele. Não para que ele a lesse, mas para que eu pudesse integrar tudo o que vivi e a raiva que sentia. 

Depois de a escrever, senti-me em paz, e tive muita vontade de o ver. Assim fiz – pus-me no carro e fui.

Encontrei-o num estado limite, magro e muito em baixo.

Olhei-o nos olhos e disse-lhe:

– Pai, eu amo-te tanto e dói-me ver-te a morrer aos poucos. Aceitas a minha ajuda para ires para uma clínica? Eu dou-te a mão vamos juntos.

E ele, homem do campo, do alto dos seus 60 anos, disse-me, enquanto as lágrimas lhe corriam: 

– Filha, eu vou.

Nesse momento, eu consegui olhar para o meu pai de uma outra forma. 

Com um amor que me emociona até hoje, mesmo já tendo contado esta história algumas vezes.

Passado pouco tempo, o meu pai ficou internado em Caxias num centro de reabilitação. 

Durante o processo, ele tinha de escrever, todos os dias, uma parte da sua história. Numa visita, ele entregou-me esse caderno com a história de vida dele, escrita à mão, que fui lendo a pouco e pouco. 

Aí eu percebi o quanto ele se sentiu abandonado e rejeitado.

Percebi o porquê de ter deixado de acreditar nele próprio. E foi duro, muito duro. 

Mas ajudou-me a compreender e a curar tanta coisa… e a provar a mim própria que o amor cura tudo.

Honrar e agradecer aos meus pais por tudo o que me deram — tanto o amor quanto a dor — foi uma das maiores curas que já experienciei. 

Eles talvez não saibam o quanto trabalhei para integrar cada um deles em mim, mas eu sei que todo esse trabalho teve um impacto, não só em mim, mas também neles. 

Hoje, sinto uma paz crescente nas nossas relações, uma alegria que vem da reconciliação e do perdão. 

E será que está na hora de fazeres o mesmo na tua vida?

Existe um contrato invisível entre pais e filhos, onde todos somos professores e alunos, aprendendo e ensinando ao longo da vida. 

Os nossos pais são verdadeiras chaves no nosso caminho de cura. 

Com todas as suas imperfeições e sacrifícios, eles foram perfeitos para fazerem chegar onde estamos hoje. 

E nós, por nossa vez, também somos chaves no processo de cura deles.

Com todo o amor, preciso mesmo de te dizer isto… 

Enquanto não integrares todas as tuas partes, as tua relações vão espelhar tudo o que precisas de curar. 

A cura começa dentro de ti, com uma simples decisão.

Com Amor,
Inês Gaya

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