por Adriano Nicolau da Silva

Resumo: O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) ocorre quando uma pessoa vivencia situações traumáticas, como a guerra. Segundo estudos, atualmente existem evidências científicas sobre a eficácia da Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) no tratamento psicoterapêutico.
Palavras-Chave: TEPT. Trauma. Guerra. Terapia Cognitivo-Comportamental
Abstract: Post-traumatic stress disorder (PTSD) occurs when a person experiences traumatic situations, such as war. According to studies, there is currently scientific evidence on the effectiveness of Cognitive-Behavioral Therapy (CBT) in psychotherapeutic treatment.
INTRODUÇÃO
O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) é um transtorno de intensa ansiedade e apreensão em consequência de eventos catastróficos e ameaçadores. Estamos testemunhando uma série de eventos negativos que estão acontecendo no momento, de difícil compreensão e o sofrimento das pessoas são incomensuráveis.
Um trauma pode ser vivenciado por uma experiência ou observação do indivíduo, em que há ameaça à vida ou à integridade física daqueles que lhe estão ligados por laços afetivos. (CAMARA FILHO e SOURGEY, 1999). O (TEPT), pode surgir após situações mentais e emocionais difíceis e eventos bizarros como guerras, violência física e
emocional, acidentes generalizados, repreensões verbais, entre outros. Com os estudos da psicologia clínica, o adoecimento passou a ser compreendido por meio da história traumática, percebido em situações de estímulos ambientais e comportamentais persecutórios. Após observar o comportamento verbal de alguns veteranos de guerra, os pesquisadores passaram a reconhecer os fatores traumáticos das suas respectivas psicopatologias.
Observou-se uma associação com os eventos estressores e traumáticos de pessoas com o (TEPT) ao longo da vida e percebeu-se que parte dos expostos conseguiram reagir a tal situação de maneira resiliente. Outra parcela de pessoas, reagiram emocionalmente de forma sofrida e intensa, isto define o efeito psicopatológico do trauma, capaz de trazer não apenas consequências psicológicas, mas também prejuízos nas relações interpessoais, laborativas, além de queixas generalizadas, fadiga crônica, sintomas gastrointestinais, inflamações, ansiedade, pânico, depressão e alterações cognitivas. (KESSLER et al., 2005).
Segundo estudos apresentados pela UNIFESP (Universidade Federal do Estado de São Paulo) e por outras universidades brasileiras, em parceria com pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz, a explicação hipotética neuropsicológica da causa do transtorno é o desequilíbrio dos níveis de cortisol ou a redução de 8% a 10% do córtex pré-frontal e do hipocampo, áreas localizadas no cérebro, responsáveis por desenvolver novas memórias, aprendizado e emoções.
METODOLOGIA
Os critérios metodológicos do presente trabalho foram consultas em livros sobre o assunto que envolve a (TEPT), bem como bancos de dados dos principais indexadores de periódicos, dos quais foram disponibilizados artigos científicos sobre o tema em questão.
CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS
Os critérios para diagnósticos em adultos, segundo a organização que representa a psicologia nos Estados Unidos e no Canadá (APA), incluem exposição a episódio específico ou ameaça de morte, lesão grave ou violência sexual; presença de sintomas intrusivos associados ao evento traumático, começando depois da sua ocorrência; alterações negativas em cognições e no humor associadas ao evento traumático; evitação persistente de estímulos associados ao evento traumático, alterações marcantes na excitação e na reatividade associadas ao evento traumático. O sofrimento se estende quando o paciente passa a ter prejuízo social, profissional ou nas áreas importantes da vida do indivíduo.
SINTOMAS
Ressalta-se que certos sintomas aparecem causando desconforto aos pacientes. Pensamentos intrusivos referentes à memória do trauma, evitação de atividades que possam trazer lembranças dolorosas do trauma, excitação psicomotora, assim como também, taquicardia, sudorese, tonturas, dor de cabeça, distúrbios do sono, dificuldade de concentração, irritabilidade, hipervigilância e insensibilidade em alguns ambientes.
PSICOTERAPIA
A psicoterapia cognitivo-comportamental pode ser uma alternativa viável para o tratamento do (TEPT), devidos aos seus resultados positivos (BRYANT et al., 1999). Nesse sentido, a TCC é a linha de psicoterapia mais estudada no tratamento do (TEPT). Vinte e quatro estudos demonstram que ela está associada a uma melhor resposta frente aos comportamentos de esquiva e entorpecimento emocional.
CONCLUSÃO
Uma das mais importantes pesquisadoras do assunto, Rachel Yehuda (1995), concluiu a sua análise sobre a importância da existência do diagnóstico de (TEPT) para a Psiquiatria, deste modo: “A contribuição do (TEPT) para a psiquiatria é que ele fornece um referencial para estudo dos efeitos do estresse e do trauma. De uma perspectiva política, o (TEPT) é um conceito que ajudou muito o reconhecimento dos direitos e necessidades das vítimas que tinham sido estigmatizadas, pouco compreendidas, ou ignoradas pelo campo da saúde mental. A existência deste diagnóstico permite a emergência dos dados muito necessários sobre os efeitos do trauma que antes não existiam e que não podiam ser sistematicamente coletados sem este diagnóstico” (Pág. 1712).
Fica claro, portanto, que o portador do (TEPT) sofre de forma excessiva, devido à exposição de traumas psicológicos com diversas agressões, causando déficits na vida de trabalho, intelectual, social e familiar. A psicoterapia cognitivo comportamental, com eficácia comprovada segundo (Mendes et al., 2008), pode auxiliar o paciente a reestruturar as suas emoções e os comportamentos por meio de técnicas e métodos específicos durante as sessões terapêuticas.
REFERÊNCIAS
American Psychiatric Association (2002). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Trad. Claudia Dornelles 4.ed.rev. Porto Alegre: Artmed.
Bryant, R. A. & Harvey, A. G. (1999). Acute stress disorder: a handbook of theory, assessment, and treatment. Washington, DC: American Psychological Association.
CAMARA FILHO, J. W. S.; SOUGEY, E. B. Estupro e transtorno de estresse pós-traumático: aspectos epidemiológicos e clínicos. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, v. 48, n. 1, p. 547 – 553, jan. 1999.
Mendes, D.D., Mello, M.F., Ventura, P., Passarela, C.M.&Mari, J.J. (2008). A Systematic review on the effectiveness of cognitive behavioral therapy for posttraumatic stress disorder. Internacional Jornal of Psychiatry in Medicine, 38(3), 241-259.
KESSLER, R.C.; CHIU, W.T.; DEMLER, O.; MERIKANGAS, K.R.; WALTERS, E.E. 2005. Prevalence, severity, and comorbidity of 12-month DSM-IV disorders in the National Comorbidity Survey Replication. Archives of General Psychiatry, 62:617-627. http://dx.doi.org/10.1001/archpsyc.62.6.617
Yehuda R, McFarlane AC. Conflict between current knowledge about posttraumatic stress disorder and its originais conceptuais basis. Am J Psychiatry 1995; 152:1705-13.

Adriano Nicolau da Silva, Psicoterapeuta, Neuropsicopedagogo e Neuroeducador. Graduado em Psicologia e Filosofia. Especialista nas áreas de educação e clínica. Uberaba, MG. E-mail: adrins@terra.com.br. Colunista do Factótum Cultural.
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