Resumo: O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) ocorre quando uma pessoa  vivencia situações traumáticas, como a guerra. Segundo estudos, atualmente  existem evidências científicas sobre a eficácia da Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) no tratamento psicoterapêutico. 

Palavras-Chave: TEPT. Trauma. Guerra. Terapia Cognitivo-Comportamental  

Abstract: Post-traumatic stress disorder (PTSD) occurs when a person experiences  traumatic situations, such as war. According to studies, there is currently scientific  evidence on the effectiveness of Cognitive-Behavioral Therapy (CBT) in  psychotherapeutic treatment. 

INTRODUÇÃO  

O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) é um transtorno de  intensa ansiedade e apreensão em consequência de eventos catastróficos e  ameaçadores. Estamos testemunhando uma série de eventos negativos que  estão acontecendo no momento, de difícil compreensão e o sofrimento das  pessoas são incomensuráveis. 

Um trauma pode ser vivenciado por  uma experiência ou observação do indivíduo, em que há ameaça à vida ou à integridade física daqueles que lhe estão ligados por laços afetivos. (CAMARA  FILHO e SOURGEY, 1999). O (TEPT), pode surgir após situações mentais e  emocionais difíceis e eventos bizarros como guerras, violência física e 

emocional, acidentes generalizados, repreensões verbais, entre outros. Com os estudos da psicologia clínica, o adoecimento passou a ser  compreendido por meio da história traumática, percebido em situações de  estímulos ambientais e comportamentais persecutórios. Após observar o  comportamento verbal de alguns veteranos de guerra, os pesquisadores passaram a reconhecer os fatores traumáticos das suas respectivas  psicopatologias.  

Observou-se uma associação com os eventos estressores e traumáticos  de pessoas com o (TEPT) ao longo da vida e percebeu-se que parte dos  expostos conseguiram reagir a tal situação de maneira resiliente. Outra parcela  de pessoas, reagiram emocionalmente de forma sofrida e intensa, isto define o  efeito psicopatológico do trauma, capaz de trazer não apenas consequências  psicológicas, mas também prejuízos nas relações interpessoais, laborativas,  além de queixas generalizadas, fadiga crônica, sintomas gastrointestinais,  inflamações, ansiedade, pânico, depressão e alterações cognitivas. (KESSLER  et al., 2005).  

Segundo estudos apresentados pela UNIFESP (Universidade Federal do  Estado de São Paulo) e por outras universidades brasileiras, em parceria com  pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz, a explicação hipotética  neuropsicológica da causa do transtorno é o desequilíbrio dos níveis de cortisol  ou a redução de 8% a 10% do córtex pré-frontal e do hipocampo, áreas  localizadas no cérebro, responsáveis por desenvolver novas memórias,  aprendizado e emoções.  

METODOLOGIA  

Os critérios metodológicos do presente trabalho foram consultas em livros  sobre o assunto que envolve a (TEPT), bem como bancos de dados dos  principais indexadores de periódicos, dos quais foram disponibilizados artigos  científicos sobre o tema em questão. 

CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS

Os critérios para diagnósticos em adultos, segundo a organização que  representa a psicologia nos Estados Unidos e no Canadá (APA), incluem  exposição a episódio específico ou ameaça de morte, lesão grave ou violência  sexual; presença de sintomas intrusivos associados ao evento traumático,  começando depois da sua ocorrência; alterações negativas em cognições e no  humor associadas ao evento traumático; evitação persistente de estímulos  associados ao evento traumático, alterações marcantes na excitação e na  reatividade associadas ao evento traumático. O sofrimento se estende quando o  paciente passa a ter prejuízo social, profissional ou nas áreas importantes da  vida do indivíduo. 

SINTOMAS 

Ressalta-se que certos sintomas aparecem causando desconforto aos  pacientes. Pensamentos intrusivos referentes à memória do trauma, evitação de  atividades que possam trazer lembranças dolorosas do trauma, excitação  psicomotora, assim como também, taquicardia, sudorese, tonturas, dor de  cabeça, distúrbios do sono, dificuldade de concentração, irritabilidade,  hipervigilância e insensibilidade em alguns ambientes. 

PSICOTERAPIA 

A psicoterapia cognitivo-comportamental pode ser uma alternativa viável  para o tratamento do (TEPT), devidos aos seus resultados positivos (BRYANT  et al., 1999). Nesse sentido, a TCC é a linha de psicoterapia mais estudada no  tratamento do (TEPT). Vinte e quatro estudos demonstram que ela está  associada a uma melhor resposta frente aos comportamentos de esquiva e  entorpecimento emocional. 

CONCLUSÃO  

Uma das mais importantes pesquisadoras do assunto, Rachel Yehuda  (1995), concluiu a sua análise sobre a importância da existência do diagnóstico  de (TEPT) para a Psiquiatria, deste modo: “A contribuição do (TEPT) para a  psiquiatria é que ele fornece um referencial para estudo dos efeitos do estresse e  do trauma. De uma perspectiva política, o (TEPT) é um conceito que ajudou muito  o reconhecimento dos direitos e necessidades das vítimas que tinham sido estigmatizadas, pouco compreendidas, ou ignoradas pelo campo da saúde  mental. A existência deste diagnóstico permite a emergência dos dados muito  necessários sobre os efeitos do trauma que antes não existiam e que não podiam  ser sistematicamente coletados sem este diagnóstico” (Pág. 1712). 

Fica claro, portanto, que o portador do (TEPT) sofre de forma excessiva,  devido à exposição de traumas psicológicos com diversas agressões, causando  déficits na vida de trabalho, intelectual, social e familiar. A psicoterapia cognitivo comportamental, com eficácia comprovada segundo (Mendes et al., 2008), pode auxiliar o paciente a reestruturar as suas emoções e os comportamentos por  meio de técnicas e métodos específicos durante as sessões terapêuticas. 

REFERÊNCIAS  

American Psychiatric Association (2002). Manual diagnóstico e estatístico de  transtornos mentais. Trad. Claudia Dornelles 4.ed.rev. Porto Alegre: Artmed.

Bryant, R. A. & Harvey, A. G. (1999). Acute stress disorder: a handbook of theory,  assessment, and treatment. Washington, DC: American Psychological  Association

CAMARA FILHO, J. W. S.; SOUGEY, E. B. Estupro e transtorno de estresse  pós-traumático: aspectos epidemiológicos e clínicos. Jornal Brasileiro de  Psiquiatria, v. 48, n. 1, p. 547 – 553, jan. 1999. 

Mendes, D.D., Mello, M.F., Ventura, P., Passarela, C.M.&Mari, J.J. (2008). A  Systematic review on the effectiveness of cognitive behavioral therapy for  posttraumatic stress disorder. Internacional Jornal of Psychiatry in  Medicine, 38(3), 241-259.  

KESSLER, R.C.; CHIU, W.T.; DEMLER, O.; MERIKANGAS, K.R.; WALTERS,  E.E. 2005. Prevalence, severity, and comorbidity of 12-month DSM-IV  disorders in the National Comorbidity Survey Replication. Archives of  General Psychiatry, 62:617-627. http://dx.doi.org/10.1001/archpsyc.62.6.617 

Yehuda R, McFarlane AC. Conflict between current knowledge about  posttraumatic stress disorder and its originais conceptuais basis. Am J  Psychiatry 1995; 152:1705-13.

Adriano Nicolau da Silva, Psicoterapeuta, Neuropsicopedagogo e Neuroeducador. Graduado em Psicologia e Filosofia. Especialista nas áreas de educação e clínica. Uberaba, MG. E-mail: adrins@terra.com.br. Colunista do Factótum Cultural.

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